O mercado de carne bovina nos Estados Unidos atravessa um momento de forte tensão, combinando restrição de oferta, ajustes na indústria e preços elevados ao consumidor, relata a Agrifatto em boletim enviado aos seus assinantes.
Nesse contexto, relembra a consultoria, cerca de 3.800 trabalhadores da unidade da JBS em Greeley, no Colorado, entraram em greve por duas semanas, após quase quatro décadas sem paralisações no setor.
“A mobilização ocorre em meio a reivindicações salariais e disputas sobre custos com equipamentos de segurança, e acaba adicionando pressão a um sistema que já operava de forma ajustada”, explica a Agrifatto.
Segundo a consultoria, a capacidade de processamento de carne bovina nos EUA vem sendo reduzida, não apenas pela greve, mas também por fechamentos e desacelerações em plantas frigoríficas ao longo do ano.
Tal movimento reflete a forte escassez de gado, resultado de anos de seca e de disparada nos preços dos alimentos despejados nos cochos de engorda intensiva.
“Em 2025, o rebanho norte-americano atingiu o menor nível em 75 anos, com 86,66 milhões de cabeças, elevando significativamente o custo da matéria-prima para a indústria”, relata a Agrifatto.
Em fevereiro/26, os frigoríficos norte-americanos chegaram a registrar prejuízos superiores a US$ 300 por cabeça abatida, com melhora recente para cerca de US$ 60 por cabeça, informa a consultoria.
No varejo, dizem os analistas, a carne moída 100% bovina atingiu um recorde de US$ 6,77 por libra em janeiro/26, equivalente a US$14,93 por kg, um avanço de 18,92% em relação ao ano anterior.
“Mesmo diante desses patamares elevados, a demanda doméstica pela carne bovina segue resiliente, embora já haja sinais de migração parcial do consumo para proteínas mais acessíveis”, diz a Agrifatto.
Na avaliação da consultoria, “o quadro geral no setor de carne bovina dos EUA reforça que, mais do que um evento pontual, a greve da JBS atua como um fator adicional em um mercado já estruturalmente pressionado pela baixa oferta, contribuindo para manter os preços da carne bovina em níveis historicamente elevados”.




