Os relatos intermitentes sobre as operações de fiscalização migratória realizadas pelos agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) estão gerando confusão e provocando escassez de trabalhadores, pois muitos funcionários estão deixando de comparecer ao trabalho, relata reportagem pelo grupo norte-americano Farm Journal.
Após o presidente Donald Trump ter supostamente ordenado que o ICE suspendesse as “batidas” em fazendas e frigoríficos, novos relatos indicam que o governo está voltando atrás novamente.
Recentemente, segundo a Reuters, o presidente Trump afirmou que está considerando novas medidas de política imigratória que permitiriam que as fazendas assumissem a responsabilidade pelos trabalhadores que contratam.
“Estamos avaliando a possibilidade de, no caso de fazendeiros bons e respeitáveis, eles assumirem a responsabilidade pelas pessoas que contratam, porque não podemos levar essas fazendas à falência”, disse Trump aos repórteres. “E, ao mesmo tempo, não queremos prejudicar pessoas que não são criminosas”, completou.
De acordo com citações da jornalista Michelle Rook, do Farm Journal, as recentes fiscalizações do governo federal norte-americano estão “gerando ausências e escassez de mão de obra que podem comprometer seriamente o fornecimento de alimentos nos EUA”.
Operações leiteiras em vários estados norte-americanos também foram alvo de batidas recentemente. Produtores de leite afirmam que dependem da mão de obra imigrante para manter uma força de trabalho estável durante todo o ano e garantir o fornecimento de alimentos no país, relata a reportagem.
“Precisamos dessas pessoas para cuidar dos nossos animais e produzir alimentos. Sem o cuidado com os animais, não teremos leite, queijo, manteiga — nada”, disse Greg Moes, da empresa de laticínios MoDak Dairy, de Goodwin, Dakota do Sul
Os setores de produção agrícola dos EUA – desde propriedades de laticínios, passando por fazendas de hortaliças, até os frigoríficos – dependem fortemente da mão de obra imigrante, alerta a reportagem.
Os imigrantes representam uma parte substancial da força de trabalho no processamento de carne, com estimativas variando de 37% a mais de 50%, diz o texto do Farm Journal.
Estados como Dakota do Sul e Nebraska têm concentrações ainda maiores de imigrantes no setor — chegando a 58% e 66%, respectivamente, acrescenta a reportagem, citando como fonte o Migration Policy Institute.
Grande parte das fazendas de laticínios nos EUA também depende de trabalhadores imigrantes. “Especificamente, esses trabalhadores representam 51% da força de trabalho nas fazendas leiteiras e são responsáveis por produzir 79% do leite dos EUA”, relata o texto.
Segundo a Farmworker Justice, 70% dos trabalhadores rurais na produção de frutas e hortaliças são imigrantes. Já o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apresenta estimativas mais baixas — em torno de 60%.




