Farelo de soja pode sofrer mais altas se safra americana for prejudicada, diz analista da Agroconsult
Fase de avaliação da soja brasileira do Rally da Safra se encerra com expectativa de quebra de 10,6% da produção em comparação com a temporada 2020/2021
Atenção pecuaristas! O farelo de soja pode sofrer ainda mais reajustes de preço – e os valores são para cima – daqui para frente. É o que acredita o engenheiro agrônomo André Pessôa, analista de mercado e sócio-diretor da Agroconsult, organizadora do Rally da Safra.
No encerramento da fase de avaliação da soja da expedição, anunciada pela consultoria paulista no início da tarde de quinta-feira, 14/3, a estimativa é que o Brasil colha 10,6% a menos de soja nesta safra 2021/2022.
A produção é prevista em 124,6 milhões de toneladas. São 14,8 milhões de toneladas a menos de grãos, o que pode elevar os preços de um dos insumos para a alimentação do gado, especialmente se a safra americana for prejudicada.
Foto: Lucas Ninno/Agroconsult
“Não da para falar de teto de preço para o farelo de soja. Ele está num preço muito alto, claro. As indústrias, que estão processando soja para ofertar óleo e farelo para o mercado doméstico e até mesmo para o mercado internacional, têm aumentado as suas exportações de farelo e está num momento muito bom e com boa rentabilidade. Tudo vai depender agora da safra americana. Se já estávamos num ambiente de estoques relativamente baixos de soja, com a quebra da América do Sul, essa pressão sobre os estoques fica ainda maior”, avalia Pessôa.
Segundo o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com referência ao Estado do Espírito Santo, o preço da tonelada do farelo de soja saltou 5,7% entre a primeira e a segunda semana de março, chegando a R$ 3.165. O salto é de 19,9% em comparação com a média de preço de R$ 2.639,57, verificada em março do ano passado.
A porção sul do País teve as quebras mais acentuadas na lavoura de soja em função de falta de chuva e altas temperaturas nos campos.
A produtividade no Rio Grande do Sul caiu 56,2% em comparação com a temporada anterior, atingindo uma média de 25,4 sacas de soja por hectare, segundo o levantamento do Rally da Safra.
O Estado do Paraná vem em seguida, com uma queda de 38,7%, com 37,4 sacas por hectare. Santa Catarina teve queda de 26,6%, registrando 45,6 sacas por hectare, e em Mato Grosso do Sul, a produtividade caiu 25%, com 44 sacas de soja por hectare.
Milho com boa expectativa
Já a safrinha do milho pode ter bons sinais de produção. A avaliação preliminar do Rally da Safra é que a colheita de milho seja de 92,2 milhões de toneladas, 51,3% acima da safra passada. A projeção para esta temporada é de uma área plantada 7% maior do que na safra anterior, chegando a 15,7 milhões de hectares.
A etapa de avaliação do milho segunda safra do Rally começará em 15 de maio, com seis equipes, percorrendo o oeste, o médio-norte e o sudeste de Mato Grosso, as porções norte e sul de Mato Grosso do Sul, a região sudoeste de Goiás e o oeste do Paraná.
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