Os prejuízos causados pela bicheira à pecuária de corte no Brasil estão estimados em US$ 1,3 bilhão/ano, em função dos danos causados aos animais e gastos com medicamentos
Mosca da bicheira não grávida. Repare nos anéis característicos na barriga.
Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP (ortolani@usp.br)
A chegada dos navegantes europeus nas Américas foi recheada de novidades. Em terras d’Além mar, Cabral e outros conquistadores lusitanos encontraram uma diversidade de fauna e flora nunca vista dantes em terras do Mediterrâneo ou do norte da África. Aqui se encantaram com quase tudo, como mostra a carta de Pero Vaz de Caminha, especialmente com os papagaios, que eles levaram na bagagem de volta para Portugal. Daí o nome “Terra dos Papagaios” conferido, por alguns anos, ao nosso território.
Os conquistadores, porém, também enfrentaram muitos perrengues, desde flechadas dos nativos até doenças desconhecidas. Reza a lenda que alguns exploradores que adentraram as matas selvagens foram parasitados por larvas de uma mosca que penetravam pelas narinas, ouvidos e feridas na pele, causando um estrago bárbaro. Mais tarde, os bovinos e outros animais domésticos que aqui chegaram também foram atacados por essas terríveis larvas, que os debilitavam pra valer.
Muitos séculos mais tarde, em 1858, um entomologista francês chamado Charles Coquerel estudou essa mosca, que, até hoje, somente habita as terras americanas. Deu-lhe um nome científico quase bizarro, escrito em latim: Cochliomyia hominivorax (Myia = mosca; Koclyias = caramujo com concha em espiral; vorax = devora; homini = homem). Coquerel chamou a praga de “devoradora do homem”, pois retirou muitas larvas de dentro das fossas nasais de pobres presidiários da Guiana Francesa, o que lembra as desgraças vividas em presídios neste mesmo local, no filme Papillon, com o saudoso Steve McQueen e o ator Dustin Hofmann.
A bicheira ocorre desde a região central da Argentina até o norte da Colômbia, com exceção da Cordilheira dos Andes, onde a baixa temperatura e baixa umidade impedem a sobrevivência da mosca. As ilhas caribenhas também não escapam dessa praga. Todo o rebanho brasileiro está na mira dessa terrível larva.
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Mosca da bicheira não grávida. Repare nos anéis característicos na barriga.
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A chegada dos navegantes europeus nas Américas foi recheada de novidades. Em terras d’Além mar, Cabral e outros conquistadores lusitanos encontraram uma diversidade de fauna e flora nunca vista dantes em terras do Mediterrâneo ou do norte da África. Aqui se encantaram com quase tudo, como mostra a carta de Pero Vaz de Caminha, especialmente com os papagaios, que eles levaram na bagagem de volta para Portugal. Daí o nome “Terra dos Papagaios” conferido, por alguns anos, ao nosso território.
Os conquistadores, porém, também enfrentaram muitos perrengues, desde flechadas dos nativos até doenças desconhecidas. Reza a lenda que alguns exploradores que adentraram as matas selvagens foram parasitados por larvas de uma mosca que penetravam pelas narinas, ouvidos e feridas na pele, causando um estrago bárbaro. Mais tarde, os bovinos e outros animais domésticos que aqui chegaram também foram atacados por essas terríveis larvas, que os debilitavam pra valer.
Muitos séculos mais tarde, em 1858, um entomologista francês chamado Charles Coquerel estudou essa mosca, que, até hoje, somente habita as terras americanas. Deu-lhe um nome científico quase bizarro, escrito em latim: Cochliomyia hominivorax (Myia = mosca; Koclyias = caramujo com concha em espiral; vorax = devora; homini = homem). Coquerel chamou a praga de “devoradora do homem”, pois retirou muitas larvas de dentro das fossas nasais de pobres presidiários da Guiana Francesa, o que lembra as desgraças vividas em presídios neste mesmo local, no filme Papillon, com o saudoso Steve McQueen e o ator Dustin Hofmann.
A bicheira ocorre desde a região central da Argentina até o norte da Colômbia, com exceção da Cordilheira dos Andes, onde a baixa temperatura e baixa umidade impedem a sobrevivência da mosca. As ilhas caribenhas também não escapam dessa praga. Todo o rebanho brasileiro está na mira dessa terrível larva.
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A chegada dos navegantes europeus nas Américas foi recheada de novidades. Em terras d’Além mar, Cabral e outros conquistadores lusitanos encontraram uma diversidade de fauna e flora nunca vista dantes em terras do Mediterrâneo ou do norte da África. Aqui se encantaram com quase tudo, como mostra a carta de Pero Vaz de Caminha, especialmente com os papagaios, que eles levaram na bagagem de volta para Portugal. Daí o nome “Terra dos Papagaios” conferido, por alguns anos, ao nosso território.
Os conquistadores, porém, também enfrentaram muitos perrengues, desde flechadas dos nativos até doenças desconhecidas. Reza a lenda que alguns exploradores que adentraram as matas selvagens foram parasitados por larvas de uma mosca que penetravam pelas narinas, ouvidos e feridas na pele, causando um estrago bárbaro. Mais tarde, os bovinos e outros animais domésticos que aqui chegaram também foram atacados por essas terríveis larvas, que os debilitavam pra valer.
Muitos séculos mais tarde, em 1858, um entomologista francês chamado Charles Coquerel estudou essa mosca, que, até hoje, somente habita as terras americanas. Deu-lhe um nome científico quase bizarro, escrito em latim: Cochliomyia hominivorax (Myia = mosca; Koclyias = caramujo com concha em espiral; vorax = devora; homini = homem). Coquerel chamou a praga de “devoradora do homem”, pois retirou muitas larvas de dentro das fossas nasais de pobres presidiários da Guiana Francesa, o que lembra as desgraças vividas em presídios neste mesmo local, no filme Papillon, com o saudoso Steve McQueen e o ator Dustin Hofmann.
A bicheira ocorre desde a região central da Argentina até o norte da Colômbia, com exceção da Cordilheira dos Andes, onde a baixa temperatura e baixa umidade impedem a sobrevivência da mosca. As ilhas caribenhas também não escapam dessa praga. Todo o rebanho brasileiro está na mira dessa terrível larva.
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Mosca da bicheira não grávida. Repare nos anéis característicos na barriga.
Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP (ortolani@usp.br)
A chegada dos navegantes europeus nas Américas foi recheada de novidades. Em terras d’Além mar, Cabral e outros conquistadores lusitanos encontraram uma diversidade de fauna e flora nunca vista dantes em terras do Mediterrâneo ou do norte da África. Aqui se encantaram com quase tudo, como mostra a carta de Pero Vaz de Caminha, especialmente com os papagaios, que eles levaram na bagagem de volta para Portugal. Daí o nome “Terra dos Papagaios” conferido, por alguns anos, ao nosso território.
Os conquistadores, porém, também enfrentaram muitos perrengues, desde flechadas dos nativos até doenças desconhecidas. Reza a lenda que alguns exploradores que adentraram as matas selvagens foram parasitados por larvas de uma mosca que penetravam pelas narinas, ouvidos e feridas na pele, causando um estrago bárbaro. Mais tarde, os bovinos e outros animais domésticos que aqui chegaram também foram atacados por essas terríveis larvas, que os debilitavam pra valer.
Muitos séculos mais tarde, em 1858, um entomologista francês chamado Charles Coquerel estudou essa mosca, que, até hoje, somente habita as terras americanas. Deu-lhe um nome científico quase bizarro, escrito em latim: Cochliomyia hominivorax (Myia = mosca; Koclyias = caramujo com concha em espiral; vorax = devora; homini = homem). Coquerel chamou a praga de “devoradora do homem”, pois retirou muitas larvas de dentro das fossas nasais de pobres presidiários da Guiana Francesa, o que lembra as desgraças vividas em presídios neste mesmo local, no filme Papillon, com o saudoso Steve McQueen e o ator Dustin Hofmann.
A bicheira ocorre desde a região central da Argentina até o norte da Colômbia, com exceção da Cordilheira dos Andes, onde a baixa temperatura e baixa umidade impedem a sobrevivência da mosca. As ilhas caribenhas também não escapam dessa praga. Todo o rebanho brasileiro está na mira dessa terrível larva.
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