
Por Denis Cardoso
Mesmo com a arroba sustentada acima de R$ 300/@, os frigoríficos brasileiros registraram margens positivas em 2025, graças a coprodutos como o sebo e o couro, além do próprio valor agregado embutido na venda de carne desossada.
Foi o segundo ano consecutivo de bons rendimentos, que ficaram acima dos ganhos obtidos pelos outros elos da cadeia de produção.
Segundo o indicador Equivalente Scot Desossa (preços da carne sem osso no atacado + couro + sebo + miúdos + derivados + subprodutos), da Scot Consultoria (Bebedouro/SP) os frigoríficos tiveram margens positivas, mas menores do que as registradas em 2024 (veja tabela com os dados para SP).

“O motivo dessa desaceleração anual foi o forte aumento no valor da arroba a partir do fim de 2024 e preço de carne sem osso no atacado praticamente estável ao longo de 2025”, explica o analista Felipe Fabbri, da Scot.
Lygia Pimentel, da Agrifatto, diz que, em 2025, os frigoríficos operaram em um ambiente de forte oferta de animais e pelo bom desempenho das exportações, mas isso não se traduziu em margens amplas ao longo do ano. A diferença (spread) de carcaça casada x boi gordo ilustra bem esse cenário.
“Enquanto em 2024 a margem média foi de 2,4%, no acumulado de 2025 recuou para 1,3%, evidenciando uma conjuntura mais apertada na relação entre matéria-prima e atacado”, destaca ela.
Lygia observa que a recuperação do preço do boi gordo para acima dos R$ 300/@, somada a um mercado interno ainda fragilizado pelo endividamento da população, reduziu o espaço para repasse de preços aos consumidores em 2025, fazendo com que tanto o atacado quanto o varejo enfrentassem dificuldades para sustentar altas ao longo do ano.
Apesar de a oferta abundante de bovinos favorecer as escalas de abate, a margem operacional não acompanhou. “A indústria administrou custo crescente da arroba ante um consumo interno lento”, diz.
Nesse contexto, o desempenho das exportações sustentou o setor em 2025, garantindo maior uso das plantas habilitadas e melhor escoamento da produção.
Dados coletados pela Agrifatto, com a divulgação dos balanços das empresas e de outros dados disponíveis nos sites das companhias, revelam o peso dos maiores frigoríficos do País.
Somente as unidades da líder JBS e da vice Minerva abatem, juntas, cerca de 58.000 bovinos por dia no País. Os dados são estimados, portanto, não refletem com exatidão os números da atualidade.
Na íntegra desta matéria publicada no Anuário DBO, você também confere a previsão para as margens dos frigoríficos em 2026. Veja, também, tabela com a distribuição de plantas dos maiores frigoríficos brasileiros pelo mundo, bem como a média de cabeças abatidas por dia e por planta.
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