Mercado do boi gordo dá sinais de firmeza, aponta Scot Consultoria
“A queda de braço entre o produtor e o frigorífico têm resultado em preços maiores da arroba”, relata a engenheira agrônoma Jéssica Olivier, analista da Scot
Nos oito primeiros dias de fevereiro, no mercado paulista, a cotação do boi “comum” (direcionado ao mercado doméstico) subiu R$ 10/@ e do “boi-China” (abatido mais jovem, com até 30 meses) registrou acréscimo de R$ 5/@, informa a engenheira agrônoma Jéssica Olivier, analista da Scot Consultoria.
“A queda de braço entre o produtor e o frigorífico têm resultado em preços maiores da arroba”, relata Jéssica.
Com a boa qualidade das pastagens, o produtor tem segurado os seus animais na fazenda por mais dias, na busca de preços melhores, acrescenta ela.
Quanto à exportação de carne bovina, após um volume recorde (para o mês em questão) registrado em janeiro/23, a expectativa é mais avanços para os próximos meses.
“Já há relatos de bons volumes sendo embarcados pelo nosso principal comprador, a China”, informa a analista.
No entanto, diz ela, ao que tudo indica, o preço pago por tonelada não tem melhorado nas últimas negociações.
Na avaliação de Jéssica, o feriado de Carnaval deverá trazer certa sustentação aos preços do boi gordo, com boas expectativas de vendas pelo atacado da carne bovina.
“Porém, podemos ver aquele movimento típico de segunda quinzena freando as vendas (devido ao menor poder aquisitivo da população) e, por conseguinte, menor ímpeto comprador por parte as indústrias”, observa a analista.
Já o “boi-China”, diz ela, poderá recuar se o preço da tonelada de carne exportada continuar nos patamares atuais.
“No entanto, a oferta do boi em tal padrão (abatido com até 30 meses) e o dólar voltando a subir poderão limitar possíveis quedas, uma vez que nem todo “boi de pasto” atende os requisitos padronizados”, afirma Jéssica.
Nova rodada de altas – Nesta sexta-feira, 10 de fevereiro, a cotação da novilha gorda subiu nas praças de São Paulo, apesar de parte dos frigoríficos estarem fora das compras, com escalas de abate confortáveis, informou a Scot.
A cotação da novilha teve acréscimo diário de R$ 3/@, chegando R$ 270/@ (preço bruto, no prazo) nas praças do interior paulista.
Por sua vez, o boi gordo segue cotado em R$ 280/@ em São Paulo, enquanto a vaca gorda é negociada por R$ 261/@, de acordo com a Scot.
O “boi-China” fechou a sexta-feira valendo R$ 290/@ (preço bruto e a prazo, base SP).
Segundo informa a S&P Global, a semana encerra marcada por melhora na liquidez de negócios em meio a uma maior volatilidade de preços no mercado físico do boi gordo
“Há um grande hiato de preços da arroba praticados entre as praças pecuárias localizadas na região Centro-Sul em relação às regiões Norte/Nordeste do País”, observa a consultoria.
Segundo os analistas, o aquecimento da demanda externa pela carne bovina brasileira trouxe muitas plantas frigorificas de volta às compras de boiadas gordas, mas a inconsistência do mercado interno ainda limita a atuação em algumas áreas.
Nesta sexta-feira, uma nova rodada de alta preços foi observada nas principais praças do Centro-Sul, notadamente SP, GO, MG e MS, segundo apuração da S&P Global.
Nesses Estados, o volume disponível de boiada está mais enxuto, sobretudo em relação aos lotes de animais com padrão exportação (abatidos mais jovens, com até 30 meses de idade).
Em São Paulo, os preços do boi gordo avançaram de R$ 282/@ a R$ 286/@, e há relatos de animais negociados com cotações brutas voltando a casa dos R$ 300/@, relata a S&P Global.
Porém, tais negociações (a R$ 300/@) são esporádicas e ocorrem somente envolvendo classes de terminação diferenciada e boiada de elite, afirma a consultoria.
Segundo a S&P Global, os volumes significativos de chuvas que ocorrem no Estado de São Paulo e em outras regiões do País favorecem a retenção de animais nas propriedades, devido às boas condições das pastagens.
“Assim, muitos os pecuaristas aguardam cotações superiores que as vigentes para efetuarem novos negócios”, ressalta a S&P Global.
Por outro lado, nas regiões Norte e Nordeste, há um certo descompasso entre oferta de animais para abate e a necessidade de compra das indústrias.
Nessas duas regiões, os preços da vaca sofreram novos ajustes negativos, já que oferta de animais nesta categoria avançou significativamente.
“Grande parte dos frigoríficos instalados do Norte e Nordeste tem a sua produção de carne bovina destinada basicamente ao mercado doméstico, e o atual fluxo de escoamento não está sendo suficiente para esgotar os estoques nas câmaras frias”, justifica a S&P Global, referindo-se à dificuldade em repassar a mercadoria para a ponta final da cadeia (consumidores).
Cotações máximas de machos e fêmeas nesta sexta-feira, 10/2 (Fonte: S&P Global)
SP-Noroeste:
boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 261/@ (prazo)
MS-Dourados:
boi a R$ 266/@ (à vista)
vaca a R$ 251/@ (à vista)
MS-C.Grande:
boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca a R$ 253/@ (prazo)
MS-Três Lagoas:
boi a R$ 271/@ (prazo)
vaca a R$ 251/@ (prazo)
MT-Cáceres:
boi a R$ 246/@ (prazo)
vaca a R$ 231/@ (prazo)
MT-Tangará:
boi a R$ 246/@ (prazo)
vaca a R$ 231/@ (prazo)
MT-B. Garças:
boi a R$ 245/@ (prazo)
vaca a R$ 234/@ (prazo)
MT-Cuiabá:
boi a R$ 246/@ (à vista)
vaca a R$ 234/@ (à vista)
MT-Colíder:
boi a R$ 241/@ (à vista)
vaca a R$ 231/@ (à vista)
GO-Goiânia:
boi a R$ 269/@ (prazo)
vaca R$ 23/@ (prazo)
GO-Sul:
boi a R$ 271/@ (prazo)
vaca a R$ 241/@ (prazo)
PR-Maringá:
boi a R$ 266/@ (à vista)
vaca a R$ 236/@ (à vista)
MG-Triângulo:
boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 246/@ (prazo)
MG-B.H.:
boi a R$ 256/@ (prazo)
vaca a R$ 246/@ (prazo)
BA-F. Santana:
boi a R$ 259/@ (à vista)
vaca a R$ 246/@ (à vista)
RS-Porto Alegre:
boi a R$ 270/@ (à vista)
vaca a R$ 240/@ (à vista)
RS-Fronteira:
boi a R$ 270/@ (à vista)
vaca a R$ 240/@ (prazo)
PA-Marabá:
boi a R$ 233/@ (prazo)
vaca a R$ 224/@ (prazo)
PA-Redenção:
boi a R$ 224/@ (prazo)
vaca a R$ 214/@ (prazo)
PA-Paragominas:
boi a R$ 247/@ (prazo)
vaca a R$ 240/@ (prazo)
TO-Araguaína:
boi a R$ 227/@ (prazo)
vaca a R$ 212/@ (prazo)
TO-Gurupi:
boi a R$ 231/@ (à vista)
vaca a R$ 221/@ (à vista)
RO-Cacoal:
boi a R$ 231/@ (à vista)
vaca a R$ 212/@ (à vista)
RJ-Campos:
boi a R$ 261/@ (prazo)
vaca a R$ 251/@ (prazo)
MA-Açailândia:
boi a R$ 236/@ (à vista)
vaca a R$ 222/@ (à vista)
Carlos Guaritá, sócio-diretor da Leiloboi Leilões Rurais, analisa o mercado de reposição no Mato Grosso do Sul e projeta um cenário mais calmo para os preços até setembro.
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