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Boi gordo: tendência de queda na arroba se fortalece em praças de SP e no Centro-Oeste do País

Escalas mais confortáveis e menor competitividade dos frigoríficos exportadores reduzem ordens de compras de boiadas, refletindo em queda nas cotações de machos e fêmeas terminadas
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A tendência de baixa nos preços do boi gordo começa a ganhar mais consistência no mercado brasileiro, confirmando as expectativas dos analistas do setor pecuário.

Nesta terça-feira, 29 de março, as cotações da arroba recuaram em praças importantes do País, como em São Paulo e nas praças do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Segundo dados apurados pela Scot Consultoria, nesta manhã de terça-feira, os frigoríficos paulistas abriram as compras ofertando R$ 3/@ a menos pelo boi gordo.

Essa pressão de baixa surtiu efeito, e o valor do macho terminado recuou de R$ 337@ para R$ 334/@ (a prazo, valor bruto), de acordo com a Scot.

Por sua vez, em São Paulo, os preços da vaca e da novilhas gordas registraram estabilidade nesta terça-feira, e seguem valendo R$ 295/@ e R$ 330/@, respectivamente (valores brutos e a prazo).

“Com o avanço da safra de capim, as escalas de abate das indústrias frigoríficas cresceram e os negócios esfriaram nas praças pecuárias paulistas”, relata a Scot.

Segundo a consultoria, a pressão de baixa também começa a repercutir nos negócios envolvendo animais com padrão para exportação, especialmente ao mercado da China (que só compra bovinos mais jovens, com idade inferior a 30 meses).

“Agora, as ofertas nas praças paulistas giram em torno de R$ 340/@”, informa a Scot.

Essa queda no valor do boi-China é reflexo sobretudo das recentes quedas do dólar em relação ao real, movimento que reduz a competitividade dos frigoríficos exportadores.

Segundo os analistas da IHS Markit, grande parte das indústrias de São Paulo já garantiu escalas de abate que atendam aos compromissos de exportações e, por isso, seguem ausentes dos negócios.

“Muitas destas plantas frigoríficas paulistas buscaram animais em Estados vizinhos e neste momento seguem com programações de abate que cobrem entre 10 e 14 dias”, informa a IHS.

Ao mesmo tempo, continua a consultoria, as indústrias mantêm posição de cautela nas operações.

“As quedas do dólar seguem pressionando as margens dos frigoríficos exportadores e deve manter um viés de baixa no mercado físico do boi gordo”, ressaltam os analistas da IHS.

Algumas indústrias que ainda necessitam efetuar aquisições de animais terminados para compor as suas escalas de abate efetuam negócios em quantidades menores, diminuindo a procura por boiada gorda e, consequentemente, pressionando negativamente os preços da arroba, acrescenta a IHS.

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Nas praças do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a oferta de animais terminados encontra-se acima da demanda vigente, o que contribuiu para recuos nos preços da arroba nesta terça-feira (veja abaixo as cotações atuais de machos e fêmeas nas principais praças pecuárias).

Ainda no Centro-Oeste, os valores das fêmeas terminadas também recuaram no dia de hoje, embora de maneira não intensa, já que os preços desta categoria já haviam registrado quedas significativas nas últimas semanas, refletindo a fraca demanda doméstica pela carne bovina e o maior descarte de matrizes.

Deve-se ressaltar que maioria dos lotes de vacas gordas é destinada ao mercado interno e, diante do consumo baixo da proteína, há um excedente de oferta no mercado, diz a IHS.

Do lado de dentro das porteiras, muitos pecuaristas conseguem segurar o gado no pasto aguardando por melhores oportunidades de venda.

No entanto, na maior parte do País, as chuvas devem perder intensidade a partir de abril.

Com isso, afirmam os analistas da IHS, a manutenção de animais gordos nas fazendas será praticamente inviável, pois elevará o risco de perda de peso com a degradação da pastagem.

“Assim, há tendência de pecuaristas ofertarem estes lotes de animais remanescentes, visando mitigar os riscos e fazer caixa de olho nas despesas dos próximos meses”, prevê a IHS.

No mercado atacadista de carne bovina, as vendas seguem fracas e a tendência é de manutenção deste panorama ao longo desta semana.

A cadeia de distribuição mantém-se ausente das compras, mesmo com as quedas de preços da carne observadas na véspera, relata a IHS.

Na avaliação da consultoria, os recuos pontuais observados nas cotações dos cortes de carne bovina ainda não devem instigar o aumento da demanda do consumidor final, já que os preços das proteínas concorrentes ainda seguem mais competitivos.

No momento, dizem os analistas da IHS, há migração para outras fontes de proteína animal, como a carne suína e ovos, fundamentados pelo forte impacto da inflação nos preços dos alimentos e pela perda do poder de compra do brasileiro.

Cotações máximas desta terça-feira, 29 de março, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 350/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 303/@ (à vista)
vaca a R$ 285@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 290/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 291/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 308/@ (prazo)
vaca a R$ 293/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 303/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 300/@ (à vista)
vaca a R$ 285/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 315/@ (prazo)
vaca R$ 295/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 315/@ (prazo)
vaca a R$ 305/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 320/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 325/@ (prazo)
vaca a R$ 290/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 2805/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 296/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 330/@ (à vista)
vaca a R$ 310/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 330/@ (à vista)
vaca a R$ 310/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 275/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 283/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 287/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 295/@ (prazo)
vaca a R$ 282/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 295/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 286/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 306/@ (prazo)
vaca a R$ 289/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 283/@ (à vista)
vaca a R$ 264/@ (à vista)

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