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Genotipagem dos F1 Angus promete mudar o jogo do cruzamento industrial

Projeto inédito almeja genotipar 10 mil animais F1 Angus para identificar os touros que mais contribuem para carcaças de alta qualidade e rendimento no cruzamento com raças zebuínas

Por Carolina Rodrigues

A Associação Brasileira de Angus e Ultrablack prepara um ambicioso projeto: a genotipagem massiva de animais ½ sangue comerciais.

A iniciativa, desenvolvida desde janeiro de 2025, deve ser lançada oficialmente em breve e tem como meta analisar 10 mil F1 no primeiro ano, com base em amostras pós-abate e dados de desempenho.

O objetivo é identificar os reprodutores Angus que mais contribuem para a produção de carcaças de alta qualidade e rendimento industrial, permitindo maior precisão na escolha de touros e cruzamentos.

“Queremos fazer o que poucos países conseguiram: rastrear todo o processo produtivo, do cruzamento ao abate, diretamente na carcaça F1 e em grande escala”, afirma Wilson Brochmann, diretor do Programa Carne Angus Certificada.

O projeto envolve parceria com a Embrapa Pecuária Sul, que contribuirá com o banco de dados genéticos e o desenvolvimento de novas ferramentas de análise. Segundo o chefe-geral Fernando Cardoso, a coleta de dados “será renovável e cumulativa”, permitindo ganhos crescentes de acurácia nas avaliações.

Em complemento, o gerente do Programa Carne Angus Certificada, Maychel Borges, conta que a proposta é “abrir a caixa-preta do Angus” e gerar informações que refinem o cruzamento industrial brasileiro.

A tecnologia, que unirá genômica e inteligência artificial para avaliação de carcaças, deve gerar novas DEPs e até selos de certificação específicos para reprodutores voltados à carne de qualidade.

Para o diretor executivo da associação, Mateus Pivato, o projeto nasce como um divisor de águas. “Estamos captando recursos e definindo as tecnologias que permitirão consolidar uma base inédita de genótipos F1 no Brasil”, declarou.

Com isso, o programa Carne Angus Certificada, que já abateu 510 mil animais em 2024, dá um passo estratégico rumo à rastreabilidade plena e à diferenciação da carne Angus nacional.

Na íntegra desta reportagem da Revista DBO, você também confere:

  • Por dentro do cruzamento industrial: como o avanço genético e a genotipagem dos F1 estão redefinindo a produção de carne de qualidade no Brasil.
  • A dor do produtor premium: por que as diferenças entre lotes 1/2 sangue ainda comprometem o rendimento e a padronização da carne.
  • A força das matrizes Nelore: novos estudos mostram que avaliar o perfil genético das vacas é essencial para elevar o padrão das progênies.
  • Fazendas em transformação: confinamentos intensivos e uso de IA mostram o novo perfil dos pecuaristas voltados à carne gourmet.
  • O futuro é genômico: o que vem por aí em programas de certificação e seleção de touros e matrizes no cruzamento industrial.

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