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Aos 99 anos, o Brasil perde Ana Maria Primavesi, referência mundial em agroecologia

A agrônoma que adotou o Brasil como casa deixa um legado eterno ao País para o estudo das ciências agrárias, especialmente na construção de solos
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Ana Primavesi com o filho Odo e sua mulher Ana Candida, mais a neta Camila

 

Aos 99 anos, faleceu hoje 5 de janeiro, a engenheira agrônoma Ana Maria Primavesi. Ela completaria 100 anos de idade no próximo dia 3 de outubro. Primavesi, que estava afastada há algum tempo da vida pública, faleceu por complicações cardíacas. A data de seu nascimento  foi escolhida como “Dia Nacional da Agroecologia” em 2018 e aprovada pelo Congresso Nacional.

Nascida na Áustria, a engenheira agrônoma começou ainda na Europa  seus estudos sobre o solo, sua grande paixão. Foi presa e perseguida pelo nazismo, indo parar em um campo concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

Chegou no Brasil na década de 1950. Sua casa foi a Universidade Federal de Santa Maria (RS). Nessa instituição ela criou o  primeiro curso de pós-graduação em agricultura orgânica e não parou mais.

Muito respeitada na agropecuária brasileira e mundial, a Primavesi deixa um legado inestimável para a agricultura brasileira, sendo por isso considerada um mito no setor e entre os ambientalistas. Foi autora de vários livros sobre os temas de agroecologia e a matriarca de uma família dedicada a fazer agricultura sustentável, porque acreditava que o solo, um ser vivo, devia ter um tratamento à altura de suas nobres finalidades: a de produzir alimentos. Entre eles omo “Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais”, “ Agroecologia: ecosfera, tecnosfera e agricultura”, “Manejo ecológico de pragas e doenças: técnicas alternativas para a produção agropecuária e defesa do meio ambiente”,  “A Convenção dos Ventos – Agroecologia em contos”, “Manual do Solo Vivo”, e “Manual Ecológico de Pragas e Doenças”.

Primavesi também fez parte do grupo que criou a Associação da Agricultora Orgânica (AOO). Pela atuação, recebeu inúmeras homenagens ainda em vida. Uma das mais relevantes  foi a  One World Award, da Federação Internacional dos Movimentos da Agricultura Orgânica (IFOAM).

Deixa os filhos, Odo e Carin, e a neta Camila. Odo é engenheiro agrônomo aposentado da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos), e trabalhou muito com os conceitos maternos de agroecologia.

O velório e o enterro acontecem hoje, no Cemitério de Congonhas, no Jardim Marajoara, em São Paulo. O sepultamento será às 16h30. Texto, colaborou Richard Jakubasko

 

 

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