Pecuaristas, preparem-se. Se a onda de altos custos para a produção de uma arroba de carne parece ser um fator limitante atualmente, saiba que, por outro lado, o mercado para carne vermelha deve tomar uma guinada jamais vista.
A avaliação é do engenheiro agrônomo Sergio De Zen, diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O diretor da Conab falou com o Portal DBO nessa quinta-feira (26/8), logo após o anúncio das expectativas para a safra de grãos na temporada 2021/2022, projetadas pela Conab.
Foto: Divulgação
“A pecuária bovina está numa posição bastante interessante na questão do milho e a gente vê os horizontes que o mundo está caminhando para uma super safra e com o superconsumo. O mundo vai ter um rearranjo. Haverá mais carne de frango e mais carne suína e menos carne bovina, porque a carne bovina vai ser consumida mais democraticamente no mundo na próxima década”, diz De Zen.
A fala de Sergio De Zen pode parecer contraditória, pois a tendência é de uma redução do consumo da carne bovina por pessoa no mundo, especialmente aqui no País. No entanto, o xis da questão é justamente numa forte entrada de novos consumidores, de classe média e classe média alta, que serão os novos compradores mundiais de proteína animal.
Os países do continente asiático, por exemplo, devem experimentar uma forte onda de enriquecimento e, segundo estudos, nos próximos cinco anos essa região deve incorporar 250 milhões de habitantes com alto poder aquisitivo.
“Onde estão esses habitantes? Eles estão na Índia, na Tailândia, no Vietnã, no Camboja, nas Filipinas, na China… são países que através do processo de industrialização estão aumentando a produtividade do trabalho e estão com mais renda”, diz De Zen.
Para o diretor da Conab, a oportunidade de mercado para oferta de proteína animal viria inicialmente dessas 250 milhões de pessoas com renda familiar de até US$ 25 mil e que vão consumir carne vermelha.
O potencial da classe média na China vai alavancar o consumo de carne bovina na próxima década (Foto: Reprodução)
“Esses 250 milhões são apenas 10% do total. Não sei se na próxima década, mas é certo que eles que vão entrar e por isso o cenário de alimentos no mundo tenderá a ficar diferente”, diz De Zen.
Daniel Gaia, zootecnista e proprietário da DG Assessoria Pecuária, comenta os preços da reposição, a oferta de boi magro e as tendências do mercado pecuário no Tocantins.
César de Castro Alves, consultor do Itaú BBA, analisa os impactos da possível interrupção das exportações para a China, a capacidade de absorção do mercado interno e os riscos para o mercado do boi gordo nos próximos meses.
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