“Você prefere estar dentro do elevador na queda ou suavizar a queda de preços usando um paraquedas (ferramentas de proteção – hedge)?”, indaga o analista Raphael Galo, colunista fixo do prestigioso informativo semanal Boi & Companhia, da Scot Consultoria.
O analista alerta para a queda repentina dos preços futuros do boi gordo nos últimos dias, um reflexo das incertezas em relação ao mercado da China, o principal importador mundial da carne bovina brasileira — que compra em torno de 50% do total embarcado pelo Brasil anualmente.
“Se por um lado o mercado spot (físico) vai muito bem, obrigado, no mercado futuro, o susto nos últimos dias chacoalhou a Faria Lima e os pastos Brasil afora”, diz Galo.
Segundo o analista, no contrato futuro vigente (novembro/25), por exemplo, o “trabalho” que o mercado fez em 26 pregões para valorizar cerca de R$ 16,25/@ (5,1%) desde o início de outubro/25, levou apenas cinco pregões pessimistas para jogar fora todos esses ganhos.
Olhando para a tela da B3 (bolsa paulista) em (12/11), o mercado precificava queda do boi gordo para novembro/25 (-1,4%, para R$ 318,60/@) e dezembro/25 (-0,4%, para R$ 321,80/@), em relação aos preços vigentes no mercado físico na mesma data (R$ 323/@) – é preciso dizer que, de lá para cá, o valor da arroba recuou um pouco, para R$ 322,63/@ (indicador Datagro de 13/11).
“Isso ocorre por uma série de fatores e notícias que surgiram nos últimos dias, ligadas à China”, reforça Galo, referindo-se a um caso de contaminação por pesticida (contra carrapatos) em lotes de carne brasileira enviado ao mercado chinês, além dos rumores de que o governo de Pequim pode anunciar, ainda neste mês, algumas medidas de proteção (cotas/tarifas) que visam controlar o fluxo de entrada de proteína importada no país.
Na avaliação de Galo, porém, o mercado futuro está precificando os fundamentos de forma errônea. “Acho que o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda, nesse último bimestre, é acima do que aponta o mercado futuro, mas, infelizmente, só saberemos lá na frente”, relata.
No entanto, diz o analista, não se pode ignorar “o risco real de realmente as notícias se confirmarem”. “Isso pode derrubar ainda mais os preços”, alerta.




