Apresentado Por:

Enquanto o Brasil quadruplicou seu rebanho bovino nos últimos 45 anos, o plantel da Argentina ficou estagnado

Na avaliação de porta-voz de frigoríficos argentinos, acordos internacionais como os negociados atualmente com os EUA melhoram a competitividade da pecuária local e estimulam o investimento privado
Compartilhe:

Continue depois da publicidade

Continue depois da publicidade

O setor frigorífico argentino recebeu com satisfação as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump que sugeriu a possibilidade de aumentar as importações de carne bovina da Argentina —, relata reportagem divulgada pelo portal do Clarín.

Por sua vez, em entrevista ao jornal argentino, Daniel Urcía, presidente da Federação Argentina de Indústrias Frigoríficas Regionais (FIFRA), lembrou que a questão da ampliação da cota de exportação ao mercado norte-americano “sempre esteve na pauta”. “Este governo tem trabalhado ativamente nessa questão”, afirmou.

Sobre o impacto no mercado interno, Urcía descartou aumentos de preços da carne bovina: “Os preços do gado estão entre os mais altos da história; não há espaço para aumentos. Isso consolida o negócio e confirma os preços atuais, mas não gera aumentos imediatos”, antecipou. Ele acrescentou: “Pagar mais pelo gado significaria o desaparecimento de alguns frigoríficos, porque o negócio deixa de ser lucrativo”.

Urcía também atribuiu a oportunidade aberta pelos EUA à necessidade de recuperação do rebanho argentino, estagnado há décadas: “Enquanto o Brasil quadruplicou seu rebanho nos últimos 45 anos, a Argentina tem o mesmo plantel ou até um pouco menos”, comparou, completando: “Esses acordos melhoram a competitividade e podem estimular o investimento privado”.

Por fim, Urcía enfatizou ao Clarín a importância de olhar para o processo de longo prazo: “Esta é uma notícia muito boa. Mas os resultados só serão vistos em 2030. O importante é criar um ambiente de negócios estável, porque a pecuária, assim como a mineração, exige um horizonte de longo prazo e previsibilidade.”

Na avaliação do analista pecuário Víctor Tonelli, também presente na reportagem do Clarín, o efeito da decisão de Trump será “simbólico e encorajador”. 

“É uma mensagem extraordinária. Não mudará os negócios nem o preço da carne que os argentinos consomem. Mas é um ótimo sinal para o aumento da produção, a melhoria da criação e mais quilos por animal”, afirmou.

No entanto, Tonelli alertou que o impacto global seria limitado: “Se fossem 20.000 toneladas a mais, seriam cerca de US$ 20 milhões por ano. Ajuda, sim, mas não faz diferença para as exportações argentinas em geral”.

Acordos atuais 

A Argentina tem uma cota anual de exportação de 20.000 toneladas para os Estados Unidos, com tarifa de 10%. Fora dessa cota, o país envia entre 16.000 e 18.000 toneladas adicionais, com tarifa de 36,4%.

Quase 80% das exportações argentinas para os Estados Unidos são de carne bovina magra (sem gordura), usada em misturas para hambúrguer.

Gostou? Compartilhe:

Mais Lidas

1.

Encontre aqui a consultoria ideal para sua fazenda

Vídeos em destaque

Mais Lidas

Colunistas