Com uma intensa demanda interna e exportações em ritmo forte, os preços do boi gordo se mantêm firmes nas praças brasileiras – com viés de alta, informam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário.
“O desempenho do mercado interno está positivo, como deve ser para um final de ano. Salários, 13º salário, bonificações, empregos temporários, festas de final de ano, confraternizações, entre outros fatores, sustentam o cenário positivo”, relata o engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot Consultoria.
“Essas valorizações foram fundamentadas pela boa demanda por carne bovina no mercado doméstico e pelo bom desempenho das exportações, somados a uma oferta de boiadas que tem atendido à demanda, mas sem excedentes”, ressalta a consultoria.
Nesta sexta-feira (5/12), porém, os negócios começaram em ritmo mais lento, movimento comum para o dia da semana, observa a Scot.
“Frigoríficos com escalas mais alongadas ofertam valores abaixo da referência, mas a ponta vendedora se mantém firme nos preços pedidos”, relata a consultoria.
Com isso, os preços dos animais terminados fecharam a semana estáveis, com o boi gordo “comum” cotado em R$ 322/@ em São Paulo, enquanto o “boi-China” segue valendo R$ 326/@ (valores brutos, no prazo), conforme os números da Scot.
“Para a segunda semana do mês, o viés é de preços firmes e demanda consistente”, antecipam os analistas.
Na avaliação dos especialistas da Agrifatto, a combinação de demanda doméstica robusta e embarques firmes, com possível retomada dos envios aos EUA, sustenta um viés positivo para os preços do boi gordo.
“No curto prazo, o movimento de alta pode continuar em dezembro se a oferta de animais terminados permanecer enxuta e a demanda externa seguir sólida”, dizem.
Percepções da Scot sobre o setor exportador
Em novembro/25, as exportações brasileiras de carne bovina in natura totalizaram 318,5 mil toneladas, superando pelo terceiro mês consecutivo a marca das 300 mil toneladas, informa a Scot Consultoria.
O desempenho colocou o mês como o segundo maior volume da série histórica, ultrapassando setembro/25 e ficando atrás de outubro/25, com uma diferença de 2,1 mil toneladas.
Segundo observa a Scot, embora outubro/25 permaneça como o mês com o maior volume total exportado, novembro/25 registrou a maior média diária de embarques da história. “O mês só não assumiu a liderança no acumulado porque teve três dias úteis a menos”, relatam os analistas da Scot.
A média diária atingiu 16,7 mil toneladas embarcadas e a cotação média da tonelada ficou em US$ 5,5 mil, 13,1% acima do vigente em novembro do ano passado.
“Esses números reforçam o bom desempenho das exportações, que não perderam ritmo ao longo de novembro”, ressalta a consultoria.
De acordo com previsão da Scot, com desempenho de dezembro, o faturamento total deve superar a marca de US$ 15 bilhões em 2025.
“Para dezembro, a expectativa é de que o ritmo permaneça firme, sustentado pela demanda aquecida, especialmente devido à redução das tarifas norte-americanas, e pela sazonalidade das compras dos EUA, concentradas entre o fim e o início do ano”, estima a Scot.
Soma-se a isso, diz a consultoria, a demanda da China, que, embora o país mantenha investigações de salvaguarda em curso, teve o anúncio de adiamento da decisão, agora prevista para janeiro de 2026, não prejudicando o Brasil temporariamente.




