Uma lata de gordura bovina levada na primeira expedição bem-sucedida ao pico de Monte Everest, há 73 anos, foi vendida em leilão realizado na cidade de Exter, no condado de Devon, sudoeste da Inglaterra.
A lata de gordura bovina da marca Colonial Beef Dripping foi levada na jornada pelo neozelandês Edmund Hillary e o guia nepalês Tenzing Norgay, os primeiros a alcançar o cume da montanha mais alta do mundo, em 1953.
A gordura – na época, utilizado com um “combustível alimentar”, altamente calórico – ou seja, um verdadeiro “kit de sobrevivência” – foi leiloada juntamente com uma carta de E. M. Elliot, explicando que o item foi guardado pelo alpinista britânico Mike Westmacott, também integrante da expedição.

Segundo reportagem da BBC, a relíquia foi vendida por £500 (R$ 3.450) na casa de leilões Bearnes Hampton Auctioneers, em Exeter.
Brian Goodison-Blanks, chefe do departamento de colecionáveis esportivos, afirmou que o item possui uma “história única”.
“É impressionante pensar que eles tinham que carregar vários lotes dessas latas para cima e para baixo, abastecendo diferentes acampamentos-base em várias etapas”, disse Goodison-Blanks, acrescentando: “Se você está no topo do Everest, a comemoração dos sonhos não incluiria gordura bovina – e sim champanhe –, mas era algo prático e útil para eles naquele momento”.
“O oxigênio estava acabando”
Para chegar ao cume do Everest, Edmund Hillary e Tenzing Norgay tiveram que escalar rochas íngremes, lutando contra gelo traiçoeiro e uma mortal falta de oxigênio na parte mais perigosa da montanha.
Segundo relembra reportagem da BBC, para estar no cume do Everest, os dois homens conseguiram escalar uma parede rochosa vertical aparentemente intransponível de 12 metros na região mais traiçoeira da montanha – a infame “zona da morte”.
O termo “zona da morte” se refere à altitude que os alpinistas atingem na montanha – 8.000 metros (26.000 pés) acima do nível do mar –, onde a atmosfera com baixo teor de oxigênio começa a ter efeitos desastrosos em sua fisiologia e suas células começam a morrer.
A maioria dos alpinistas que morreram no Everest encontrou seu fim na “zona da morte”, relata a BBC.
A montanha, que se eleva a 8.849 metros (29.032 pés) acima do nível do mar, situada na fronteira entre o Nepal e o Tibete, tem muitos nomes. Os britânicos a batizaram em homenagem ao topógrafo George Everest em 1856, mas ela é conhecida localmente há muito tempo como Sagarmatha no Nepal e como Chomolungma, que significa deusa mãe do mundo, no Tibete.
Tenzing e Hillary permaneceram apenas 15 minutos no cume. “O oxigênio estava acabando, então estávamos muito ansiosos para dar meia-volta e descer”, disse Hillary.
A notícia da conquista dos dois alpinistas só chegaria ao mundo exterior em 2 de junho, véspera da coroação da Rainha Elizabeth II. A Rainha concedeu o título de cavaleiro a Edmund Hillary , enquanto Tenzing recebeu a Medalha George, o que gerou controvérsia sobre o motivo de não ter sido homenageado da mesma forma.




