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Confinamento: rebanho cresce e rentabilidade retrai

Preço da arroba em elevação amenizou os custos mais altos de 2025 e trouxe perspectiva de crescimento da atividade para esse ano

CNA

A rentabilidade da atividade de confinamento no ano passado (próxima dos 7%, na média) não foi tão boa quanto a de 2024 (10%), mas manteve o número no azul, depois de dois períodos (2022 e 2023) no vermelho.

Graças à valorização no preço da arroba do boi gordo, uma vez que o custo do boi magro ‒ o de maior peso ‒ voltou a subir (e muito) em 2025. Essa valorização é que animou os pecuaristas e fez com que o número de cabeças engordadas aumentasse significativamente.

No levantamento do “Confina Brasil”, da Scot Consultoria, foram 8,3 milhões de cabeças, 12% a mais do que em 2024, o equivalente a 20% do total de animais abatidos no País. A pesquisa-expedição considera uma base de 3,1 milhões de cabeças mapeadas em 184 propriedades.

Percentual de crescimento maior, de 16%, foi contabilizado pela dsm-firmenich, companhia de nutrição que também faz um censo próprio: 9,2 milhões de cabeças, ante 7,4 milhões em 2024 — dado consolidado no início de fevereiro.

“Foi uma operação muito lucrativa, como historicamente tem ocorrido, com exceção de 2022 e 2023, anos de margens mais pressionadas”, diz Walter Patrizi, gerente de confinamento para a América Latina.

Júlia Zenatti, coordenadora do Confina Brasil, da Scot, concorda: “A atividade cresceu 5,3% na média anual dos últimos cinco anos.”

É da dsm-firmenich a estimativa de rentabilidade apresentada na tabela acima. Ela considera custos de produção e o valor da arroba levantado pelo Cepea Esalq/USP em nove Estados brasileiros e aponta para um retorno econômico que variou de 6% a 9% por ciclo de engorda (de 3 meses, em média).

Comportamento por giro

Ao avaliar o desenho de cada período, Júlia Zenatti, da Scot, relata que o primeiro giro foi menos interessante para o confinador.

“O preço do milho ainda estava alto; o da reposição também. Isso desestimulou a atividade, mesmo com a melhora no preço do boi gordo já no primeiro semestre”.

A rentabilidade variou de 1,5% a 7% ao mês, a depender dos custos de cada praça em questão. A veterinária destaca que Estados próximos de polos de produção de grãos e reposição, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ‒ onde os custos logísticos são menores ‒ tiveram margens mais interessantes.

No segundo giro, porém, o jogo virou, para alívio dos pecuaristas, uma vez que boa parte dos bovinos são confinados no País nesta etapa.

Além da produção recorde de milho ‒ quase 140 milhões de toneladas nos três períodos de colheita de 2025 ‒, que barateou os custos, a cotação da arroba se manteve, reduzindo o peso de uma reposição 40% mais cara em relação a 2024.

O produtor fechou mais animais no cocho, com rentabilidade de 3% até 9% ao mês. Em alguns períodos, o confinamento superou com folga a taxa Selic, segundo a analista da Scot.

Na íntegra desta reportagem do Anuário DBO você também confere:

  • A expectativa para a sazonalidade entre primeiro e o segundo semestre, a médio e longo prazos;
  • O desempenho do confinamento na região do Matopiba;
  • A estratégia central adotada  pelos produtores desta região;
  • O desempenho da engorda das propriedades do Norte e Nordeste que participam do Confina Brasil;
  • Os 5 estados que mais confinaram em 2025;
  • As expectativas dos especialistas para o ciclo de 2026.

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