Com o pagamento da primeira parcela do 13º salário a partir desta quinta-feira (27/11), o viés de alta nos preços do boi gordo pode ganhar força nos próximos dias, já que o dinheiro adicional na conta dos brasileiros tende a estimular o consumo doméstico pela carne bovina, acreditam os analistas da Agrifatto.
Segundo a consultoria, a oferta de boi castrado segue regular, mas há escassez de vaca, boi inteiro e, principalmente, de novilha, tanto para o mercado in natura quanto para a indústria de desossa.
Em paralelo, acrescenta a Agrifatto, já começa a haver maior procura por cortes nobres da linha “grill” em preparação para as festas de fim de ano.
No entanto, pelo menos por enquanto, o mercado brasileiro do boi gordo manteve, nesta quarta (26/11), o mesmo padrão dos últimos dias, com preços estáveis nas 17 regiões monitoradas pela Agrifatto.
Pelos dados da consultoria, no mercado paulista, a arroba seguiu em R$ 322,50 (valor médio entre o animal “comum” e o “boi-China”). Nas outras 16 praças acompanhadas pela Agrifatto, a média permaneceu em R$306,10/@.
De acordo com o levantamento diário da Scot Consultoria, a praça de São Paulo registra 14 dias sem alterações nos preços para os machos terminados e para a novilha gorda (e 8 dias seguidos para a vaca gorda).
Com isso, diz a Scot, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$320/@, o “boi-China” em R$ 325/@,a vaca em R$302/@ e a novilha em R$ 312/@ (valores brutos, no prazo).
Segundo a Agrifatto, neste início da semana, os frigoríficos brasileiros adotam posições estratégicas distintas. “Parte deles segue sem indicar valores para adquirir lotes, enquanto outras indústrias ofertaram preços abaixo das referências usuais”, observa a Agrifatto.
Mesmo assim, o baixo volume de negócios fechados nos atuais patamares não foi suficiente para alterar as cotações da arroba e nem para alongar as escalas de abate dos frigoríficos brasileiros, que continuam, na média nacional, em até 7 dias.
Outros fatores de alta
A tendência de alta nos preços do boi gordo ganhou corpo após notícias recentes relacionadas aos mercados da China e dos EUA, os dois principais importadores mundiais da carne bovina brasileira.
Os EUA removeram a tarifa retaliatória sobre a carne bovina brasileira, enquanto a China adiou para 26/01/2026 o fim da investigação de salvaguarda, antes previsto para 26/11/2025.
“Com o ambiente externo menos tenso, as exportações brasileiras de carne bovina tendem a ganhar ritmo e os preços encontram mais espaço para se firmar, após semanas de volatilidade e recuos na B3″, antecipa a Agrifatto.
“Diante desse quadro mais favorável, com possível retomada das compras pelos EUA e maior clareza no posicionamento chinês, o mercado físico pode ganhar estabilidade no curto prazo, abrindo margem até para uma leve recuperação das cotações”, apostam os analistas da Agrifatto.
No mercado futuro, os contratos do boi gordo registraram certa estabilidade no pregão de terça-feira (26/11) da B3. O destaque ficou para o papel com vencimento em dezembro/25, que encerrou a sessão valendo R$ 319,30/@, com ligeira alta de 0,63% em relação ao dia anterior.




