Guia de Consultorias

Presentes de norte a sul do País, as consultorias técnicas acompanharam a evolução da pecuária de corte brasileira. Mais do que testemunhas, foram protagonistas dessa história em vários momentos, ajudando o produtor a enfrentar seus desafios diários. 

Ciente do importante papel desempenhado por esses profissionais, DBO criou um guia inédito de consultorias, divididas por área de atuação. Seus nomes e contatos podem ser consultados com ajuda do sistema de busca abaixo ou em consulta à lista completa. Leia abaixo a reportagem especial sobre a história das consultorias pecuárias no Brasil.  

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PROTAGONISTAS DE PESO

As consultorias especializadas em pecuária surgiram principalmente na década de 80, atendendo demandas que os serviços públicos de extensão rural já não conseguiam abranger. Criadas principalmente por profissionais da área de ciências agrárias, elas construíram “pontes” entre os produtores e a pesquisa acadêmica, levando informações técnicas para dentro das fazendas e contribuindo para a profissionalização do setor. 

Algumas consultorias têm perfil multissetorial, mas a maioria é relativamente segmentada, como mostra a lista. Muitas dessas empresas de consultorias frequentam as páginas de DBO desde seus primeiros anos. As pioneiras — criadas no início dos anos 80 — ainda estão em franca atividade e têm muita história para contar sobre suas experiências de campo e a evolução da pecuária, como mostra a reportagem de Renato Villela

Sem o auxílio da internet ou de programas de computador; muitas vezes munidos apenas de calculadora, caneta e papel, esses técnicos pioneiros enfrentaram (e venceram) os desafios de um Brasil rural com estradas de chão esburacadas, pouca abertura para o uso de tecnologias e um mercado à época muito focado no consumo interno. Confira um pouco dessa história a seguir! 

Origem associada à intensificação

As empresas de consultoria em pecuária surgiram de forma espontânea, em função de demandas de mercado. Após a extinção da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), em 1990, durante o governo Collor, os serviços públicos nesta área ficaram a cargo de Estados e Municípios, que não tinham muitos recursos e restringiram sua atuação à agricultura familiar e aos pequenos produtores de leite. Na verdade, a pecuária de corte sempre esteve um pouco à margem desses serviços, o que abriu espaço para a assistência técnica privada, que rapidamente detectou a necessidade de modernização do setor, após o lançamento do Plano Real, em 1994.

Durante os anos 80, as fazendas de gado de corte ainda eram muito extensivas, com rebanhos criados exclusivamente a pasto, sem suplementação. A produção de carne não passava de 3-4@/ha, os bois eram abatidos com 4-5 anos de idade e as novilhas emprenhavam tardiamente. Somente grandes projetos, muitos deles envolvidos com seleção genética, buscavam o apoio de consultores.

Com o controle da inflação pelo Plano Real, o boi deixou de ser reserva de valor, a margem dos pecuaristas diminuiu e houve necessidade de elevação dos ganhos por produtividade. Toda uma geração de consultores enfrentou o pó da estrada para levar tecnologias às fazendas, para que elas pudessem vencer este desafio.

Confinamento: grande propulsor

Neste contexto de intensificação, um segmento foi particularmente importante para a disseminação da assistência técnica privada: o confinamento. Com exigências específicas, essa atividade demandava profissionais capacitados na formulação de dietas balanceadas, visando garantir o ganho de peso projetado. No Estado de São Paulo, a partir da segunda metade dos anos 80, várias usinas sucroalcooleiras passaram a investir no confinamento, após descobrirem o enorme potencial do bagaço de cana hidrolizado na engorda de bovinos, com participação dos fundadores da Plano Consultoria.

Além da boa formação acadêmica, os consultores privados tinham como trunfo uma maior disponibilidade para atender novas demandas. “Estávamos prontos para ir até as fazendas assim que éramos chamados e corríamos rapidamente atrás de soluções”, diz Celso Lacorte, co-fundador da Plano. Segundo ele, o trabalho desenvolvido junto à indústria sucroalcooleira funcionou como um importante cartão de visitas para as consultorias. “Somente começamos a atender os pecuaristas quando eles viram sentido no que estávamos fazendo nos confinamentos das usinas”, relembra Lacorte.

Visitas técnicas – Com o crescente interesse dos produtores pelos sistemas de engorda intensiva, era preciso atualizá-los. Mais uma vez, as consultorias entraram em campo, organizando viagens técnicas, principalmente aos Estados Unidos, grande referência mundial na atividade. “Fomos pela primeira vez ao país com nossa equipe em 1987 e, dois anos depois, levamos clientes que estavam montando projetos de engorda. Todos queriam saber como eram as instalações e a logística dos confinamentos norte-americanos”, diz Lacorte.

Muitas tecnologias foram incorporadas aos projetos brasileiros a partir dessas visitas, que se tornaram frequentes nas décadas seguintes. E os consultores não se limitaram a transferir conhecimento, passaram também a desenvolver soluções inovadoras. 

Uma delas foi a silagem de capim, adotada em larga escala por confinadores e também por grandes produtores de leite, como Orostrato Olavo Silva Barbosa, o Olavo Barbosa, ícone da pecuária leiteira. “Manejamos intensivamente 5.500 ha de capim irrigado para produção de forragem. Confinamos 30.000 bois nas três fazendas dele, tendo como volumoso a silagem de capim”, conta Ricardo Burgi, um dos desenvolvedores dessa tecnologia.

Escala pede automação – Nas décadas seguintes, a engorda a cocho cresceria de forma exponencial, passando de 1,4 milhão de cabeças, em 1996, para 7,96 milhões em 2024. Isso demandou cada vez mais profissionais especializados, com foco principalmente em nutrição, gestão e automação. Hoje, a terminação intensiva de bovinos já não sobrevive sem as consultorias, que acompanham detalhadamente cada etapa do processo de engorda, gerenciando dados e fazendo análises comparativas de desempenho.

O diretor da Nutribeef, Rafael Cervieri, que começou a atender confinamentos em 1997, salientou, em uma retrospectiva histórica feita pela DBO em 2021, que os confinamentos foram incorporando tecnologias à medida que ganhavam escala, aumentavam o número de giros e trabalhavam com dietas de alto concentrado. 

Surgiram técnicas como o manejo de cocho limpo, a automação do trato, a gestão por indicadores e tecnologias 4.0. “Hoje, temos um manejo de primeiro mundo”, frisou Cervieri. Mas nem sempre foi assim. No começo, as dietas eram formuladas a mão, usando referências nutricionais de países de clima temperado. 

Agora, os consultores usam softwares capazes de elaborar dietas de custo mínimo para lucro máximo, a partir de bibliotecas de alimentos tropicais e considerando demandas dos bovinos criados em condições brasileiras. Na área de sanidade, também houve grande evolução, com o surgimento de consultorias especializadas na elaboração de protocolos sob medida para confinamentos.

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