Em artigo, o zootecnista Antônio Chaker diz que gerenciar é comparar os resultados previstos com os realizados e agir nos desvios. Para isso, é preciso medir.
Por Antônio Chaker – Zootecnista e coordenador do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra).
O agronegócio teve a honra de contar com um grande líder chamado Fernando Penteado Cardoso. Dentre seus incontáveis legados positivos, um pensamento merece destaque: “O Brasil é um país onde as pessoas acham muito, observam pouco e não medem praticamente nada”. Persegui durante muitos anos os motivos pelos quais isso ocorre e faz pouco tempo que encontrei uma explicação.
Considerando-se que gerenciar é comparar os resultados previstos com os realizados e agir nos desvios, vemos que o grande benefício de medir é verificar se determinado plano está sendo cumprido ou não. Se não existe plano, há pouca coisa para acompanhar, ou seja, o problema de não medir é apenas um efeito colateral de algo muito mais grave: a falta de visão clara e metas documentadas.
LEIA TAMBÉM | Que indicadores observar para a boa gestão da fazenda?
Isso não ocorre apenas nos negócios. Na nossa vida pessoal é a mesma coisa. Imagine uma pessoa que está num processo de reeducação alimentar, acompanhada por um nutricionista e com uma meta clara de emagrecimento. A balança é um instrumento fundamental, usado com frequência para indicar os avanços e necessidades de ajustes na estratégia alimentar. Além da balança, o adipômetro (para medir gordura) e a fita métrica são usados com frequência.
Agora imagine alguém que está na fase conhecida como “pé na jaca”, sem nenhuma preocupação com peso ou saúde, qual a frequência de uso da balança, fita métrica e adipômetro? Eu, que já estive nestes dois lados, sei que quando existe uma meta séria, sempre existirá medida e o contrário é tão verdadeiro quanto.
Gostaria aqui de apresentar uma dica valiosa para solução deste problema e implementação de um processo de gerenciamento de alto nível. O dado deve ser transformado em informação, conclusão e ação. Por exemplo: houve a morte de um animal, isto é um dado. Quando essa ocorrência é dividida pelo rebanho médio, encontramos a informação; neste caso, a mortalidade. Comparando-se a informação com a meta temos a conclusão. Se a meta de mortalidade para o mês é de 0,12% e tivemos 0,21%, concluo que estamos mal em relação a este indicador, pois a ocorrência de mortes está muito acima da meta.
Neste momento, vem a necessidade de ação: contratar um veterinário especialista para aprofundar o diagnóstico, propor novo calendário sanitário, treinar a equipe e outras atitudes que apoiem retornar à meta antes do final da safra. A dica aqui apresentada se aplica também às áreas de finanças, recursos humanos e gestão.
Perceba que, para uma ação eficiente, precisamos de uma conclusão correta e ela só existe com a referência certa. O ponto chave deste processo está no intervalo entre o que é e o que deveria ser. Exatamente neste gap é que devemos atuar. Por exemplo, se você esperava gastar 0,65@ para cada @ produzida e estava em 0,72, significa que está perdendo sua meta em 0,07@. Precisa caprichar ainda mais no manejo de pastagem para conseguir ampliar o ganho de peso em 10,7% (o quanto você está distante da meta) sem gastos adicionais para que possa entregar o resultado previsto no planejamento.
O papel de todo líder é diminuir a distância entre o que é e o que deveria ser, e dispor de uma agenda que pressupõe ter uma visão de futuro transformada em métricas e acompanhamento sistemático da realidade. Confrontar ambos os números e atuar nos desvios é a atividade chave de todo dono de fazenda. Para se evitar “plantar acho e colher quase”, o dado coletado deve ser transformado em informação e retornar como decisão ao campo.
Por Antônio Chaker – Zootecnista e coordenador do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra).





