Em texto divulgado pelo portal norte-americano beefmagazine.com, a Federação de Exportação de Carne dos EUA (USMEF) criticou duramente a nova regulamentação da União Europeia (EU) imposta para algumas commodities agrícolas importadas – entre elas, a carne bovina —, prevista para entrar em vigor a partir de 30 de dezembro de 2024.
“A ideia de que a produção de carne bovina dos EUA contribui — ou se beneficia — do desmatamento é absurda”, disse a federação.
A Regulação sobre Desmatamento da União Europeia (EUDR, na sigla em inglês) — também chamada de Lei Anti-desmatamento — exigirá que os agentes envolvidos na cadeia da carne (entre outros produtos) comprovem que não desmataram após 31 de dezembro de 2020.
Segundo Erin Borror, vice-presidente de análise econômica da USMEF, as etapas necessárias para cumprir com a EUDR não estão bem definidas e, com isso, a regulamentação torna o mercado da União Europeia ainda mais difícil para a indústria de carne bovina dos EUA.
“Como está escrito atualmente, bons atores estão sujeitos aos mesmos requisitos que aquelas regiões onde o desmatamento é uma preocupação genuína”, afirma Borror, acrescentando que o setor agrícola (incluindo a pecuária) dos EUA “simplesmente não contribui para o desmatamento”.
“A indústria de carne bovina dos EUA é parte da solução, não parte do problema, e não devemos ser penalizados por esta regulamentação”, ressalta ele.
O governo dos EUA, assim como muitos outros países exportadores, solicitou à UE o adiamento da implementação da EUDR. Em uma carta entregue no início deste verão no Hemisfério-Norte, o Secretário de Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, e a Secretária de Comércio, Gina Raimondo, recomendaram que a Comissão Europeia adiasse a vigência da nova lei até que sejam feitos ajustes necessários.
“Conclamamos a Comissão Europeia a adiar a implementação desta regulamentação e a subsequente aplicação de penalidades até que esses desafios substanciais sejam resolvidos”, diz a carta.
Segundo a reportagem do portal da Beef Magazine, outros países – como Austrália, Nova Zelândia, Brasil e Paraguai – também manifestaram preocupações com a falta de esclarecimentos mais detalhados da União Europeia em relação à nova regulamentação.
O assunto em questão foi alvo de reportagem recente da Revista DBO, que entrevistou a coordenadora geral de sustentabilidade e regulação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Andrea Moura. Ela falou sobre os impactos da medida europeia para o setor de carne bovina e as ações do governo brasileiro, que também pede um período de transição para adequação às novas regras.
Dentro de casa
Os pedidos de adiamento do prazo de início da EUDR também vêm de dentro da Europa, observa a reportagem. O comissário europeu de Agricultura, Janusz Wojciechowski, enviou uma carta à Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pedindo o adiamento da lei e uma isenção geral para produtores em países de baixo risco de desmatamento.
“Ministros da Agricultura e líderes da indústria de muitos estados-membros da UE também continuam a levantar preocupações sobre a carga regulatória e os custos adicionais que a EUDR imporá às indústrias locais”, ressalta a reportagem da Beef Magazine.
Comércio difícil
Dados de importação do primeiro semestre de 2024 mostram que a carne bovina dos EUA já enfrenta um clima de negócios difícil na Europa, destaca o portal norte-americano.
No trimestre de abril a junho, as importações da UE inseridas dentro de uma cota específica para carne bovina norte-americana de alta qualidade (isenta de impostos) caíram 26% na comparação com igual período de 2023, atingindo o patamar mais baixo desde o primeiro trimestre de 2022.
No ano de vigência da cota, que durou de 1º de julho de 2023 a 30 de junho de 2024, as importações totalizaram 13.220 toneladas, queda de 6% em relação ao ano de cota de 2022/2023. Menos de 50% da parcela disponível dos EUA da cota foi utilizada durante este período, observa a reportagem.
“Essa tendência de queda das exportações para a Europa é algo que esperamos reverter, mas a EUDR tornará isso ainda mais difícil”, observa Erin Borror, da USMEF.




