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Brasil busca acordo para embarcar gado vivo para Indonésia e Filipinas, mas esbarra na logística

Embarcações da Austrália conseguem, na prática, entregar lotes ao mercado indonésio em menos de 7 dias; carregamento de bovinos do Brasil levaria até 45 dias.
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Enquanto as embarcações da Austrália conseguem, na prática, entregar lotes de gado vivo para a Indonésia num prazo inferior a 7 dias, um carregamento de animais partindo do Brasil levaria até 45 dias para chegar ao porto indonésio.

A comparação logística foi mencionada em artigo do veterinário australiano Michael Patching, publicado no portal da Beef Central (www.beefcentral.com). 

Patching é especializado em bem-estar animal e no setor de pecuária de corte, com grande cobertura do mercado do Sudeste Asiático. Segundo ele, a Indonésia “olha para o gado vivo do Brasil”, mas ainda está longe de o negócio ser concretizado. 

A Indonésia está novamente explorando a opção de importar gado brasileiro para engorda, após a visita do presidente Prabowo Subianto ao Brasil”, relata Patching, mencionando o encontro do líder asiático com o presidente Lula, em outubro/25, em Brasília.

O objetivo da negociação entre os dois países, diz o veterinário, é diversificar o fornecimento e reduzir a dependência da Austrália. No entanto, ressalta Patching, “a logística está longe de ser viável”

As necessidades de alimentação, os riscos ao bem-estar animal e as perdas durante o transporte são preocupações importantes”, afirma ele, acrescentando: “Um lote piloto está sendo considerado para testar o desempenho do gado, mas nada concreto foi anunciado”.

A escolha dos navios a serem utilizados “é um fator importante a considerar”, observa Patching, completando: “O Brasil e a Indonésia não aplicam os mesmos padrões de bem-estar animal exigidos nas exportações australianas”

A maioria dos navios disponíveis para operar no Brasil, diz ele, são embarcações mais antigas que já não atendem aos requisitos australianos, com maior densidade populacional e controle limitado da mortalidade. 

Provavelmente, o custo de utilização desses navios é ligeiramente menor, o que pode justificar a viabilidade do negócio”, relata. 

Algumas fontes, continua Patching, também mencionam que uma recarga de ração seria essencial durante o trajeto Brasil-Indonésia, ou como medida de contingência, mas atualmente não há nenhum porto adequado para isso. 

Caso o embarque ocorra, acredito que será semelhante ao carregamento do Vietnã de 2021. Tecnicamente, pode funcionar, mas é improvável que seja comercialmente viável”.

Filipinas, outro desafio difícil

O veterinário australiano também observa que a demanda por carne bovina nas Filipinas (tanto carne bovina processada quanto gado vivo) deverá permanecer forte até 2026, impulsionada principalmente pelas contínuas interrupções no fornecimento de carne suína e de aves devido à Peste Suína Africana e à gripe aviária

Com cerca de 95% do rebanho bovino nacional gerenciado por pequenos produtores com menos de dez cabeças, a produção local permanece fragmentada e bem abaixo das necessidades de consumo”, informa Patching.

Os dados de importação apontam para um crescente déficit de oferta, complementa ele. As importações totais de carne das Filipinas aumentaram 13,5% no acumulado de janeiro a setembro de 2025, com a carne bovina registrando um aumento de 4,3%. 

“O Brasil continua sendo o principal fornecedor, respondendo por 39% das importações”, destaca Patching

Segundo ele, os volumes de exportação de gado vivo também refletem a forte demanda, com os embarques de gado australiano aumentando 12% em relação ao ano anterior. 

Porém, afirma Patching, semelhante à Indonésia, o interesse das Filipinas pelo gado vivo brasileiro está crescendo após o reconhecimento de ausência de febre aftosa no início deste ano, mas a viabilidade econômica permanece difícil. 

“A rota para o Brasil exige grandes lotes de 10.000 cabeças ou mais para que os embarques sejam viáveis, enquanto as Filipinas atualmente recebem apenas cerca de 3.000 cabeças por embarque a cada poucos meses”, diz.

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