O governo australiano abriu as portas para a importação de carne bovina dos Estados Unidos ao validar os programas de rastreabilidade implementados pela indústria norte-americana, informou reportagem publicada no site da Beef Central (www.beefcentral.com).
A Ministra da Agricultura da Austrália, Julie Collins, afirmou em um comunicado que uma “avaliação científica rigorosa e baseada em riscos” concluiu que as medidas dos EUA para monitorar e controlar a movimentação de gado significavam que os riscos de biossegurança estavam sendo gerenciados de forma eficaz.
O governo “jamais comprometerá a biossegurança”, disse ela, acrescentando: “A Austrália defende o comércio aberto e justo – nossa indústria pecuária se beneficiou significativamente disso.”
Embora, tecnicamente, a importação de carne bovina norte-americana não esteja proibida na Austrália desde 2019, exigências de rotulagem de origem que garantem que a proteína não seja proveniente do Canadá e México impediram até agora tal negociação.
Porém, relatou o texto da Beef Central, a nova medida do governo australiano permitirá um acesso ampliado para incluir carne proveniente de gado nascido no Canadá e/ou México, legalmente importado e abatido nos EUA.
O governo australiano vinha sendo pressionado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a suspender as restrições, após lobby de grupos da indústria pecuária norte-americana.
Em abril/25, quando a Casa Branca anunciou a primeira bateria de tarifas aos seus países fornecedores, Trump criticou duramente as regras estabelecidas pelo governo australiano em relação ao comércio de carne bovina entre os dois países.
Segundo texto da agência Reuters, a Secretária da Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, considerou uma “vitória para Trump” a nova decisão da Austrália em flexibilizar as restrições à importação de carne bovina dos EUA.
Forte concorrente do Brasil no mercado internacional de carne bovina, a Austrália tem batido recordes mensais de exportação, sustentados principalmente pela enorme quantidade de embarques direcionados para os EUA.
Preocupações com biossegurança
David Evans, da Cattle Australia, afirmou à Beef Central que, embora a ministra Julie Collins tenham garantido que o gado nascido e criado no México/Canadá estará em conformidade com os padrões de biossegurança da Austrália, é necessário exercer o mais alto nível de cautela para proteger a indústria australiana.
“A Cattle Australia sempre afirmou que avaliações de biossegurança devem se basear nas melhores evidências científicas disponíveis e serem equivalentes”, afirma Evans, que defende a realização de uma avaliação científica independente. “Isso deve ocorrer antes que as importações comecem”, acrescenta.
O líder do partido Nationals, David Littleproud, e o vice-líder, Kevin Hogan, também pediram uma revisão independente do processo adotado pelo governo federal, relatou a Beef Central.
“Acredito que a medida precisa ser revisada de forma independente, com um painel formado pela indústria”, afirmou Littleproud. “Os EUA usam gado do México e do Canadá em sua cadeia de suprimentos, o que representa um risco potencial para a nossa indústria. Ignorar esses riscos seria perigoso”, disse Hogan.
O CEO do Conselho da Indústria da Carne da Austrália (AMIC), Tim Ryan, também opinou, relatando que o setor de carne vermelha da Austrália está profundamente integrado aos mercados globais e depende de decisões baseadas na ciência por parte dos parceiros comerciais.
“Esse avanço no pedido de acesso dos EUA demonstra a consistência da Austrália na aplicação de padrões internacionalmente reconhecidos, algo vital para a sustentabilidade do nosso setor”, afirmou Ryan, de acordo com a reportagem da Beef Central.
O CEO da Associação Australiana de Confinadores de Gado (ALFA), Christian Mulders, disse: “O relatório final do governo sobre essa avaliação conclui que as medidas de controle dos EUA, inclusive para importação de gado do Canadá e do México, são ‘rigorosas’ e ‘tratam das preocupações de biossegurança da Austrália”.
Ele completou: “Como nação exportadora e defensora do comércio livre baseado em regras internacionais, a ALFA apoia a entrada de carne na Austrália desde que atenda aos nossos requisitos de importação”.
O presidente da Federação Nacional dos Agricultores (NFF), David Jochinke, afirmou à Beef Central que “o relatório divulgado é resultado de uma longa revisão científica conduzida pelo governo australiano sobre os riscos à biossegurança de gado criado no Canadá e México, mas processado e exportado dos EUA”.
“A relação da Austrália com os EUA é profunda e multifacetada, sustentada pelo Acordo de Livre Comércio Austrália-EUA”, acrescentou.




