No primeiro semestre de 2025, o preço médio da carne bovina exportada pela Argentina subiu 34% no comparativo anual, o que significou o maior percentual de aumento entre os parceiros do Mercosul, informa a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR).
Considerando a mesma base de comparação, a cotação média da carne bovina do Brasil registrou elevação de 13%, enquanto os preços da proteína exportada pelo Uruguai e Paraguai tiveram acréscimo de 18%, acrescenta a BCR.
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No entanto, o ótimo cenário de preços da carne argentina não foi totalmente aproveitado pelos frigoríficos locais devido ao fraco desempenho registrado até o momento em termos de volumes de exportação.
“Em comparação com o restante da região (Mercosul), a Argentina foi o único país cujas vendas externas registraram, até o momento, volumes inferiores aos dos últimos dois anos”, observa a BCR.
Segundo o INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos), as exportações de carne bovina resfriada e congelada da Argentina totalizam 312.600 toneladas no primeiro semestre de 2025, uma queda de 16,4% sobre igual período de 2024 e também abaixo dos níveis registrados em 2023.
Em contrapartida, na mesma base de comparação, o Brasil apresentou um notável crescimento de 13% na comparação anual, atingindo um recorde de 1.287.000 toneladas embarcadas.
Por sua vez, os embarques do Paraguai cresceram 12% nos primeiros seis meses do ano (sobre igual período de 2024), para 182.000 toneladas, enquanto as exportações do Uruguai subiram 4% em relação ao ano anterior, atingindo 196.000 toneladas — superando os recordes dos dois últimos ciclos anuais.
Dados de junho/25
Segundo a BCR, os números de junho/25 mostraram um crescimento nos embarques de carne bovina da Argentina, quebrando a tendência observada nos meses anteriores, quando os volumes foram menores em relação ao ano anterior.
“Após um início de ano fraco, as exportações de junho totalizaram 61.500 toneladas, um aumento de 12,7% em relação ao resultado de maio/25 e avanço de 4,5% sobre os embarques de junho do ano passado”, informa a BCR.
Em receita, as vendas externas de carne bovina argentina efetuadas no mês passado (excluindo carnes processadas e miúdos) renderam cerca de US$ 320,5 milhões, refletindo uma melhora nos preços médios por tonelada embarcada de quase 40% em comparação a junho/25.
Embora tenha havido uma ligeira queda nos preços médios por tonelada embarcada no último mês, devido à participação de compras chinesas de carnes congeladas de menor valor, a análise por produto mostra que os preços continuam fortes, especialmente para cortes desossados.
“Essa é uma tendência que vem se consolidando há vários meses no mercado internacional, resultado da forte demanda exercida pelos Estados Unidos, impactando diretamente os fluxos de oferta em todo o mundo”, dizem os economistas da BCR.
Incertezas pela frente
Olhando para o segundo semestre de 2025, as perspectivas são incertas quanto às novas regras do jogo do mercado global de carne bovina, antecipam os analistas da BCR.
“Agosto se configura como um mês-chave para a definição de diversas medidas estratégicas, que poderão ser moldadas pelas políticas comerciais adotadas tanto pelos Estados Unidos — em nível global — quanto pela China, com impacto direto no mercado de carne bovina”, observam os economistas.
No entanto, acrescentam eles, independentemente das tensões que possam surgir no comércio mundial, “os fundamentos do mercado de carnes continuam fortes, com uma procura que continua a surpreender, atingindo níveis recordes de comercialização pelo segundo ano consecutivo, e enfrentando uma oferta que continuará limitada pelo menos nos próximos anos”.
Na semana passada, a FAO divulgou o relatório anual sobre a oferta e a demanda globais dos principais produtos agrícolas para a próxima década (Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2025-2034).
No caso da carne bovina, recorda a BCR, as projeções da agência antecipam aumentos significativos de preços no curto e médio prazo, como resultado da tensa transição pela qual o mercado está passando, até que os principais países produtores consigam entrar em uma fase de expansão da oferta após a recomposição dos rebanhos.
Fonte: BCR




