No primeiro bimestre de 2025, a China importou 460 mil toneladas de carne bovina de todos os países fornecedores, uma retração de 14,71% em relação ao volume registrado no mesmo período do ano passado, informa a Agrifatto em relatório enviado a seus assinantes.
Como usual, o Brasil dominou a lista de fornecedores de carne bovina ao mercado chinês nos dois primeiros meses do ano, alcançando uma participação de 46% do total importado pelo país asiático, observa a consultoria.
“O Brasil tem conquistado esse espaço (no mercado da China) em detrimento de países como Uruguai, Nova Zelândia e Estados Unidos”, destaca a Agrifatto.
A principal razão para isso, continua a consultoria, é a desvalorização do boi gordo brasileiro frente à média dos principais exportadores nos últimos meses, potencializado pelo câmbio, o que tornou a carne brasileira mais atrativa para os chineses.
Carne australiana também avança
Outro ponto de destaque, diz a Agrifatto, é a maior presença da Austrália nas importações chinesas.
O país asiático comprou 40% a mais de carne bovina australiana no primeiro bimestre de 2025, perante ao mesmo período de 2024, ao mesmo tempo em que reduziu em 35% as compras da carne argentina, compara o estudo da consultoria.
“Essa movimentação reforça a hipótese de que, com a suspensão das compras de carne bovina dos EUA, a Austrália se torne a principal fornecedora alternativa para a China, devido à competitividade em qualidade, logística e preço”, diz o relatório da Agrifatto.
No total, considerando todos destinos, a Austrália embarcou 310,97 mil toneladas de carne bovina no primeiro trimestre de 2025, um crescimento de 12,68% em relação ao resultado obtido no mesmo período do ano anterior.
“Esse volume é um dos maiores já registrados pela Austrália para os três primeiros meses do ano, superando inclusive os níveis observados durante os anos de liquidação de rebanho, como em 2014-2015 e 2019-2020”, ressalta a Agrifatto.
A consultoria lembra que, após a não-renovação das habilitações de unidades fabris norte-americanas para exportar para a China e o tarifaço de Trump, o comércio entre os dois gigantes ficou praticamente anulado.
Com isso, reforça a consultoria, a tendência é de que a Austrália consolide ainda mais sua posição como fornecedora preferencial ao mercado chinês.
Dianteiro bovino ganha força
O dianteiro bovino brasileiro volta a ganhar força no mercado chinês, a pós semanas de quedas consecutivas, informa a Agrifatto.
Entre os dias 28 de fevereiro e 2 de abril de 2025, a cotação do produto brasileiro avançou 10%, saltando de US$ 5.051/tonelada para US$ 5.500/tonelada, diz a consultoria.
“Já há relatos de negócios pontuais sendo fechados por até US$ 6.300/tonelada, indicando uma recuperação mais robusta do que o inicialmente esperado e abrindo diferença com os demais cortes exportados”, destaca a Agrifatto.
Participação dos 4 principais fornecedores nas importações totais chinesas no 1º bimestre/25
Brasil – 46%
Argentina – 14%
Austrália – 12%
Uruguai – 9%
Fonte: Agrifatto




