Poucos dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar o “tarifaço” global envolvendo 186 países, a China revidou, aplicando tarifa de 34% aos produtos norte-americanos.
Com a nova medida chinesa, as exportações de carne suína dos EUA agora enfrentarão uma tarifa de 81% imposta pelo governo chinês, enquanto a taxa sobre a carne bovina agora é de 56%, de acordo com informações da Meat Export Federation (USMEF), associação que representa o setor de exportação de carne bovina, suína e ovina dos EUA.
Os cálculos da USMEF representam o somatório do total de tarifas já impostas por Pequim com a nova taxa de 34% anunciada nesta sexta-feira (4/4) pelo governo chinês e prevista para entrar em vigor em 10 de abril, disse Dan Halstrom, CEO da USMEF, segundo texto publicado no portal norte-americano www.porkbusiness.com.
“A carne bovina dos EUA já enfrenta grandes obstáculos na China relacionados à elegibilidade de unidades frigoríficas, e um aumento nas taxas retaliatórias coloca as exportações em risco ainda maior”, acrescentou ele.
Na avaliação de Halstrom, “as taxas da China sobre a carne suína dos EUA já eram assustadoras e agora serão enormes, o que impacta severamente as exportações do produto”.
Segundo o CEO da USMEF, porém, a associação está “esperançosa de que as negociações serão realizadas em breve para abordar essas questões”.
De acordo com a USMEF, a China foi responsável por 15% do volume total de exportação de carne suína dos EUA no ano passado e 13% da receita total obtida pelos embarques. Quanto à carne bovina, a China foi responsável por 14% do volume total de exportação dos EUA em 2024, e 15% do faturamento total.
A reportagem lembra que, durante anos, a China permaneceu como o principal destino das exportações agrícolas dos EUA, mas agora o México ocupa o primeiro lugar e o Canadá é o segundo. Em 2023, as exportações agrícolas dos EUA para o mercado chinês diminuíram, e a participação da China no total de exportações dos EUA caiu para uma baixa de quatro anos.
O que causou a mudança? Economistas dizem que há uma série de fatores, incluindo as consequências da primeira guerra comercial, em 2018/19. “É importante notar que a participação de mercado do Brasil na China vem crescendo”, destaca o texto do portal.
Pesquisa: Impacto de uma 2ª guerra comercial
Segundo uma pesquisa recente realizada com especialistas em economia agrícola dos EUA – Ag Economists’ Monthly Monitor -, embora 92% dos entrevistados acreditem que os EUA já estejam em uma guerra comercial, 69% dizem que não acreditam que essa disputa de hoje teria o mesmo impacto que teve de 2018 a 2020.
“Quando você olha para a China, o Brasil e a soja, não temos tanto mercado a perder quanto tínhamos na primeira rodada”, disse um economista norte-americano.
Quando os economistas foram questionados sobre quem, em última análise, vence uma guerra comercial, nenhum disse que seriam os EUA – a maioria dos entrevistados (73%) disse que, em última análise, seria um dos maiores concorrentes dos Estados Unidos: o Brasil (veja gráfico).
Dezoito por cento, no entanto, acham que a China se beneficiará de uma guerra comercial.




