O pecuarista Adir do Carmo Leonel tinha 85 anos e faleceu em casa, nessa manhã de 4 de outubro, cercado do carinho de seus familiares, na cidade de Ribeirão Preto (SP).

Há um ano, ele lutava contra um câncer e seguiu até os últimos meses, compartilhando conhecimento, multiplicando ensinamentos e ministrando aulas e cursos, sempre pelo aprimoramento das raças zebuínas.
Sua trajetória e modo singular de enxergar a pecuária de seleção e produtiva estão nas páginas de um livro autoral de Adir, lançado no último dia 13 de setembro, durante o tradicional “Leilão Reserva Genética Adir”, na Estância 2L, em Ribeirão Preto. Era filho e neto de pecuaristas e aprendeu desde cedo a reconhecer, no olhar, as características de um animal produtivo.
Um vasto legado
Foi um dos primeiros membros do Colégio de Jurados das Raças Zebuínas da ABCZ – Associação Brasileira de Criadores de Zebu, onde também atuou como diretor por diversas gestões.
Em seus 25 anos de atuação nas pistas de todo Brasil, defendeu pureza racial e produtividade, como características fundamentais na formação e transformação de plantéis.
A ABCZ lamentou a morte de Adir:
“Associado à ABCZ desde 1970, apaixonado pela raça Nelore, Adir foi um grande defensor da pureza racial aliada à produtividade. Filho e neto de pecuaristas, especializou-se na criação extensiva de gado, fazendo o ciclo completo da pecuária: cria, recria e engorda. Foi um dos pioneiros na utilização das técnicas de inseminação artificial e transferência de embriões”.

Seu olhar apurado concedeu os primeiros campeonatos para raçadores como Chummak, Gangayah do Brumado, Inca, Vassuveda e Ludy de Garça, dentre outros. Esses animais nortearam os rumos da seleção genética da raça Nelore, no Brasil, que hoje colhe os frutos deste trabalho. O País abastece mais de 150 países com proteína animal.
Além da Nelore, o criador também era um apaixonado pelas raças bovinas Sindi, Gir e Girolando, com sólidos trabalhos de melhoramento. Também criava a raça canina Foxhound (norte-americana especializada em caça).
No grupo de WhatsApp da Associação da Confraria da Carcaça Nelore, dezenas de criadores e admiradores se manifestaram. A Fazenda Balsas Onda Verde registrou: “Perdemos uma pessoa superlativa em todos os sentidos. Um amante do Nelore, do Zebu. Um ser generoso, caridoso, amigo e que falava no plural. Seus ensinamentos repercutirão ainda por gerações”.
Além das porteiras
Outro aspecto da trajetória de Adir é seu trabalho social. Foi incansável no apoio a entidades como a APAE, onde atuou por mais de 40 anos no incentivo e nas campanhas para a manutenção de 55 unidades espalhadas, principalmente, pelo Estado de São Paulo.
Há 30 anos, criou e manteve a Fundação Rarev, uma comunidade terapêutica especializada na recuperação da dependentes químicos.
Adir do Carmo Leonel deixa a esposa Carmem, os filhos Paulo, Vera e Silvia, além da nora Carla, as netas Patrícia, Carolina, Renata, Maria Carmem e Maria Clara e os bisnetos Isabela e Eduardo. O velório será a partir das 11h30 e o sepultamento ocorrerá às 17h de hoje, 4 de outubro, no Memorial Parque dos Girassóis, em Ribeirão Preto (SP).




