
A identificação individual de bovinos costuma ser vista apenas como exigência sanitária ou ambiental, mas o maior ganho dessa prática está dentro da porteira, na gestão fina do rebanho. Muito além da obrigatoriedade prevista pelo Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) a partir de 2032, ela permite controle preciso de desempenho e resultado econômico, algo ainda pouco explorado: estima-se que apenas 60 milhões de bovinos, cerca de 33% do rebanho nacional de 178 milhões de cabeças, estejam identificados. Para especialistas como Antônio Chaker, do Instituto Inttegra, a resistência é sobretudo cultural.
O avanço, contudo, é visível em propriedades que enxergam a identificação como investimento, e não como custo. A Fazenda Araguari, em Umuarama (PR), e a Agropecuária 2E, com fazendas em Camapuã e Chapadão do Sul (MS), fazem ciclo completo, estão ligadas a projetos de carne de qualidade e já colhem os frutos da rastreabilidade individual, tanto em bonificações pagas por frigoríficos e cooperativas, quanto em decisões mais assertivas sobre reprodução, descarte, nutrição e terminação.
Seus gestores afirmam que o bônus recebido pelos dispositivos auriculares (visuais e eletrônicos) cobre com folga o investimento. Eles reforçam que, mesmo que isso não ocorresse, o controle gerado pela identificação seguiria valendo muito a pena. Chaker mostra que um ganho extra de apenas 12 g/cabeça/dia pode aumentar o lucro em R$ 100/ha, e que elevar o GMD de 500 g para 600 g/cabeça encurta o ciclo em 110 dias, gerando economia de cerca de R$ 430/animal, algo viabilizado pela pesagem atrelada ao número do brinco.
Na íntegra desta reportagem do DBO Select, você também confere:
- Como a Fazenda Araguari usa a identificação para controlar reprodução de 550 matrizes (metade Nelore, metade Angus cruzadas), sem repasse de touro, e produzir novilhos superprecoces Angus/Nelore abatidos aos 14–15 meses, com 19,5@ (machos) e 14,5@ (fêmeas).
- A metodologia da Araguari (branco, laranja, amarelo, azul) para separar as categorias de animais, evitar trocas e controlar animais financiados em programa de terminação programada.
- Como a análise de desempenho individual na Araguari orienta o descarte de matrizes e decisões genéticas com base no histórico de cada mãe e de cada touro.
- Na Agropecuária 2E, como a identificação permite ligar cada bezerro aos touros Angus usados na IATF e descobrir se o problema de desempenho está no pai, na mãe ou no manejo.
- O fluxo completo da 2E: da primeira “brincagem” até a terminação.
- Os números de retorno econômico na 2E e a bonificação dos frigoríficos.
- Os próximos testes da Apta/Colina com brincos eletrônicos com GPS.
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