Outras ciências “ômicas” são necessárias para incrementar a habilidade de predição do fenótipo ou o desempenho do indivíduo, a partir dos marcadores genéticos

Por Fernando Baldi – Agrônomo pela Universidad de La República Oriental Del Uruguay, mestre, doutor e pós-doutor em Genética e Melhoramento Animal pela Unesp, campus de Jaboticabal, SP, onde é professor no Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias.
O fenótipo de um animal é o resultado de múltiplas interações entre seu genótipo e o ambiente ao qual ele está submetido, como, por exemplo, alimentação, clima, manejo e sanidade. Há muitas décadas, pesquisadores da área de melhoramento genético desenvolvem e refinam metodologias estatísticas cada vez mais sofisticadas e robustas, com o objetivo de aprimorar a identificação de reprodutores que transmitirão uma maior superioridade genética para suas progênies, buscando incrementos cada vez mais rápidos em produtividade do rebanho.
Uma dessas tecnologias é a chamada seleção genômica, desenvolvida a partir de informações genômicas dos animais. Ela tem sido muito utilizada pelos programas de melhoramento genético, que buscam aumentar a robustez e a confiabilidade de suas avaliações.
A aplicação da informação genômica – com o uso de marcadores genéticos do tipo SNP (do inglês, single nucleotide polymorphism, ou polimorfismo de base única) – é uma tecnologia que tem sido incorporada na maioria dos programas de avaliação genética das raças de corte no Brasil e no mundo. Ela permite ganhos significativos nas acurácias de animais jovens, sobretudo para características onde a informação fenotípica é de difícil acesso ou tem um alto custo: longevidade das matrizes, habilidade materna, qualidade da carne e eficiência alimentar. Ela permite aumentar a acurácia dessas características em mais de 100%!
VEJA TAMBÉM | Como escolher a melhor genética para o seu rebanho?
Sem dúvida, as avaliações genômicas em raças bovinas de corte têm alavancado a estrutura e a dinâmica dos programas de seleção, uma vez que permitem a utilização de forma massiva de reprodutores jovens (dois a três anos de idade), com maior nível de confiabilidade e menor grau de incerteza, assim como a seleção de características onde, sem a informação genômica, seria inviável o melhoramento.
Genômica não é tudo
Apesar dos avanços nas tecnologias e metodologias utilizadas nos programas de melhoramento genético, a informação genômica contribui para explicar “apenas” entre 40% e 70% do mérito genético de um reprodutor. Essa parcela é estritamente dependente da característica analisada. Ou seja, os marcadores genéticos e/ou a DEP genômica de um animal jovem, por si só, não são capazes de explicar 100% a DEP do animal na fase adulta, sendo necessário utilizar outras fontes de informação para incrementar a habilidade de predição do fenótipo ou o desempenho do indivíduo a partir dos marcadores genéticos.
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Por Fernando Baldi – Agrônomo pela Universidad de La República Oriental Del Uruguay, mestre, doutor e pós-doutor em Genética e Melhoramento Animal pela Unesp, campus de Jaboticabal, SP, onde é professor no Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias.
O fenótipo de um animal é o resultado de múltiplas interações entre seu genótipo e o ambiente ao qual ele está submetido, como, por exemplo, alimentação, clima, manejo e sanidade. Há muitas décadas, pesquisadores da área de melhoramento genético desenvolvem e refinam metodologias estatísticas cada vez mais sofisticadas e robustas, com o objetivo de aprimorar a identificação de reprodutores que transmitirão uma maior superioridade genética para suas progênies, buscando incrementos cada vez mais rápidos em produtividade do rebanho.
Uma dessas tecnologias é a chamada seleção genômica, desenvolvida a partir de informações genômicas dos animais. Ela tem sido muito utilizada pelos programas de melhoramento genético, que buscam aumentar a robustez e a confiabilidade de suas avaliações.
A aplicação da informação genômica – com o uso de marcadores genéticos do tipo SNP (do inglês, single nucleotide polymorphism, ou polimorfismo de base única) – é uma tecnologia que tem sido incorporada na maioria dos programas de avaliação genética das raças de corte no Brasil e no mundo. Ela permite ganhos significativos nas acurácias de animais jovens, sobretudo para características onde a informação fenotípica é de difícil acesso ou tem um alto custo: longevidade das matrizes, habilidade materna, qualidade da carne e eficiência alimentar. Ela permite aumentar a acurácia dessas características em mais de 100%!
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Sem dúvida, as avaliações genômicas em raças bovinas de corte têm alavancado a estrutura e a dinâmica dos programas de seleção, uma vez que permitem a utilização de forma massiva de reprodutores jovens (dois a três anos de idade), com maior nível de confiabilidade e menor grau de incerteza, assim como a seleção de características onde, sem a informação genômica, seria inviável o melhoramento.
Genômica não é tudo
Apesar dos avanços nas tecnologias e metodologias utilizadas nos programas de melhoramento genético, a informação genômica contribui para explicar “apenas” entre 40% e 70% do mérito genético de um reprodutor. Essa parcela é estritamente dependente da característica analisada. Ou seja, os marcadores genéticos e/ou a DEP genômica de um animal jovem, por si só, não são capazes de explicar 100% a DEP do animal na fase adulta, sendo necessário utilizar outras fontes de informação para incrementar a habilidade de predição do fenótipo ou o desempenho do indivíduo a partir dos marcadores genéticos.




