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Boi gordo: um olho no mercado doméstico e outro na China

Em meio ao movimento de pressão negativa sobre a arroba, os chineses sinalizam um retorno mais consistente ao mercado de importação, mas as vendas domésticas de carne bovina tendem a perder força neste resto de fevereiro
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Em meio ao atual movimento de pressão negativa sobre os valores do boi gordo, uma notícia traz alguma esperança para os pecuaristas brasileiros nesta parcial de fevereiro/25: a China sinaliza uma volta mais ativa ao mercado de importação de carne bovina, depois do período de comemorações do Ano Novo chinês.

Confira as cotações dos animais terminados, apurados no dia 12/2 pela Agrifatto: clique AQUI.

“Os chineses têm demonstrado um maior interesse em compras desde o início desta semana”, informa a Agrifatto, que acompanha diariamente o setor pecuário nacional e internacional.

Os dados parciais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) – referentes aos cinco primeiros dias úteis deste mês – também sugerem uma recuperação nos embarques brasileiros (para todos os mercados).

Em janeiro/25, recorda a Agrifatto, as exportações brasileiras de carne bovina in natura para a China totalizaram 91,18 mil/toneladas, o menor volume desde março/24.

Considerando todos os países compradores, o Brasil exportou 180,5 mil toneladas de carne bovina (congelada, resfriada e fresca) em janeiro/25, a terceira queda mensal seguida, ficando 90 mil toneladas abaixo do recorde de outubro/24, relata a Agrifatto.

Estabilidade, mas viés de baixa continua

Nesta quarta-feira (12/2), os preços do boi gordo andaram de lado na maioria das praças pecuárias brasileiras, mas a tendência de baixa se mantém firme nos balcões de negociação.

Na terça-feira (11/2), a Agrifatto apurou queda nos preços da arroba em 6 das 17 regiões produtoras monitoradas: AC, GO, MG, MS, PA e TO. As outras 11 mantiveram as cotações estáveis.

“Em consequência, o volume negociado foi suficiente apenas para manter o atendimento das escalas de oito dias úteis, em média nacional”, observa a Agrifatto.

Na avaliação da consultoria, a retração no mercado futuro (B3), além da queda no valor do gado de reposição nos últimos dias e do fraco desempenho no varejo doméstico de carne nesta semana, contribui para um ambiente especulativo de baixa no mercado físico brasileiro.

“Com a alta oferta de fêmeas para o abate, vários Estados conseguiram baixar os preços da arroba do boi gordo em relação à média de referência”, reforça a Agrifatto.

Pelos dados da Agrifatto, nesta quarta-feira (12/2), os preços dos animais terminados continuam pressionados, apesar da estabilidade. “Todas as 17 praças acompanhadas mantiveram suas cotações inalteradas”, ressalta a consultoria.

Varejo e atacado enfraquecidos

O dinheiro do salário do trabalhador brasileiro parece estar chegando ao fim e, com isso, as vendas no varejo e a distribuição de carne com ossos no atacado, que vinham em bom ritmo nos últimos dez dias, começaram a perder força, informa a Agrifatto.

Na terça-feira (11/2), a movimentação na ponta consumidora já demonstrava um desempenho apenas razoável, diz a consultoria. “Esse enfraquecimento se reflete na queda dos pedidos de reposição no varejo, que no início da semana mostravam consistência, mas agora se apresentam como moderados”, enfatizam os analistas da Agrifatto.

Eles continuam: “O alto volume estocado e a movimentação irregular, que provocaram a forte desvalorização da carne desossada, também impactam negativamente o escoamento da carne com ossos”.

Tal cenário, diz a Agrifatto, aponta para uma desaceleração no mercado, uma tendência que deve se manter ao longo da segunda quinzena de fevereiro.

“Nesta quarta-feira, o mercado segue totalmente estagnado, com ampla oferta de boi castrado, vaca, dianteiro e ponta de agulha, mas a demanda permanece fraca”, observa a consultoria.

Até mesmo o dianteiro, que vinha apresentando boa saída para equilibrar o excedente de traseiro nos distribuidores, perdeu liquidez, acrescentam os analistas.

Diante disso, continua a consultoria, para as negociações habituais das quintas-feiras, voltadas ao abastecimento da segunda quinzena de fevereiro, a expectativa é de preços estáveis, porém, com sustentação moderada/fraca. “Pequenos ajustes negativos em boa parte dos produtos com ossos não estão descartados”, antecipa a Agrifatto.

Mercado futuro mantém ritmo de queda

Seguindo o clima de pessimismo, a terça-feira (11/2) na B3 foi marcada por desvalorizações em todos os contratos futuros do boi gordo, diz a Agrifatto. O maior recuo ocorreu no vencimento para junho/25, que encerrou o pregão a R$ 303,87/@, com queda de 1,19% em relação ao dia anterior.

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