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Restaurantes da China mudam o cardápio após a disparada nos preços de importação da carne bovina dos EUA

Austrália preenche a lacuna deixada pela proteína norte-americana, oferecendo aos estabelecimentos chineses peito bovino até 40% mais barato, relata a Reuters
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A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China está afetando os restaurantes em Pequim, informa reportagem da agência Reuters.

O Home Plate BBQ, um restaurante de estilo norte-americano em Pequim, trocou a carne bovina norte-americana pela proteína australiana devido às tarifas impostas pelo governo Trump, acrescenta.

A equipe do restaurante, diz o texto da Reuters, está reimprimindo os cardápios. “A guerra comercial entre EUA e China significa que a carne bovina norte-americana – antes o ingrediente principal – em breve sairá do cardápio”, destacou a matéria.

Outros restaurantes em Pequim também estão fazendo mudanças semelhantes, ressalta a reportagem. A carne do Home Plate, antes totalmente importada dos EUA, agora é, em sua maioria, de origem australiana.

O restaurante chinês usa de 7 a 8 toneladas de peito bovino por mês, e quando a carne norte-americana nos congeladores acabar nas próximas semanas, o estabelecimento servirá apenas carne bovina da Austrália. “A carne australiana é mais barata, e os clientes estão satisfeitos com o sabor”, observa a reportagem.

Segundo a Reuters, mesmo antes do início do conflito tarifário, a carne bovina norte-americana já estava cara.

“As tarifas retaliatórias de 125% impostas por Pequim, somadas aos 22% já existentes, a tornaram inacessível”, diz a reportagem, que conversou com o diretor de operações do Home Plate, Charles de Pellette.

“Isso basicamente tornou muito difícil para nós continuarmos usando carne bovina dos EUA”, declara Pellette, que enfatiza: “Assim que esgotarmos nossos estoques, vamos mudar completamente para o Australian M5”.

A carne bovina dos EUA já estava ficando cara antes mesmo da guerra comercial começar, em parte devido à escassez causada por anos de seca, que reduziram o rebanho bovino ao menor número desde a década de 1950, recorda a Reuters.

“Esses valores mais altos eram difíceis de aceitar na China, onde a economia fraca tornou os consumidores especialmente sensíveis a preços”, observa.

Os preços do peito bovino norte-americano subiram quase 50% entre maio de 2024 e março de 2025, antes de dispararem ainda mais após as tarifas – deixando os estoques esgotados ou os custos quase o dobro do que eram um ano antes.

A Austrália está tentando preencher essa lacuna, inclusive com peito bovino 40% mais barato, relata a Reuters.

No Home Plate, a mudança tem dado certo: em maio próximo, diz a reportagem, “os clientes poderão saborear costelas, peito bovino e linguiças australianas, defumadas lenta e cuidadosamente segundo as tradições do Texas e do sul dos Estados Unidos”.

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