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Depois do fogo inclemente, frente fria pode trazer alguma calma ao Pantanal

Produtores pantaneiros tentam proteger suas reservas ambientais e a criação de gado, a mais importante atividade da região
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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteve hoje (18/8) em Cuiabá. A viagem que estava marcada para o dia 21 foi adiantada. Salles esteve com o governador Mauro Mendes e  lideranças da região para tratar de as ações de combate e controle das queimadas que atingem o Pantanal (confira os vídeos, ao final da reportagem, de uma fazenda em chamas no último domingo, dia 16/8, e hoje).

Ministro Ricardo Salles hoje, com o governador de Mato Grosso. Foto: Fotos Públicas

“O ministro Salles saiu daqui de Cuiabá prometendo ajuda emergencial e principalmente mudar o conceito que foi imposto por ONGs de não se deixar manejar o mato seco e alto em março e abril, inclusive com pequenas queimadas controladas. O Pantanal precisa mais do boi do que o contrário”, diz Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Atravessando a maior seca dos últimos 50 anos e nenhum manejo de controle da vegetação, desde o início do mês a região arde em chamas, destruindo a flora, fauna silvestre e pastagens que alimentam um rebanho da ordem de 4 milhões de bovinos, principalmente vacas de cria. A pecuária, presente na região desde a colonização do País, é a principal atividade econômica do Pantanal.

A esperança, agora, é que a situação de incêndios na região venha a diminuir com a entrada da maior frente fria do ano no País. Vinda do Antártica, ela começa a mudar o tempo no sul de Mato Grosso do Sul a partir desta quarta-feira (19) e na quinta-feira (20), em Mato Grosso. “Há uma expectativa de que o resfriamento provocado por essa massa polar seja a mais forte de 2020”, diz a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo.

Focos de incêndio tomam o Pantanal desde o início de agosto.Foto: Ascom/CBMMS

Depois do recorde de calor de 41,2°C na tarde de terça-feira (18) em Cuiabá, a capital mato-grossense deve registrar máxima de de 20°C e mínima de 9°C na quinta-feira, segundo a Climatempo. Também estão previstos temporais com chuva, geada e até possibilidade de granizo na região do Pantanal. Em Corumbá a máxima pode chegar a 18°C e mínima de 7°C na sexta-feira (21).

Chuva mesmo boa mesmo, só em outubro

Apesar do alento da frente fria, a tendência é de clima seco até setembro na região do Pantanal. “Até lá, o predomínio é de ar seco e chuva só para o início de outubro”, segundo o meteorologista Filipe Pungirum, também da Climatempo.

Até o final de setembro, a atenção dos pecuaristas na região do Pantanal deve ser máxima para os focos de incêndio. De março até agora, a situação tem se agravado, especialmente em Mato Grosso. Uma equipe de bombeiros teve de ser resgatada, na sexta-feira (14), enquanto combatia as chamas na região de Poconé (MT).

Desde que os focos começaram, os produtores não vêm tendo trégua no combate aos incêndios. Eles tentam proteger a criação e as reservas ambientais em suas propriedades.

Gado no Pantanal, na época das águas. Foto: Daniel Marinho

“Estamos tentando de tudo, com recursos do próprio bolso até”, diz Ribeiro Junior. “Muito triste e depois ainda ser multado e indiciado criminalmente, tendo que justificar que não foi nossa culpa. Estamos documentando tudo com drones, etc, para ajudar numa possível defesa futuramente.”

O produtor Antonio Carlos  Rezende, do Grupo Rezende, que cria gado há seis décadas, tem propriedades no Pantanal. A cria de Nelore fica nas fazendas Santo Antônio das Três Marias e Peixe de Couro, no município de Santo Antonio do Leverger.

 “Lamento profundamente, à exaustação”, diz ele.  “Se não permitirem diminuir a massega, para não deixar formar muito material combustível, quando vem a seca  o fogo fica incontrolável.”

Focos de incêndio

Em julho foram 2.429 focos de incêndio, 23,9% do que foi averiguado em maio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Só neste mês de agosto, até segunda-feira (17), foram 4.430 focos. Agravado pela estiagem, o calor e vegetação seca, os focos de incêndios se tornam um grande desafio na região. Historicamente, os meses mais críticos vão de maio a outubro, em Mato Grosso.

Em Mato Grosso do Sul, o número de focos saltou de 508, em junho para 1.305 em julho. Na comparação com os demais meses de julho de outros anos, é o segundo maior 22 anos e o mais grave nos últimos 14 anos, de acordo com o histórico de monitoramento do Inpe. Neste mês de agosto, até segunda-feira (17), 1.934 focos de incêndio.

Fazenda do Pantanal em chamas, no dia 16 de agosto (cenas enviadas por Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, presidente da Acrimat)

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O resultado do fogo do dia 16 de agosto, no Pantanal (cenas enviadas por Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, presidente da Acrimat)

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