Para concluir a série de artigos, o zootecnista Adilson de Paula Almeida Aguiar fala sobre a condução desses sistemas de produção
Por Adilson de Paula Almeida Aguiar – Zootecnista, professor em cursos de pós-graduação do Rehagro e das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu); consultor associado da Consupec (Consultoria e Planejamento Pecuário), de MG, e investidor nas atividades de pecuária de corte e leite.
Nos dois primeiros artigos desta sequência sobre irrigação de pastagens, publicados nas edições de abril e maio, descrevi as particularidades da infraestrutura necessária para uso da tecnologia, como deve ser o manejo do pastoreio, o planejamento alimentar e a correção/adubação do solo. Agora, para concluir a série, falaremos sobre a condução desses sistemas de produção, ainda a partir de dúvidas manifestadas, nos últimos 26 anos, por produtores com interesse em adotar a irrigação para aumentar sua produtividade. Veja a seguir:
Como é a infestação de plantas invasoras em pastagens irrigadas? Se todas as bases técnicas abordadas nestes artigos forem executadas, a planta forrageira encontrará condições extremamente favoráveis de competição com plantas invasoras pelos fatores de crescimento (luz, dióxido de carbono, espaço, água e nutrientes). Além disso, considerando-se aos altos de investimento exigidos pelos sistemas de pastagens irrigadas, os custos com controle de plantas invasoras são relativamente baixos, não devendo essa prática ser negligenciada pelo produtor.
Como é a infestação de insetos pragas em pastagens irrigadas? As pastagens irrigadas têm sido atacadas por insetos-pragas específicos, como as cigarrinhas-da-pastagem, e também por insetos-pragas gerais, principalmente as lagartas cortadoras, as larvas de besouros (larvas corós) e as cigarrinhas dos canaviais, mas, novamente considerando-se os altos níveis de investimento da irrigação de pastagens, seu controle não deve ser negligenciado. Nesses sistemas, é possível fazer a “insetigação”, ou seja, a aplicação de inseticidas junto com a água, o que facilita o processo e reduz custos. A irrigação da pastagem também oferece melhores condições para uso de inseticidas biológicos, particularmente fungos, por causa da condição de manutenção da umidade do solo.
Como a irrigação da pastagem influencia o valor nutritivo da forragem? O valor nutritivo é um parâmetro determinado pelas variáveis composição química e digestibilidade da forragem, que, por sua vez, são influenciados por fatores ambientais (latitude, altitude, luz, temperatura, volume e distribuição de chuvas) e pelo manejo da pastagem (controle de plantas invasoras e pragas, manejo do pastoreio e níveis de correção e adubação do solo).
A irrigação permite a manutenção de praticamente o mesmo valor nutritivo da forragem ao longo das estações do ano, por manter a solução do solo em nível constante e sempre disponível para absorção de nutrientes pelas plantas, condição inexistente em pastagens intensivas de sequeiro, durante a estiagem. Além deste aspecto, pela possibilidade de alcançar maiores taxas de acúmulo de forragem ao longo do ano, os níveis de correção e adubação são significativamente mais altos em uma pastagem irrigada, quando comparados com os aplicados em uma pastagem intensiva de sequeiro, o que influencia a composição química da forragem (veja tabela 1).
Quais têm sido os ganhos individuais alcançados em pastagens irrigadas no Brasil? Na tabela 2, estão compilados resultados de desempenho animal em pastagens irrigadas de cinco sistemas de produção, sendo sete pivôs centrais e um sistema de aspersão em malha. Observa-se que a suplementação em níveis de 0,4% a 0,5% do peso corporal aumentou o ganho médio diário em 0,05 a 0.42 kg/cabeça/dia, enquanto, no nível de 1%, os incrementos variaram de 0,33 a 0,52 kg/cabeça/dia em relação às suplementações com mistura mineral.
Quais têm sido as produtividades por área alcançadas em pastagens irrigadas no Brasil? Na tabela 3, estão compilados resultados com base nos parâmetros taxa de lotação (em UA) e produtividade em @/ha/ano em pastagens irrigadas, cujos resultados, em ganho de peso por animal, foram apresentados no Tabela 2. Esses resultados podem ser usados pelos técnicos e pecuaristas para elaborar avaliações de viabilidade técnico-econômica, visando facilitar a tomada de decisões sobre a irrigação de pastagens para produção de carne bovina.
Por Adilson de Paula Almeida Aguiar – Zootecnista, professor em cursos de pós-graduação do Rehagro e das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu); consultor associado da Consupec (Consultoria e Planejamento Pecuário), de MG, e investidor nas atividades de pecuária de corte e leite.





