Tianjin é uma importante cidade portuária chinesa e recebe parcela significativa da carne bovina brasileira importada pela China. A partir de agora, Tianjin será protagonista do projeto piloto de implementação da certificação Beef on Track (BoT), a primeira a atestar o monitoramento e a conformidade socioambiental da carne bovina brasileira.
“Assinamos nesta quarta-feira (3/6) com a Tianjin Meat Association (TMA) a carta que dá início à parceria para testar a certificação BoT na China. Avançamos ainda na negociação com uma auditoria chinesa, chamada Chinese Quality Mark Certification Group (CQM), responsável pela verificação da cadeia de custódia dos produtos passíveis de certificação”, explica, em nota, Marina Guyot, diretora de Clima e Desmatamento Zero do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), criador do selo BoT.
“Utilizando o desenvolvimento verde e sustentável como ponte, buscamos aprofundar a cooperação entre as indústrias de carne da China e do Brasil. Da logística da cadeia de suprimento refrigerada ao acesso ao mercado, dos padrões de qualidade aos canais comerciais, cada interação reflete nosso compromisso compartilhado de viabilizar a circulação bidirecional de produtos cárneos de alta qualidade”, declarou Xing Yanling, presidente da TMA.
A formalização do acordo aconteceu durante a Tianjin International Shipping Industry Expo, evento voltado à logística portuária, no qual a importação de carne se insere. Outros oito importadores de carne bovina também foram signatários dessa carta de interesse: PICC Property and Casualty Company Limited – Tianjin Branch; CAWM (Tianjin) Cold Chain Logistics Co., Ltd.; TedaHang (Tianjin) Cold Chain Logistics Co., Ltd.; ADP International Logistics Group; Yinkai International Freight Agency (Tianjin) Co., Ltd.; Shunfeng Wagyu (Tianjin) International Trade Co., Ltd.; Tianjin Xinjian Food Trade Co., Ltd.; e Zhonggong Huamu (Tianjin) Food Co., Ltd.
Segundo o comunicado à imprensa, na visita ao país, o Imaflora deu outro passo importante para a disseminação do selo BoT junto a compradores chineses, como o Dahe Holding Group, com uma apresentação do sistema de certificação a importadores da província de Henan, um dos principais hubs de distribuição de carne no país, igualmente interessados em adotar o selo BoT.
De acordo com o Imaflora, o Brasil dispõe de 2,1 milhões de toneladas de carne que atendem aos requisitos do Termo de Ajustamento de Conduta da Carne na Amazônia Legal (o TAC Carne Legal), com maiores concentrações em Mato Grosso e Pará.
Apoiadora de primeira hora do BoT, a TMA havia anunciado, já no lançamento do sistema, a intenção de comprar até 50 mil toneladas da carne certificada ao longo de 2026. “Ela agora está se preparando para cumprir o prometido e mostra disposição de negociar junto aos seus clientes locais um prêmio adicional de até 10% para a carne certificada nos níveis mais avançados do BoT”, explica Guyot.
Na avaliação do instituto, o efeito esperado do pagamento desse prêmio é que ele alavanque um movimento semelhante ao desencadeado pelo “boi-China”, que, no início da década de 2020, impulsionou uma verdadeira revolução ao oferecer pagamento diferenciado pelo gado rastreável e abatido antes de 30 meses.
Fonte: Ascom Imaflora




