A presença de mosca-varejeira do Novo Mundo (NWS, na sigla em inglês) foi confirmada em um bezerro de três semanas em La Pryor, no sul do Texas, marcando a primeira detecção nos EUA em décadas.
Segundo reportagem da Drovers, na quinta-feira (5/6), um dia após a confirmação do primeiro caso, o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a segunda detecção de NWS, dessa vez em um bezerro de um mês de idade no Condado de Zavala, Texas, a aproximadamente 9 quilômetros do primeiro caso.
As moscas-varejeiras são parasitas cujas fêmeas depositam seus ovos em feridas abertas e membranas mucosas de qualquer animal de sangue quente.
Após a eclosão dos ovos, centenas de larvas de moscas-varejeiras usam suas bocas afiadas para penetrar na carne viva, eventualmente matando o hospedeiro se não forem tratadas.
A presença do parasita tem o potencial de perturbar significativamente a indústria de carne bovina norte-americana, além de criar mais um obstáculo aos esforços do governo Trump para lidar com os preços recordes da carne bovina, observa reportagem da agência Bloomberg.
Segundo informações da Reuters, após a confirmação, na última quarta-feira, autoridades federais e estaduais se espalharam pelo sul do Texas, e interromperam rapidamente a movimentação de animais em uma área de 20 km (12,4 milhas) ao redor do caso.
Na quinta-feira (4/6), a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, disse que nenhuma outra infestação de gado ou outros animais foi detectada na região do caso confirmado.
A detecção da praga no Texas é um golpe para os pecuaristas norte-americanos que se preparavam para um surto doméstico, à medida que o parasita avançava para o norte através do México, afirma a Reuters.
Agentes do setor temem que infestações mais amplas possam reduzir ainda mais o rebanho bovino dos EUA, que é o menor em 75 anos, e diminuir a demanda do consumidor americano por carne bovina.
A reportagem da Reuters cita cálculos de especialistas, que estimam perdas econômicas em até US$ 1,8 bilhão no Texas caso a mosca-varejeira se espalhe amplamente.
O Departamento de Agricultura dos EUA iniciou em abril a construção de uma instalação para produzir moscas estéreis, que especialistas descrevem como a melhor ferramenta para combater a praga, mas ela só entrará em operação no final de 2027.
De acordo com o texto da Reuters, todas as principais estradas que saem de La Pryor estão sinalizadas com uma placa laranja piscante, alertando todos os veículos que transportam animais para que parem em um posto de controle com policiais e funcionários estaduais que inspecionam os animais em busca de sinais da mosca-varejeira.
“Se todos trabalharmos juntos e seguirmos essas diretrizes de tratamento e restrição de movimentação, não há razão para acreditar que essa incursão resultará em qualquer tipo de estabelecimento da praga em nosso lado da fronteira”, disse Rollins a repórteres em uma teleconferência.
Filme de terror
“A mosca-varejeira do Novo Mundo parece coisa de filme de terror, mas é real”, disse, à Reuters, Nate Sheets, candidato republicano ao cargo de comissário de agricultura do Texas. “É uma emergência agrícola”, acrescentou.
A reportagem da Reuters lembra que o fornecimento de gado nos EUA diminuiu drasticamente após uma seca persistente elevar os custos de alimentação e forçar os pecuaristas a reduzirem seus rebanhos.
Essa queda, diz a agência, fez com que frigoríficos, como JBS, Cargill e Tyson Foods, tivessem dificuldades para encontrar animais suficientes para processar em suas plantas de processamento de carne bovina.
O Departamento de Agricultura dos EUA gastou milhões de dólares tentando impedir a entrada da praga e bloqueou as importações de gado mexicano.
Os portos de entrada dos EUA permanecerão fechados para o gado mexicano até novo aviso, disse Rollins.
As moscas-varejeiras foram erradicadas dos Estados Unidos na década de 1960, quando pesquisadores começaram a liberar um grande número de moscas-varejeiras machos esterilizadas que acasalam com fêmeas selvagens para produzir ovos inférteis.
Autoridades americanas disseram que estavam liberando moscas estéreis no solo próximo ao caso e também do céu. “Estamos realmente inundando a zona nesta área afetada”, disse Dudley Hoskins, subsecretário do USDA.




