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Após dois anos de alta, cai a disponibilidade interna de carne no Brasil

O médico-veterinário Hyberville Neto, consultor e diretor da HN Agro, analisa como o crescimento das exportações em 2025 impactou a oferta de carne no mercado interno brasileiro
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Por Hyberville Neto – consultor e diretor da HN AGRO. 

Segundo dados preliminares do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no segundo trimestre de 2025 foram abatidas 10,4 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária, um aumento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2024 e alta de 5,4% na comparação com o trimestre anterior.

Assim, no primeiro semestre de 2025 foram abatidas 20,2 milhões de cabeças, volume 3,9% maior que o primeiro semestre de 2024.

A produção de carcaça bovina no segundo trimestre totalizou 2,63 milhões de toneladas, representando um aumento de 1,0% na comparação anual e de 6,0% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Somadas às 2,48 milhões de toneladas produzidas no primeiro trimestre, em 2025 foram produzidas 5,11 milhões de toneladas de carne bovina, alta de 1,6% frente ao mesmo período do ano passado.

Exportações

Nos seis primeiros meses de 2025 foram exportadas 1,67 milhões de toneladas de carne bovina, volume 12,9% maior que o primeiro semestre de 2024. O faturamento total foi de US$7,23 bilhões, crescimento de 27,1% em relação ao ano anterior.

A China segue como o principal destino da carne brasileira, seguida por EUA, Chile, México e Rússia, no acumulado do período. Aqui focamos o a análise no semestre, para confrontar com a produção de carne, mas os números de julho e agosto seguiram fortes.

O bom desempenho das exportações é resultado dos avanços significativos nas importações de importantes parceiros comerciais. Considerando a exportação de carne bovina in natura, o México aumentou em 176,2% suas compras, em relação ao mesmo período do ano passado, a Rússia em 25,1%, o Chile em 20,4% e a China em 12,0%.

Os EUA também aparecem como destaque entre os principais crescimentos no período, com alta de 131,8% no semestre. Entretanto, após a taxação do país aos produtos brasileiros ocorreu uma diminuição significativa nos envios.

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Disponibilidade interna

Para estimar a disponibilidade interna de carne bovina, subtraímos da produção o volume exportado. Apenas como ponderação, não consideramos as importações por ser um volume baixo o foco aqui ser a tendência.

Em 2023, após um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), registrado em fevereiro, fez com que a China e outros importantes parceiros comerciais fechassem seus mercados para a carne brasileira por um período impactando negativamente as exportações. Junto a uma produção 8,5% maior que no ano anterior, a disponibilidade no mercado interno cresceu 14,9% em relação a 2022.

Considerando o preço médio para a praça de São Paulo, o boi casado terminou o primeiro semestre de 2023 com valor 9,0% menor que o início do ano e a arroba do boi gordo teve queda de 13,0%.

Em 2024, apesar dos resultados recordes para as exportações (+29,1%), tivemos também números recordes para os abates de bovinos e a produção de carcaça aumentou 21,9% em relação ao primeiro trimestre de 2023, resultando em acréscimo de 19,2% na disponibilidade interna no semestre.

Em 2025, apesar de um menor ritmo de crescimento, seguimos com aumento no número de animais enviados para o abate, o que resultou em produção de carcaças 1,6% maior. Entretanto, o crescimento nas exportações, foi consistentemente maior (+12,9%), o que resultou, após dois anos de aumentos, na diminuição de 3,1% na disponibilidade interna de carne bovina.

Mesmo diante de um cenário econômico interno adverso, com menor volume de carne bovina para escoamento no mercado interno, há possibilidade de preços maiores ao longo da cadeia.

Conclusão

Apesar de o mercado do boi gordo ter trabalhado em um cenário mais calmo no primeiro semestre de 2025, pensando em disponibilidade interna, temos um ótimo sinal. Isso porque ainda nem tivemos uma diminuição na oferta de animais terminados.

Para o segundo semestre, devemos observar uma diminuição no número de fêmeas enviadas para o gancho, historicamente essa participação menor já acontece no segundo semestre. Além disso, acreditamos que estamos próximos de uma inversão no ritmo dos abates, que devem começar a diminuir também nas comparações anuais (não pela sazonalidade).

Mesmo diante da expectativa de crescimento no número de animais confinados em 2025, na nossa visão, já há um destino para esse volume adicional. Historicamente temos um volume exportado 20,0% maior do segundo semestre, frente ao primeiro, o que deve colaborar para o escoamento da produção.

Além disso, mesmo com o enfraquecimento do cenário econômico, o segundo semestre é marcado por alguma melhora no escoamento no mercado doméstico.

Com as exportações em bom ritmo e uma mudança esperada para o rumo da oferta, com menos fêmeas indo para o gancho, a expectativa é de continuidade da redução da disponibilidade interna de carne bovina. Com menos produto a ser escoado, nossa leitura é de que há espaço para que a cadeia trabalhe com preços melhores, não causado por melhoria de poder de compra da população, mas por menor volume a ser escoado no mercado interno.

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Você gostou desta coluna? Tem alguma sugestão ou informação nova?  Por favor, me escreva no e-mail hyberville@hnagro.com.br.


Mercado Pecuário

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Hora da Reposição

Confira também, toda sexta-feira, uma nova edição do programa Hora da Reposição. A cada semana, o repórter Ivaris Junior explora a situação do mercado e tendências da comercialização de gado geral nas diferentes regiões com entrevistas com leiloeiros e especialistas do setor.

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