Entre o fim da tarde da quinta-feira (23/4) e o começo desta sexta-feira, as negociações envolvendo boiadas gordas indicaram recuos nos preços do boi gordo em 10 das 17 praças monitoradas diariamente pela Agrifatto: SP, BA, GO, MG, MS, MT, PA, PR, RO e SC.
Nas demais regiões acompanhadas pela consultoria (AC, AL, ES, MA, RJ, RS e TO), as cotações ficaram estáveis nesta sexta-feira.
Na própria quinta-feira, conforme o Portal DBO noticiou, a Scot Consultoria já havia divulgado aos seus assinantes a informação de que a cotação do animal terminado perdeu alguns reais em várias praças brasileiras, depois de semanas seguidas apontando movimentos de altas e/ou estabilidade.
Pelos dados da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação vale agora R$ 363/@ em São Paulo, enquanto o “boi-China” é comercializado em R$368/@, valores brutos, no prazo.
Entre as fêmeas, a Scot apurou nesta sexta-feira queda de R$ 3/@ nos preços da vaca gorda (agora valendo R$ 332/@) e da novilha terminada (R$ 342/@).
Os números da Agrifatto mostram um boi gordo negociado em R$ 365/@, no prazo, em São Paulo, e um valor médio de R$ 344,90/@ nas outras 16 praças monitoradas.
Do lado da demanda, relata a consultoria, o período pós-feriado trouxe negociações mais lentas ao longo desta semana, com parte dos frigoríficos brasileiros ausente das compras até quarta-feira (22/4).
Já as indústrias mais ativas passaram a testar valores abaixo das referências, amparados por escalas de abate confortáveis – 8 dias, em média – e por um escoamento doméstico apenas regular nesta segunda quinzena de abril (quando fica escasso o dinheiro dos salários recebidos pela classe trabalhadora no início do mês).
Nesse contexto, reforça a Agrifatto, a pressão baixista exercida pelos frigoríficos ganhou força, reduzindo a sustentação dos preços em diversas regiões produtoras.
No entanto, na avaliação dos analistas da Agrifatto, as recentes quedas não configuram uma tendência consolidada de baixa nos preços do boi gordo.
“A matéria-prima segue longe de ser abundante, e esse limitador ainda restringe movimentos mais agressivos de queda”, garante a Agrifatto.
Exportações aquecidas
O engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot Consultoria, observa que, em abril/26, o Brasil deve atingir volume recorde para este mês de exportação de carne bovina in natura, caso o ritmo atual dos embarques seja mantido.
Até a terceira semana do mês, foram 153,3 mil toneladas embarcadas, com um faturamento de US$ 942,1 milhões, destaca, referindo-se aos dados parciais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Em relatório semanal enviado aos assinantes (informativo “Boi & Companhia”, da Scot), Gonçalves escreve: “Estamos chegando à última semana de abril, e com ela, todos os questionamentos sobre para onde vão os preços pagos pelo boi gordo”.
Ele completa: “em maio, serão diversos fatores acontecendo de forma simultânea: cotas chinesas na iminência de finalização, vigor das pastagens em queda e consequente maior oferta de bovinos, conflito no Oriente Médio, férias coletivas na indústria e convocação final da seleção brasileira”.
“Brincadeiras à parte”, continua ele, o analista acredita que, em maio/26, pode ocorrer “movimentos bastante distintos de sustentação de preços e de enfraquecimento”.
Preços futuros recuam
No mercado futuro, os preços do boi gordo encerraram o pregão da quinta-feira (23/4) da B3 em baixa, informa a Agrifatto.
O principal destaque ficou para o contrato com vencimento em maio/26, que fechou a sessão cotado a R$ 343,65/@, com desvalorização de 1,5% em relação ao dia anterior.




