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Frango brilha na dieta argentina e desafia hegemonia da carne bovina

Em 2024, o consumo per capita de carne de frango na Argentina foi de 45,2 kg/hab, muito próximo do consumo de carne bovina, de 47,8 kg/hab, aponta estudo da BCR
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Os dados recentes de consumo interno das três principais proteínas animais – bovina, suína e de frango – revelam uma importante mudança estrutural na Argentina, segundo estudo publicado pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), com base em dados oficiais disponíveis no país.

“Embora a Argentina continue sendo um dos países com maior consumo de carne bovina do mundo em termos per capita, a histórica supremacia desta proteína já não é a mesma do século passado”, observa o relatório da BCR, acrescentando que o consumo de frango avançou até se aproximar ao da carne bovina, enquanto o setor de carne de porco caminha para o décimo quinto ano consecutivo de aumento na produção e no consumo.

Em 2024, aponta o estudo, o consumo per capita de carne de frango na Argentina foi de 45,2 kg por habitante, muito próximo do consumo de carne bovina, de 47,8 kg/hab.

“Isso coloca a Argentina entre os seis países com maior consumo de frango do mundo e marca um ponto de inflexão: o frango, que antes era apenas uma alternativa mais barata em relação à carne vermelha, passou a ocupar o prato principal em milhões de lares argentinos”, relata a BCR.

Por sua vez, a carne suína, embora ainda distante em volume, apresenta uma tendência crescente e sustentada.

“Com um consumo per capita de 16,8 kg anuais, o porco se consolida como uma opção importante no mercado, mais acessível que a carne bovina”, acrescenta o estudo.

“Em 2024, a composição do consumo médio de carnes na Argentina mostra uma participação de 44% para a carne bovina, 41% para a carne de frango e 15% para a carne suína”.

Isso representa uma queda de 2 pontos percentuais na participação da carne bovina em relação ao quadro registrado em 2023, revertendo parcialmente o leve aumento observado nos anos anteriores, observa a BCR.

Segundo ressalta o relatório, desde 2002, a carne bovina vem perdendo participação na dieta argentina, em favor das carnes de frango e suína (veja gráficos ao final deste texto).

Além disso, desde 2016, o consumo combinado de frango e porco superou sistematicamente o consumo da carne bovina na Argentina.

Nos últimos anos, essa tendência continuou e, em 2024, o conjunto de carnes de frango e porco atingiu 56% do total consumido em território argentino (ante a fatia de 44% da carne bovina), batendo o seu ponto mais alto na série histórica.

Assim, continua o estudo, o perfil do consumo de carnes na Argentina continua migrando para fontes alternativas de proteína animal, com implicações significativas tanto na produção quanto nos hábitos alimentares da população.

Os dados disponíveis para os primeiros meses de 2025 mostram que essa tendência de substituição continua vigente, com o consumo de frango e porco se aproximando de 57%, destaca o relatório.

Produção de carne bovina: acima da média dos últimos anos

Em 2024, a produção total de carne bovina da Argentina somou 3,2 milhões de toneladas, volume que, embora represente uma queda de 3,3% em relação ao ano anterior (2023 registrou níveis recordes devido à seca), ficou 1,1% acima da média dos últimos cinco anos, informa a BCR.

Os anos de produção e abate acima da média provocaram uma queda no rebanho bovino argentino – o estoque de animais sofreu redução de 2,6 milhões de cabeças entre 2022 e 2024, fechando o ano em 51,6 milhões de cabeças, o menor nível em 14 anos.

Nos primeiros cinco meses de 2025, estima-se uma produção de 1.245 toneladas de carne bovina na Argentina, 1% abaixo da média dos últimos cinco anos para o mesmo período.

“Nesse ritmo de abate, o rebanho nacional de bovinos pode continuar diminuindo este ano, a menos que se inicie uma fase de retenção, algo que ainda não é observado nos indicadores”, relata a BCR.

Produção de frango 2,6 vezes maior entre 2024 e 2004

Por sua vez, a produção argentina de carne de frango foi de 2,3 milhões de toneladas em 2024, volume alinhado com a média dos últimos cinco anos.

“Embora a produção avícola tenha se mantido estável desde 2019, indicando ter atingido um nível de maturidade, é notável seu crescimento nas últimas décadas”, observa o estudo, completando que a produção de frango em 2024 foi 2,6 vezes maior que o volume registrado em 2004, um reflexo do avanço nos abates e de produtividade.

Nos primeiros cinco meses de 2025, estima-se uma produção de aproximadamente 958.000 toneladas de carne de frango, 1,9% acima da quantidade obtida no mesmo período do ano passado e muito próximo da produção recorde de 2020.

Ritmo forte de crescimento no setor de carne suína

O setor suinícola, por sua vez, manteve sua trajetória ascendente pelo décimo quarto ano consecutivo. Em 2024, foram abatidos mais de 8,3 milhões de suínos na Argentina, resultando em mais de 785.000 toneladas produzidas, consolidando-se como a terceira principal fonte de proteína animal do país.

Nos primeiros cinco meses de 2025, o abate já apresenta um aumento interanual de 2,2%, antecipando mais um ano recorde para o setor, antecipa a BCR.

Somando a produção dos três tipos de carne, em 2024 o volume totalizou 6,3 milhões de toneladas, o segundo maior registro histórico, 1% abaixo do ano anterior, que foi recorde de produção.

 

Fonte: BCR

 

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