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Agricultores destroem lavouras inteiras de alface na Califórnia, EUA

Coronavírus impede escoamento de frutas e legumes para restaurantes e mercearias do país
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Neste momento, deveria haver tratores roncando pelo rancho do produtor norte-americano Jack Vessey, puxando vagões cheios de alface fresca para serem embalados e enviados para restaurantes e mercearias nos Estados Unidos. No entanto, como o surto de coronavírus paralisou a rede de distribuição de alimentos do país, um trator e um arado destruíram linhas e linhas de produtos verdes nessa quarta-feira, 15 de abril, relata reportagem agência Reuters.

“Você coloca o sangue, o suor e as lágrimas em uma colheita”, lamentou Vessey, presidente da Vessey and Company, Inc., sediada em Holtville, Califórnia, referindo-se à dor de perder a produção por causa dos problemas estruturais ocasionados pela Covid-19.

O bloqueio imposto pelo vírus mortal criou um impasse aos produtores de frutas e legumes habituados a vender as suas mercadorias para restaurantes em todo o país. Os efeitos do cancelamento dos negócios se espalharam por toda a cadeia de suprimentos, atingindo até os produtos ainda enraizados nas terras agrícolas, segundo texto da Reuters.

A decisão de destruir a colheita não foi fácil para Vessey. Ele disse que ainda tinha 150 acres de alface a serem colhidos quando seu distribuidor parou de embarcar. “Começa a se acumular na sua frente, atrás de você e em toda parte”, afirmou o produtor à Reuters. Segundo o produtor, ele não poderia justificar o pagamento de mão-de-obra, embalagem e armazenamento de uma safra que os distribuidores não estavam comprando. Ele demitiu 150 a 200 trabalhadores sazonais com até duas semanas de antecedência.

Vessey, um agricultor de quarta geração, cultivou cerca de 350 acres de alface, ou aproximadamente US$ 1,46 milhão em colheitas. Ele não está sozinho. Outros produtores na Califórnia, o principal estado produtor de frutas e vegetais dos EUA, enfrentam o mesmo dilema.

O Condado Imperial, Califórnia, na fronteira do Arizona, produz cerca de US$ 1,2 bilhão em vegetais por ano, de acordo com Kay Pricola, diretora executiva da Associação de Produtores de Vegetais do Vale Imperial. A maior parte disso é colhida entre novembro e abril. Nos meses de verão, a produção de vegetais muda para o norte, para o vale de Salinas, no centro da Califórnia.

Embora seja difícil medir exatamente a quantidade de produtos destruídos até agora, Cory Lunde, diretora sênior de comunicações da Western Growers Association, disse que o impacto foi significativo. Segundo ele, antes do fechamento dos estabelecimentos comerciais por causa da Covid, “eram enviados, a cada semana, até US $ 285 milhões em produtos da Califórnia foram para restaurantes, escolas e hotéis.

O desenraizamento das culturas ocorre quando os bancos de alimentos dos Estados Unidos testemunham um aumento na demanda, enquanto milhões enfrentam o desemprego devido ao bloqueio imposto pelo coronavírus. David Magana, analista sênior do Rabobank, disse que a queda no suprimento de alimentos será sentida pelos consumidores norte-americanos ansiosos por comprar produtos em supermercados. “Poderemos ver um declínio nos suprimentos nos próximos meses”, disse ele, acrescentando: “Os preços vão aumentar”.

 

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