No processo de modernização e intensificação da pecuária de corte brasileira, muitas empresas de insumos, serviços e equipamentos desempenharam um papel importante, prestando assistência técnica aos produtores como parte de suas estratégias de venda e fidelização. Algumas, inclusive, contribuíram para o desenvolvimento de novos sistemas de produção, seja em parceria com instituições de pesquisa, seja por meio de investimentos em experimentos próprios.
A assistência técnica prestada por elas aos pecuaristas foi particularmente marcante na área de nutrição, desde os anos 90, quando se passou gradativamente do “sal branco” para o sal mineral fosfatado, chegando depois aos proteinados de seca e aos proteico-energéticos de águas.
A contratação de veterinários, agrônomos e zootecnistas para a frente de vendas se tornou comum entre as empresas, possibilitando maior fluxo de transferência de tecnologias.
Uma das pioneiras nesta área foi a antiga Tortuga, incorporada à DSM em 2013. Hugo José Resende da Cunha, gerente técnico de gado de corte da empresa, diz que o apoio ao produtor vem dos tempos do fundador, Fabiano Fabiani, que criou um centro experimental para estudar doenças carenciais e testar soluções para a pecuária. “Fomos os primeiros a levar, por exemplo, a técnica do creep feeding para as fazendas e criamos modelos de instalações de cochos hoje usadas em todo o Brasil”, recorda.
Segundo Cunha, esse trabalho foi estruturado por meio do Programa PITT, focado em transferência de tecnologia, e ganhou nova configuração nos últimos anos, com a aquisição da Prodap, cuja equipe de consultores continua atuando nas propriedades que contratam seus serviços.
Várias outras empresas de nutrição – Premix, Trouw Nutrition, Minerthal, Nutroeste, Real H, Nutripura – também fornecem assistência técnica a seus clientes, ajudando-os, inclusive, no desenvolvimento de soluções para problemas específicos.
Outra pioneira da assistência técnica aos clientes é a Nutron (hoje Cargill), que soube captar as demandas dos confinadores, montando uma equipe específica para atendê-los, quando começou a atuar neste segmento no final dos anos 90. “O avanço da agricultura no Centro-Oeste possibilitou o uso de dietas de alto grão, que são mais desafiadoras para os animais e a primeira coisa que os pecuaristas perguntavam era: quem vai me ajudar a implementar isso? E eu dizia: nossa equipe técnica, que era composta por 25 pessoas”, relembra Danilo Grandini, responsável à época pela estruturação do serviço.
Com o aumento da capacidade estática dos confinamentos, a demanda tecnológica chegou ao manejo e à gestão, levando ao desenvolvimento de softwares específicos para uso dos clientes. “Uma intensa troca de experiências com especialistas estrangeiros e viagens técnicas para outros países possibilitaram uma maior capacitação de produtores e consultores parceiros”, conta Grandini.
Hoje, a equipe da Nutron/Cargill, comandada pelo zootecnista Pedro Veiga, garante aos clientes uma série de ferramentas de alta tecnologia, inclusive na área de automação.
Na área de terminação a pasto, outra pioneira, a Novanis (incorporada pela Agroceres Multimix) desenvolveu um sistema que possibilitou ao produtor acelerar a engorda dos animais sem construir instalações complexas, nem abrir mão do capim como fonte de fibra. Esse sistema, atualmente conhecido como TIP (terminação intensiva a pasto) foi difundido e aprimorado no Mato Grosso por técnicos que faziam a ponte entre a empresa e o produtor.
Com ajuda deles, foram desenvolvidas não apenas rações específicas para TIP, mas também equipamentos para distribuí-las.
O papel das empresas de insumos, serviços e equipamentos na transferência de tecnologias é de suma importância para o setor. Na área de sementes forrageiras, por exemplo, a Matsuda (também pioneira no desenvolvimento de novas cultivares de forrageiras), estruturou um departamento técnico independente dos vendedores, que pode ser acionado diretamente pelos clientes para auxílio em caso de surtos de pragas, ajustes no manejo do pasto, recomendação de adubação etc.
As empresas de saúde animal também têm longa tradição de apoio técnico ao pecuarista, desenvolvendo protocolos de vacinação, controle de verminose, profilaxia, e ajudando no diagnóstico de doenças. Da mesma forma, as centrais de inseminação investem há décadas no apoio ao produtor, seja para melhoramento genético do rebanho, seja para adoção de novas tecnologias. Movimento semelhante ocorre nas áreas de adubação e equipamentos, o que abre espaço para criação de verdadeiras parcerias com os produtores. E este movimento deve ser reforçado nos próximos anos.
EMPRESAS DE INSUMOS, SERVIÇOS E EQUIPAMENTOS QUE PRESTAM ASSISTÊNCIA TÉCNICA AO PRODUTOR COMO PARTE DA ESTRATÉGIA DE VENDAS | ||
EMPRESA | ÁREA DE ATUAÇÃO | SEDE |
Cargill | Nutrição | São Paulo (SP) |
DSM | Nutrição, gestão e saúde animal | São Paulo (SP) |
Trow Nutrition | Nutrição | São Paulo (SP) |
Agroceres Multimix | Nutrição | Rio Claro (SP) |
Minerthal | Nutrição | São Paulo (SP) |
Premix | Nutrição | Ribeirão Preto (SP) |
Nutroeste | Nutrição | Goiânia (GO) |
Real H | Nutrição e Saúde Animal | Campo Grande (MS) |
Nutripura | Nutrição | Rondonópolis (MT) |
Zoetis | Saúde Animal | São Paulo (SP) |
MSD | Saúde Animal e Identificação | São Paulo (SP) |
Matsuda | Pastagens, Nutrição e Saúde Animal | Presidente Prudente (SP) |
Virbac do Brasil | Saúde Animal | Sorocaba (SP) |
Ouro Fino | Saúde Animal | São Paulo (SP) |
Beckhauser | Troncos de contenção | Maringá (PR) |
Corteva | Pastagens | São Paulo (SP) |
Ihara Brasil | Pastagens | São Paulo (SP) |
Ponta | Gestão e Automação | Maringá (PR) |
Alta Genetcs | Genética | Uberaba (MG) |
ABS Global Brasil | Genética | Delta (MG) |
CRV | Genética | Ribeirão Preto (SP) |
Semex | Genética | Blumenau (SC) |
ST Repro | Genética | Indaiatuba (SP) |
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