Apresentado Por:

Ausência da China reduz margens dos frigoríficos, que agora forçam a baixa da arroba para tentar equilibrar o caixa, diz analista

Nas próximas semanas, quem precisar vender boiadas gordas vai se deparar com preços mais baixos, acredita Leandro Bovo, da Radar Investimentos
Compartilhe:

Continue depois da publicidade

Continue depois da publicidade

Com as câmaras frias lotadas e as escalas de abate preenchidas, o apetite das indústrias frigoríficas tende a ser muito pequeno no curto prazo, prevê o médico veterinário Leandro Bovo, sócio e diretor da Radar Investimentos, com sede na capital paulista.

“Nas próximas semanas, quem precisar vender (boiadas gordas) vai se deparar com preços mais baixos”, ressalta Bovo, em coluna divulgada no boletim semanal da Scot Consultoria, de Bebedouro, SP.

Segundo o analista, os frigoríficos foram muitos agressivos nas compras de boi gordo no final de novembro, movimento que trouxe os preços da arroba mínima para a máxima do ano em apenas 15 dias.

VEJA TAMBÉM | Indicador do boi Cepea/B3 volta a operar na máxima nominal da série histórica

As cotações em São Paulo saíram de ao redor de R$ 260/@ para a máxima de R$ 330/@, num dos movimentos mais rápidos e mais intensos de que se tem notícia, relata Bovo.

“Essa agressividade nas compras conseguiu trazer um bom volume de oferta para o mercado e as programações de abate saíram de níveis críticos para níveis muito confortáveis e não são raros os casos de indústrias com a escala de abate de dezembro já completa”, observa ele.

Bovo levanta a suspeita de que a agressividade recente nas compras de boiadas tem ligação com um suposto sentimento de confiança da indústria em relação à reabertura do mercado da China, que, contrariando as expectativas, ainda segue totalmente fechado aos embarques brasileiros de carne bovina.

Dessa maneira, imagina Bovo, as indústrias teriam tentado se antecipar ao movimento de reabertura do mercado chinês comprando tudo o que podiam antes da notícia oficial (sobre o fim do embargo chinês).

LEIA MAIS | China libera cargas de carne bovina brasileira que estão nos portos do país, diz ministra da Agricultura

“O problema foi que a volta da China até agora não aconteceu e todo esse volume comprado vai ter que ser direcionado ao mercado interno ou a compradores externos menos remuneradores”, antecipa Bovo, que acrescenta: “Não é difícil imaginar que essa ‘errada de mão’ custará bem caro às indústrias e elas tentarão de todas as formas ‘dividir’ essa conta com o pecuarista, tentando impor recuos nas compras das próximas semanas”.

Na avaliação de Bovo, o fiel da balança vai ser “o comportamento do produtor frente a essa pressão que já começa a crescer em todas as regiões produtoras do Brasil”.

 

Gostou? Compartilhe:

Mais Lidas

1.

Encontre aqui a consultoria ideal para sua fazenda

Vídeos em destaque

Mais Lidas

Colunistas