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Exportações de carne bovina tendem a ser ainda melhores no 2º semestre

O médico-veterinário Hyberville Neto, consultor e diretor da HN Agro, traz uma análise detalhada sobre o que esperar das exportações de carne bovina na segunda metade do ano.
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Por Hyberville Neto – consultor e diretor da HN AGRO. 

As exportações de carne bovina in natura foram recordes no primeiro semestre. Segundo dados da Secex, de janeiro a junho foram embarcadas 1,29 milhão de toneladas, aumento de 12,9%, na comparação com o mesmo intervalo de 2024, recorde até então.

Ainda considerando dados fechados do primeiro semestre, o preço médio em dólares aumentou 13,0% e em reais o acréscimo foi de 27,4%. Para faturamento, os incrementos foram de 27,6% em dólares e em 43,8% em reais. Em valores nominais, o faturamento, em R$ e US$, foi recorde.

Todos os cinco maiores compradores da carne bovina brasileira este ano tiveram acréscimos importantes na comparação anual. O mais “tímido” foi o da China, de 12,0%, o que demonstra como os resultados foram importantes nesse grupo, que chega a deixar um aumento de dois dígitos da China tímido. A propósito, o gigante asiático nunca comprou tanta carne bovina brasileira como neste primeiro semestre, no entanto, como os outros clientes têm aumentado mais as compras (%), o peso do país diminuiu para 49,1%, ante 49,5% na primeira metade de 2024. Em 2022 e 2023 a participação passava de 58%.

Voltando aos demais clientes, Estados Unidos aumentaram em 131,8% as compras e participaram com 12,2% das vendas brasileiras de carne in natura até junho. Chile incrementou os números em 20,4% e teve peso de 4,5%, seguido pelo México, com 4,0% de share e 176,2% de aumento anual.

Em relação ao México, temos um ponto importante, junho foi o maior volume já embarcado para o país (16,2 mil t), que abriu mercado no início de 2023 e começou a comprar efetivamente mais para o final daquele ano.

Fechando os cinco maiores compradores no semestre, tivemos a Rússia, com aumento de 25,1% e 2,8% de participação.

E o segundo semestre?

Se os números estão bons, historicamente eles melhoram. Desde o início da série da Secex (1997), apenas em quatro ocasiões (14,3% dos anos), os embarques na segunda metade do ano foram menores que até junho. Em 85,7% deles houve aumentos. Na média de longo prazo, o volume do segundo semestre foi 18,4% superior ao do primeiro.

Focando no passado mais recente, na média dos últimos cinco anos, o acrésimo foi de 19,9% na mesma comparação. A figura 1 mostra essas variações desde 2020.

Figura 1. Variação dos embarques de carne bovina in natura no segundo semestre, frente à primeira metade do ano. Fonte: SECEX / HN AGRO.

Projetando esse aumento médio de 19,9% sobre os números da primeira metade do ano teríamos um total anual de 2,83 milhões de toneladas, incremento de 11,1% sobre o recorde de 2024 (2,55 milhões de t).

Considerações

O cenário é favorável aos embarques brasileiros. Além dos bons números já consolidados, tivemos a reabertura do mercado vietnamita para a carne brasileira há alguns meses. Mais recentemente, houve habilitação da planta de Mozarlândia para o destino.

O Vietnã é um mercado de potencial interessante, como comentamos nesse espaço em abril: Guardadas as proporções, o Vietnã tem potencial.

Temos também a evolução do status brasileiro em relação à febre aftosa, agora reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal como livre sem vacinação. Isso tende a beneficiar as tratativas para abertura dos mercados do Japão, provavelmente antes, e da Coreia do Sul em um segundo momento. A propósito, estes são o terceiro e quarto maiores importadores de carne bovina (de todas as origens) e seriam uma bela adição ao portfólio de clientes.

Ou seja, a conjuntura é positiva e temos ainda alguns “gatilhos” que podem reforçar o cenário promissor.

Como ponto de atenção, temos a desvalorização do dólar no cenário internacional, que também tem sido sentida frente ao real, mesmo com a situação fiscal brasileira modulando esse movimento. Em 12 meses, enquanto o dólar se desvalorizou 7,7%, tomando como base o DXY (índice que confronta o dólar com outras moedas fortes), frente ao real ele perdeu 0,9%.

Quando a análise é feita com foco em 2025, o movimento positivo para o real ganha mais relevância, pois no início do ano a nossa moeda estava em um momento de forte desvalorização, com o dólar acima de R$ 6,20. Esse patamar refletia a reação negativa do mercado a um dos muitos anúncios ineficazes de ajustes do Ministério da Economia. Por isso, ao observarmos a apreciação do real ao longo de 2025 (na comparação com outras moedas vs dólar), pode parecer que o cenário doméstico está melhor do que efetivamente é, porque esse movimento está, em parte, relacionado à base depreciada do começo do ano.

Resumindo, as expectativas para as vendas externas são positivas, com esse ponto relevante a ser monitorado, que é a evolução do câmbio.

Você gostou desta coluna? Tem alguma sugestão ou informação nova?  Por favor, me escreva no e-mail hyberville@hnagro.com.br.


Mercado Pecuário

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