Matéria publicada no portal Beef Central (www.beefcentral.com) comparou os problemas gerados pelo atual conflito no Oriente Médio ao inferno vivenciado pelo setor de exportação de carne bovina durante a pandemia da Covid-19, em 2019-2020.
“Desde os tempos sombrios da Covid, a indústria de logística de exportação de carne vermelha não enfrentava desafios como os que estão sendo vistos esta semana devido ao conflito no Oriente Médio que surgiu nos últimos dez dias”, relatou a reportagem.
Segunda a Beef Central, no início da semana passada, 11 países do Golfo fecharam seu espaço aéreo e todas as principais empresas de transporte marítimo de carga suspenderam o trânsito pelo Estreito de Ormuz, na sequência de ações militares dos EUA e da retaliação iraniana.
“Empresas de transporte marítimo de contêineres, como Maersk, MSC e CMA CGM, redirecionaram mais navios via Cabo da Boa Esperança (abaixo da África do Sul), acrescentando pelo menos 14 dias ao tempo de viagem para a Europa, além de impor sobretaxas de risco de guerra ou conflito de emergência às tarifas de frete”, informa o texto.
No ano passado, a Austrália exportou cerca de 44.000 toneladas de carne bovina e 115.000 toneladas de carne de cordeiro e carneiro para destinos no Oriente Médio.
“Ninguém sabe quanto tempo isso vai durar, ou o que pode mudar da noite para o dia, mas está tornando as negociações extremamente difíceis e adicionando risco e custo à equação”, disse um exasperado contato do setor de exportação de carne bovina à Beef Central.
A ação militar iraniana causou grandes interrupções no transporte marítimo e aéreo de carne bovina e ovina refrigerada e congelada australiana para a região, bem como de carne vermelha destinada a outros destinos de carga aérea que anteriormente utilizavam aeroportos do Oriente Médio, como Dubai, como “hubs” de carga para fora da Austrália.
“Os embarques aéreos de carne bovina e ovina refrigerada australiana destinados a mercados como a União Europeia e o Reino Unido, que antes eram centralizados em aeroportos como o de Dubai, estão agora sendo desviados para outros centros de carga aérea, como Singapura – o que, por sua vez, está exercendo pressão adicional sobre os canais logísticos em Singapura”, diz o texto.
Um contato do setor de logística disse que alguns carregamentos australianos de carne vermelha por via aérea para a Europa agora estão “indo pelo caminho inverso”, voando via Dallas/Fort Worth e Frankfurt em uma rota comercial pouco utilizada e mais cara.
“Do ponto de vista logístico, qualquer aeronave que se dirija da Ásia para a Europa agora precisa seguir uma nova rota de voo. Isso significa transportar mais combustível e reduzir ainda mais a carga útil, o que aumenta as tarifas. De repente, passar pelos EUA parece mais atraente.”
Frete marítimo
Segundo a Beef Central, fora do canal de transporte aéreo, houve inúmeros relatos de produtos australianos transportados por via marítima, destinados a clientes do Oriente Médio, que ficaram retidos em navios sem condições de descarregar – e o futuro dessa carga ainda está indefinido.
“Alguns clientes em países como o Dubai dizem que ainda precisam de carne bovina e ovina – existe uma procura local contínua –, enquanto outros, em países como o Bahrein, dizem para não enviarem nenhum produto: a procura diminuiu e os restaurantes estão fechados”, relata a reportagem.
O maior risco é o resfriamento
Uma fonte do setor de logística afirmou à Beef Central que os contêineres refrigerados são agora os mais afetados pelo impacto dos preços, devido aos contêineres retidos em trânsito.
“Alguns proprietários podem recorrer à redução da refrigeração nos contêineres – transformando efetivamente a carne refrigerada em congelada, como forma de evitar problemas de prazo de validade da carne refrigerada. Isso obviamente prejudica o valor do produto.”
Desvios de cargas de carne bovina brasileira
Ainda de acordo com a reportagem da Beef Central, outros relatos divulgados na última sexta-feira (6/3) sugeriram que as exportações brasileiras de carne bovina destinadas ao Oriente Médio estão sendo desviadas para outros mercados de exportação, devido à sobrecarga causada pela produção australiana.
“O único ponto positivo é que temos uma demanda muito alta dos EUA no momento, o que ajuda a absorver parte desse excedente de produto – tanto carne bovina comum quanto produtos de maior qualidade”, disse um contato australiano de exportação.




