Ao longo desta semana, o mercado de reposição de apresentou-se ainda mais travado do que já vinha sendo observado, informa a médica veterinária Mariana Guimarães, analista da Scot Consultoria.
“As negociações recuaram, com os compradores demonstrando uma postura ainda mais cautelosa”, afirma ela, que acrescenta: “Os preços, que inicialmente registraram quedas brandas, passaram a apresentar retrações mais acentuadas nesta semana”.
Segundo Mariana, o mercado de reposição tem sido influenciado pelas projeções de retorno financeiro sinalizadas pelo mercado futuro do boi gordo a cada encerramento de pregão.
“Por sua vez, o mercado futuro do boi gordo tem refletido a influência de fatores internos e, principalmente, de externos, como o eventual início da taxação das exportações brasileiras pelos Estados Unidos em agosto”, relata a analista, que ressalta: “Essa medida trouxe incertezas adicionais e contribuiu para o arrefecimento do mercado de reposição”.
Além disso, diz ela, o confinamento segue sendo conduzido com cautela, em razão de um momento pouco atrativo do mercado futuro.
“Hoje, com a arroba do boi magro, em São Paulo, negociada em R$ 334,18, e um mercado futuro fechado no pregão (de 23/7) não sinalizando uma arroba maior que R$ 326,35 neste segundo semestre, tem causado certo receio quanto a decisão no investimento de compra de animais de reposição”, afirma Mariana.
Dessa forma, assim como na semana anterior, a atual semana foi marcada por queda nas cotações de todas as categorias de machos anelorados.
De acordo com o levantamento da Scot Consultoria, na comparação semanal, a cotação do garrote foi a que teve a maior retração (-2,3%), seguida pelo bezerro de ano (-1,5%), pelo bezerro de desmama (-1,4%) e, por fim, pelo boi magro (-0,5%).
Para as fêmeas aneloradas, na mesma comparação semanal, as cotações registraram recuos mais intensos do que os observados nos machos.
A maior desvalorização foi registrada na cotação da vaca boiadeira (-5,4%), seguida pela bezerra de desmama (-3,8%), pela bezerra de ano e pela novilha, ambas com recuos de 3,5%.
“A queda mais acentuada na cotação das fêmeas ocorre em períodos de incerteza, pois os pecuaristas priorizam os machos, especialmente os destinados ao abate no curto ou médio prazo, que oferecem retorno mais rápido”, justifica Mariana.
Na avaliação da analista, o momento segue marcado por especulações e incertezas — “afinal, não se sabe ao certo o que deve ocorrer a partir de agosto”, afirma Mariana, completando: “É importante lembrar que o mercado vem de anos de abates intensos, especialmente de fêmeas”.
Segundo ela, essa dinâmica já começa a ser sentida na reposição, através da menor oferta de bovinos magros.
“Portanto, mesmo diante de um eventual cenário adverso, a pecuária tende a encontrar novas oportunidades”, antecipa ela, que sugere: ”Para aproveitá-las, a renovação do plantel é o primeiro passo”.




