Atender essencialmente o que o mercado quer é um dos maiores passos do pecuarista de corte para obter maiores ganhos com a venda do boi gordo.
No entanto, essa ainda não é a visão de muitos produtores, segundo a zootecnista Liliane Suguisawa, doutora em Produção Animal e diretora da DGT Brasil, uma subsidiária da americana Designer Genes Technologies (DGT). A companhia é desenvolvedora de programas computacionais de interpretação de imagens de ultrassonografia de carcaça em bovinos, suínos, aves e ovinos.
Para ela, um dos grandes empecilhos desse processo está justamente na falta de um sistema padronizado de tipificação de carcaças nos frigoríficos do País.
Foto: Divulgação/DGT
“No Brasil, ainda há a ausência de um sistema de tipificação nos frigoríficos. E sua ausência faz com que dê uma multiplicação de variabilidade entre os bovinos abatidos no País. E isso está acontecendo porque a maioria dos pecuaristas está produzindo o que gosta, não o que o mercado quer”, afirma a diretora da DGT.
Liliane, juntamente com o zootecnista Mario Chizzotti, diretor do Centro de Ciências Agrárias na Universidade Federal de Viçosa (UFV), foram os especialistas convidados no 7º e último encontro virtual do “1º Circuito Pecuária de Alta Performance”, promovido na última quarta-feira (28/7) pela paranaense Gestão Agropecuária (GA), uma consultoria de gestão estratégica da informação para a pecuária, com sede em Maringá, e a mineira Intergado, de Betim, que desenvolve soluções para pecuária de precisão.
O debate online também contou com a participação do médico veterinário Marcelo Ribas, diretor executivo da Intergado e o zootecnista Paulo Marcelo, CEO da GA.
“Estamos entrando numa era de que quem está mandando na escolha é o consumidor. E ele não quer que a cada vez que compra uma picanha, cada vez a carne seja diferente”, diz Liliane.
A maior incidência de bonificações pelo frigorífico dá uma boa ideia no tipo de animal desejado pelo consumidor. Segundo uma avaliação feita através de um acompanhamento de vendas de 30 mil animais de uma propriedade da base da GA, as maiores probabilidades de bonificação estão relacionadas a um acabamento mediano de gordura no animal.
O grupo de animais com zero dentes com esse nível de acabamento atingiu 43,31% de probabilidades de bonificações.
No entanto, se estiver na mesma classificação de gordura, até animais de 8 dentes chegaram a ter 38,64% de chances de bonificação.
Se forem analisadas as raças – anelorado, cruzado, cruzamento e Nelore –, saiu na frente o Nelore com 46,17% de chances de bonificações. Em segundo vem o anelorado, com 40,63% de chances de bonificação; seguido um animal de cruzamento industrial, com 38,96%; e, por último, um animal cruzado, com 36,95%.
Foto: Divulgação
“O confinador tem de entender qual é a demanda do que o mercado está gerando, para fechar bons contratos, isso vai fazer com que sua margem tenda a ser maior”, explica Ribas.
O aumento dessas chances de bonificação também está relacionado com a tarefa de uma mensuração cada vez mais precisa dos animais, que possa mostrar o desempenho de engorda de cada um.
De olho na ponta da cadeia
Para os especialistas, com o melhor desenvolvimento da atividade de cria nacional, juntamente com estudos para uma eficiente engorda de animais, maiores serão as chances para atender as demandas de mercado. É isso que a área da pesquisa está atrás, segundo Chizzotti.
Foto: Divulgação
“Agora estamos produzindo informações de composição de carcaça não só pelas exigências nutricionais, mas também trazer equações que possam predizer que tipo de carcaça será encontrada se você alimentar um animal de determinada raça e sexo, com tal energia e ‘x’ dias”, explica o pesquisador da UFV.
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A zootecnista Janaina Martuscello analisa os benefícios e os desafios das leguminosas em pastagens, destacando os principais cuidados para o sucesso do sistema.
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