O mercado físico do boi gordo voltou a ganhar tração ao longo desta semana, encerrando a sexta-feira (29/5) com novos aumentos nos preços da arroba em algumas importantes regiões pecuárias, a começar pela praça de São Paulo, principal referência no setor.
Pelos dados da Scot Consultoria, no mercado paulista, a cotação do “boi-China” e a da novilha gorda subiram R$ 2/@ neste último dia da semana, para R$ 352/@ e R$ 330/@, respectivamente, enquanto o animal sem padrão-exportação e a vaca terminada seguiram cotados em R$ 347/@ e R$ 318/@ (valores brutos, no prazo).
Em relação aos preços da sexta-feira (22/5) da semana anterior — também apurados pela Scot —, o “boi-China era negociado em R$ 348/@ em São Paulo, enquanto o animal “comum” valia R$ 345/@.
Ou seja, de uma sexta-feira para outra, o houve um acréscimo de R$ 4/@ e R$ 2/@ para ambas as categorias.
Segundo levantamento diário da Agrifatto, nesta sexta-feira, entre as 17 praças monitoradas, 4 registraram altas nos preços da arroba: GO, MG, PA e RS.
Por sua vez, as outras 13 regiões acompanhadas pela consultoria fecharam o dia com estabilidade.
Com isso, pelos números da Agrifatto, o boi gordo com padrão-China continua valendo R$ 355/@ em SP, enquanto os lotes com destino ao mercado interno estão cotados em R$ 345/@ (valores com prazo).
A média do valor da arroba das 16 praças restantes monitoradas pela Agrifatto ficou em R$ R$ 339,90.
Na avaliação da Agrifatto, a menor oferta de animais terminados, a leve melhora da liquidez e as compras menos seletivas deram algum fôlego às negociações de boiadas gordas, também amparadas pela expectativa de melhora do consumo doméstico na primeira quinzena de junho (estimulada pela entrada dos salários nas contas dos trabalhadores).
O cenário também é favorecido pelo ritmo forte das exportações brasileiras de carne bovina in natura e pela percepção de que a arroba encontrou um ponto de sustentação mais consistente.
“As negociações já mostram referências acima das médias dos indicadores em algumas praças, reforçando a leitura de que o período de maior pressão ficou para trás e de que o mercado pode testar patamares mais elevados no curto prazo”, ressaltam os analistas da Agrifatto.
Pecuarista em vantagem
Segundo o engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot, as recentes altas na cotação do boi gordo mostram que, na queda de braço, é o pecuarista quem está levando vantagem.
“Se há demanda, a matéria-prima precisa sair da propriedade, o que tem levado a negociações sem novas quedas nos preços”, diz Gonçalves.
Ele lembra que, no campo da exportação, “maio/26 já surpreende com faturamento, em 15 dias úteis, bem superior ao ganho registrado em igual mês do ano anterior”.
São US$ 1,3 bilhão em faturamento, com volume de 203,5 mil toneladas, com uma média diária de 13,5 mil toneladas embarcadas, em que cada tonelada está saindo por US$ 6,5 mil, na média, de acordo com os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
Quando comparadas as médias diárias, o preço da carne bovina exportada superou em 24,8% o valor de maio/25, o volume embarcado cresceu 30,7% e o faturamento aumentou 63,1%.
“Se o país seguir nessa toada, serão 270 mil toneladas de carne bovina in natura embarcadas em maio/26, reflexo da necessidade de compra global de carne bovina”, antecipa Gonçalves, acrescentando que a China, o maior comprador do proteína brasileira, está acelerando suas compras numa busca por fugir das novas tarifas de salvaguarda.
Além disso, continua o analista, os Estados Unidos, segundo maior comprador, seguem com uma crescente dependência de importação para atender o consumo interno. “Essa onda está sendo surfada pelo mercado brasileiro”, destaca.
Analistas da Scot observam ainda que a passagem da frente fria na última semana, acompanhada de chuvas, sustentou as condições das pastagens e proporcionou aos pecuaristas uma postura mais firme, permitindo aguardar melhores condições de pagamento para entregar as boiadas.
Nesse contexto, as escalas de abate dos frigoríficos, que vinham confortáveis entre o fim da semana passada e o início desta, perderam força; em SP, atualmente, as programações de abate atendem, em média, a oito dias.
No mercado futuro, os contratos do boi gordo fecharam o pregão de quinta-feira (29/5) da B3 de quinta-feira com leve alta.
O papel com vencimento em julho/26 foi negociado a R$ 347,90/@, com aumento de 0,30% no comparativo diário.




