Carne bovina: Brasil continua agressivo no mercado internacional mesmo com a valorização do real frente ao dólar
Analista da Agrifatto diz que a forte demanda da China explica o avanço dos embarques da proteína, que neste mês deve alcançar recorde histórico para o período, superando a casa das 145 mil/t
As exportações brasileiras de carne bovina in natura totalizam 73,45 mil toneladas no acumulado dos nove dias úteis de fevereiro/22, um acréscimo de 63% sobre o volume registrado em igual período de 2021, de 44,98 mil toneladas, informa a Agrifatto, com base nos dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
“Com os embarques acelerados, estimamos que o total em fevereiro/22 deva superar as 145 mil toneladas, o que representaria um novo recorde para o mês”, prevê Yago Travagini, analista da Agrifatto.
O recorde atual para o mês de fevereiro é de 2019, com 115,43 mil toneladas embarcadas no período.
Em janeiro último, as exportações de carne bovina in natura também atingiram patamar histórico para o mês, fechando o período em 140,54 mil toneladas.
Considerando apenas a segunda semana deste mês, as exportações de carne bovina in natura ficaram em 33,79 mil toneladas (média diária de 6,76 mil toneladas), um recuo de 14,79% no comparativo com a primeira semana do mês.
No entanto, mesmo com a valorização do real sobre o dólar (hoje abaixo dos R$ 5,20), o Brasil continua agressivo nas suas vendas de carne bovina ao mercado externo, destaca Travagini.
“Estamos tendo que subir o preço da tonelada de carne bovina brasileira em dólares, o que nos torna menos competitivos em comparação ao que tínhamos há algumas semanas atrás”, relata o analista, que acrescenta: “porém, o apetite internacional pela carne bovina brasileira não está reduzindo porque a China segue recompondo os seus estoques, para atender o visível avanço de sua demanda interna”.
Na avaliação de Travagini, os chineses continuarão comprando até recompor estoques, mesmo diante da valorização da carne brasileira, que “hoje apresenta preços em linha com as cotações da proteína exportada pelos principais concorrentes na América do Sul (Argentina e Uruguai).
O preço médio mensal da tonelada ficou em US$ 5,50 mil na segunda semana de fevereiro/22, com valorização de 21% sobre a cotação registrada em igual período de 2021, de US$ 4,55 mil/tonelada, de acordo com os dados da Secex.
“Estimamos também um preço recorde para carne bovina in natura para um mês de fevereiro”, diz Travagini, acrescentando que o valor do produto brasileiro ainda tem capacidade para evoluir mais, “já que em 2021 o valor médio rompeu a barreira do US$ 5.800/toneladas”.
Milho – Durante a última semana deste mês, foram exportadas 288,66 mil toneladas de milho pelo Brasil, alta de 205,25% no comparativo com a semana anterior, segundo dados da Secex.
Com uma média de embarques em 42,58 mil toneladas/dia, o mês atual totaliza 383,27 mil toneladas do grão vendidas para o mercado externo, volume 1,3% inferior que o mesmo período no ano passado, informa Travagini.
O preço médio mensal do cereal ficou em US$ 266,16/t, queda de 2,16% ante a semana retrasada.
Com isso, as vendas externas do produto nos nove primeiros dias úteis de fevereiro/22 consolidaram uma receita de US$ 102 milhões, o equivalente a 60,26% do montante arrecadado no mesmo mês em 2021.
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