Select Select Select

Aditivos via água tendem a reduzir emissões de metano da pecuária

Equipamento medindo a frequência de visita dos animais ao bebedouro durante o experimento na Universidade de Queensland, na Austrália.

Por Ariosto Mesquita

Um grupo de pesquisadores na Austrália, capitaneado pelo agrônomo brasileiro, Diogo Fleury Azevedo Costa, da Universidade Central de Queensland, está finalizando uma sequência de estudos que sinaliza ser possível o fornecimento de aditivos via água, para animais criados a pasto.

Em ambiente controlado e simulado, a ingestão de aditivos via água foi satisfatória e reduziu a emissão de metano em 16,4%.

A sinalização positiva é de que, apesar das dificuldades no consumo uniforme a pasto, considerando aditivos em meio líquido, já existem tecnologias para injetar esses produtos na água de forma controlada e constante, além de uma tendência de evolução tecnológica que pode ajudar no equilíbrio da ingestão coletiva ou no mapeamento do desempenho individual médio.

“Usando aditivos de diferentes naturezas, talvez seja possível conseguir entre 10% e 40% de redução nas emissões de metano, dependendo da influência de fatores externos”, diz o especialista.

A série laboratorial de pesquisas comandada pelo estudioso brasileiro na Austrália procurou identificar aditivos que mostrassem solúveis e estáveis na água, mas não reagissem com algum outro suplemento já presente no meio.

Para isso, 30 produtos passaram por testes em ambiente ruminal simulado. Chegou-se a dois de melhor desempenho: uma mistura de óleos essenciais (aditivo modulador, que altera o microbioma ruminal), e uma síntese do bromofórmio, produzida por uma startup australiana, presente na alga marinha vermelha (aditivo inibidor da metanogênese ruminal, processo biológico que produz metano).

Boas perspectivas

Testes laboratórios com aditivos para bovinos: alguns me mostraram solúveis e estáveis em água.

A conclusão do trabalho foi que a menor taxa de inclusão de Agolin oferecido por meio da água potável para novilhos permite reduzir emissões de CH4 (em 16,4%, num período de 56 dias de uso).

O teste observa que o fornecimento deste aditivo via água pode ser eficiente, mas recomenda outras pesquisas para determinar os efeitos a longo prazo, dentre outras variáveis a serem consideradas.

O estudo a pasto ainda não foi publicado e, por isso, Diogo Costa prefere não entrar em detalhes, mas adianta que as dificuldades nesse ambiente são maiores.

Quando chove, o bicho não vai no bebedouro. Acaba se hidratando em poças ou aguadas temporárias. No pasto, ainda existem outras variáveis que influenciam o consumo do líquido, desde as ligadas ao clima, até a composição das forrageiras e a umidade residual no capim após as chuvas.

Segundo Costa, estudos já realizados em ambientes controlados (confinamento, por exemplo), com fornecimento de aditivos sólidos revelam resultados bem mais contundentes na redução da emissão de metano.

Dados da literatura científica mostram variações significativas que vão de 10% a 15%, com mix de óleos essenciais como o testado, até algo na casa de 80%, quando se trabalha com aditivos inibidores.

Portanto, é bom lembrar que o apelo para o uso da água como veículo de aditivos é maior para animais criados a pasto. No caso dos confinados, basta misturar aditivos sólidos na dieta que recebem no cocho.

Considerando-se tudo isso, a expectativa positiva está em estudos que ainda estão por vir. “Existem produtos solúveis e estáveis em água que podem ser fornecidos sem alterações em palatabilidade; isso já é um primeiro passo, mas ainda precisamos fazer mais avaliações”, salienta o pesquisador.

Costa considera ainda que, em condições ainda não testadas, teoricamente as chances de sucesso são mais evidentes.

“A pasto, sem acúmulo de água na superfície, em períodos de seca, quando o boi volta com mais frequência para o bebedouro, os aditivos testados tendem a oferecer respostas mais significativas”, salienta o pesquisador.

Segundo ele, o quadro tende a melhorar em situações de pastos piqueteados e pastejos rotacionados.

[democracy id=”38″]

Continue depois da publicidade

Continue depois da publicidade

Para se informar com calma

A DBO Editores Associados, fundada em 1982, sempre se caracterizou como empresa jornalística totalmente focada na agropecuária. Seu primeiro e principal título é a Revista DBO, publicação líder no segmento da pecuária de corte. Sua atuação no digital abrange as mídias sociais, canal do Youtube e o Portal DBO, plataforma rica em conteúdo especializado em texto, áudio e vídeo para a pecuária, como reportagens, entrevistas, artigos técnicos, cotações, análises de mercado e cobertura dos leilões em todo o País.

Todos direitos reservados @ 2025 | Rua Dona Germaine Burchard, 229 | Bairro de Perdizes, São Paulo-SP 

DBO Select Dourado (2)

Cadastre-se para tornar-se um membro select: