
Com reportagem de Renato Villela
Uma pesquisa inédita conduzida pela Unesp de Araçatuba (SP), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), mostrou que é possível reduzir a ocorrência de inflamações na gengiva (gengivites) em bovinos.
Caracterizadas por sua origem bacteriana, as gengivites podem evoluir para distúrbios graves, como reabsorção óssea, retração, afrouxamento e até perda prematura de dentes.
Silenciosas, essas enfermidades comprometem o desempenho e podem estar por trás de atrasos e falhas na reprodução, além de afetar o bem-estar dos animais, que sentem dor e desconforto.
Coordenado pela pesquisadora Ana Carolina Borsanelli e conduzido por Júlia Rebecca Saraiva, da UFG, sob a supervisão do professor Iveraldo Dutra, da Unesp de Araçatuba, o trabalho ocorreu na Agropecuária Estrela do Céu, de propriedade do criador Álvaro Borges.
Ana Carolina diz que os efeitos da periodontite são mais conhecidos na ovinocultura. Estudos realizados na Austrália e Nova Zelândia, por exemplo, mostram que matrizes com problemas de saúde bucal parem borregos mais leves e produzem menos leite.
A pesquisadora destaca o pioneirismo da pesquisa brasileira. “É o primeiro projeto que está colocando em números os prejuízos causados pela periodontite em bovinos, quantificando as perdas produtivas e reprodutivas”, diz ela.
Doença regride
Para avaliar a saúde bucal dos animais da Agropecuária Estrela do Céu, Júlia acompanhou dois grupos de fêmeas.
O primeiro, na Fazenda São Pedro (em Agudos, SP), era composto por 150 bezerras em fase de recria, destinadas à reposição. Nesse grupo, foram feitas 4.800 observações em dentes, registrando-se gengivite em 30% deles.
Noutra fazenda da empresa (a Santa Paula, em Lavínia), foram acompanhadas 276 novilhas entrando em reprodução. Após o diagnóstico de gestação, elas foram separadas em prenhes e vazias.
Júlia explica que muitas das 84 fêmeas vazias apresentaram quadros severos de comprometimento da dentição, presença de pus e até perda de dentes. Elas também pesaram 20-30 kg a menos.
“Fêmeas que têm agravamento na saúde bucal tendem a ser mais leves, o que pode tanto atrasar o início da vida reprodutiva quanto dificultar a reconcepção”, explica a pesquisadora.
Para combater os efeitos das doenças periodontais, os pesquisadores forneceram virginiamicina misturada ao sal mineral, tanto para as bezerras da Fazenda São Pedro, quanto para as novilhas acompanhadas na Santa Paula.
Na íntegra desta reportagem, você também confere:
- O percentual de redução nos casos de gengivite com o uso da virginiamicina;
- O momento mais propício para o surgimento de doenças periodontais;
- O tempo que a virginiamicina deve ser ministrada;
- Os sinais que revelam que a saúde bucal do animal está em risco.
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