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Retenção simultânea e rara de fêmeas indica um superciclo pecuário global

Alinhamento incomum das fases de alta no Brasil, Argentina, EUA e Austrália elevará os preços da carne bovina, projetam analistas

Enquanto o boi gordo no Brasil se acomodou em valor um pouco acima dos R$ 300/@ (base SP), alguns importantes analistas ligados ao setor (nacionais e internacionais) chamam a atenção para um movimento raro na pecuária mundial e que, certamente, terá forte impacto sobre toda a cadeia da carne bovina brasileira, incluindo o elo fornecedor da matéria-prima (boiada gorda).

Brasil, Argentina, Estados Unidos e Austrália – que, juntos, respondem por quase 60% das exportações mundiais da proteína – estão entrando, simultaneamente, na fase de retenção de fêmeas.

Isso sinaliza um alinhamento incomum de ciclos pecuários de alta, com reflexos importantes sobre a oferta e os preços globais da commodity.

“Nós temos a percepção de que tanto o Brasil quanto a Austrália estão no mesmo ponto que os Estados Unidos no ciclo do gado, e o que estamos prevendo é um enorme declínio na produção global de carne bovina nos próximos dois anos”, disse o norte-americano Denis Smith, um experiente analista do mercado pecuário, colaborador da revista Beef.

Embora Smith não tenha mencionado a Argentina em seu artigo, a equipe de economistas da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) publicou, recentemente, um estudo que segue a mesma linha de raciocínio do analista norte-americano, mas incluindo também o cenário argentino.

“Essa possível confluência de fases de retenção nos EUA, Brasil, Austrália e Argentina acirra ainda mais a pressão de alta sobre os preços da carne”, relata a BCR, que inicia a sua análise lembrando que as cotações internacionais da proteína já se encontram em níveis recordes.

Como referência, o estudo da BCR cita a evolução do índice de preços da carne bovina da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

De acordo com dados mais recentes, em setembro/25, o indicador registrou o décimo aumento mensal consecutivo.

No acumulado dos nove meses de 2025, a alta bateu 12%. Em comparação com setembro do ano passado, o índice avançou 15,5%, para um recorde histórico de 144,9 pontos.

Segundo nota divulgada pela FAO, “os recordes nos preços internacionais da carne bovina foram sustentados, sobretudo, pela forte procura dos EUA, que impulsionou as cotações australianas, e pela firme demanda da China, que manteve os preços da proteína brasileira também firmes, apesar da redução das vendas para o mercado norte-americano após a imposição de tarifas adicionais”.

No início de outubro/25, a Agrifatto (SP) também divulgou um relatório minucioso sobre as perspectivas para os ciclos pecuários nos quatro países já citados.

Em um dos trechos, a consultoria diz que as atenções de todo o setor estão voltadas para 2026, “quando o Brasil tenderá a registrar o maior nível de retenção de fêmeas dos últimos anos, em conjunto com os EUA e a Austrália, o que pode resultar em uma redução intensa na produção global de proteína bovina”.

Na parte específica sobre a Argentina, o relatório da Agrifatto cita uma análise dos técnicos do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). Segundo o documento, “a Argentina atravessa uma fase de transição: o ciclo de descarte começa a perder força em 2025, mas o movimento de retenção ainda não se consolidou.

A expectativa é de que, somente em 2026, a retenção ganhe corpo, pois a redução no tamanho do rebanho se refletirá de forma mais clara nos volumes de abate e na produção de carne bovina”.

Na íntegra desta reportagem, você também confere:

    • Previsão para o ciclo pecuário brasileiro no curto prazo;
    • O grande responsável pela pressão global nos preços da carne bovina;
    • O atual status do plantel norte-americano;
    • As previsões para a cotação e produção de carne bovina nos Estados Unidos;
    • A posição privilegiada do mercado australiano e a razão disso;
    • As previsões para a Austrália para o próximo biênio.

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