Conteúdo: 12/04/2021

“Boi China” no pasto

Ágio pago pelo “boi China” (animal com até 30 meses) tem estimulado muitos produtores a acelerar seu processo de intensificação pecuária

Garrotes Nelore recriados de forma intensiva para abate com até 30 meses (4 dentes).

Por Renato Villela

O “boi China” tem provocado mudanças efetivas no sistema de produção das fazendas, ajudando a consolidar tecnologias que, nas últimas duas décadas, reduziram a idade de abate dos animais. No final dos anos 90, quase metade dos bois abatidos no País tinha mais de três anos de idade. Essa fatia encolheu para pouco mais de 5% em 2019. Ao entrar para valer no mercado chinês, dois anos atrás, os frigoríficos passaram a pagar ágios de R$ 10/@, contribuindo para conferir um perfil mais jovem à pecuária nacional. “São carcaças pesadas, produzidas num período cada vez mais curto”, atesta Maurício Palma Nogueira, da Athenagro, de São Paulo, SP. Enquanto os produtores que já entregam animais dentro do padrão aproveitam o ágio do “boi China”, aqueles que estão fora da régua procuram empregar as ferramentas certas para atingir esse objetivo.

“O alvo mudou. Antes nos preocupávamos somente com o acabamento das carcaças. Hoje, a idade é preponderante”, afirma Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), de Colina, SP. Para Ricardo Burgi, da Burgi Consultoria Agropecuária, de Piracicaba, SP, a exigência chinesa de abater os animais até os 30 meses também impactou o mercado de fêmeas. “A engorda de novilhas, que já vinha em ascensão, ganhou impulso, já que a categoria fica pronta para o abate mais rapidamente e está valendo o mesmo que o macho”, disse.

O consultor Antônio Chacker, do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), acredita que o ágio sobre a arroba acelerou o uso das tecnologias no campo, mas faz uma ponderação: “Na minha opinião, a redução na idade de abate tem mais a ver com o retorno econômico e a sustentabilidade do negócio em si do que propriamente com a exigência externa”.

Para sustentar essa tese, Chacker recorre à rentabilidade da operação. “O ‘boi China’ pode deixar uma taxa interna de retorno de 1,2% ao mês, o que é um excelente negócio, em comparação com outras aplicações, especialmente neste momento em que a taxa Selic e a poupança estão rendendo menos do que a inflação. Se o ciclo for mais curto, o ganho é ainda maior, mas se o boi ultrapassar esse teto dos 30 meses, a redução desses indicadores é substancial”, alerta. Para Chacker, o “boi China” é vantajoso tanto para o consumidor, que tem na prateleira uma carne de melhor qualidade, oriunda de um animal jovem, quanto para a fazenda, desde que o produtor esteja estruturado. “Se o gado não tiver qualidade genética e o pasto for ruim, terei de compensar isso tratando desde cedo. Não dá para produzir a qualquer custo. Se não tiver processo, não há ágio que sustente a operação. O ‘boi China premia o bom e não resolve o problema do ruim”, diz.

Mas, afinal, que impacto é esse que os chineses têm provocado no sistema de produção das fazendas? Para responder a essa pergunta, a reportagem de DBO conversou com consultores e produtores. Desde a genética mais apurada até a TIP (Terminação Intensiva a Pasto), passando pelas estratégias para encurtar a recria, como a suplementação e o sequestro, existem muitas ferramentas à disposição do produtor para produzir animais jovens. “Não estamos inventando nada de novo para fazer o ‘boi China. As tecnologias já existiam. O que aumentou muito foi a demanda, obrigando o produtor a fazer as mudanças necessárias para receber o ágio”, diz Gustavo Rezende.

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Leilões virtuais movimentaram R$ 56,7 milhões em março

A raça Nelore respondeu por aproximadamente 83% de toda a oferta arrematada pelo mercado de genética seletiva, informa o Banco de Dados da DBO

Por Gualberto Vita

Compradores e vendedores de bovinos de genética para carne estiveram mobilizados para novas oportunidades de negócios, apresentadas pela TV e internet, durante 31 remates virtuais promovidos ao longo de março de 2021. Até o dia 1º de abril, data de fechamento deste balanço, o banco de dados da DBO computou aquisições de 3.591 lotes de machos, fêmeas, prenhezes e aspirações, que geraram receita total de R$ 56,7 milhões, o maior faturamento para o mês de março nos últimos 10 anos.

O recuo na oferta de animais, na comparação com março de 2020, foi de 7,5%. Já em relação ao desempenho financeiro registrado no mesmo período do ano passado (R$ 35,7 milhões), o crescimento ficou ao redor de 58,7%. Na mesma batida, a média geral saltou de R$ 9.211 para R$ 15.798, acréscimo de 71,5%. As cotações firmes do boi gordo e o preço do bezerro em alta, valorizando a atividade de cria, impulsionaram os preços médios para patamares mais elevados do que aqueles praticados na temporada anterior.

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“Com resultados, é mais fácil falar de bem-estar animal”

No “Prosa Quente” da edição de abril, Fernanda Macitelli, uma das maiores etólogas do Brasil, garante que o bom manejo traz benefícios evidentes

“Optar pelo manejo racional ou boas práticas não signfica aumentar custos; significa mudar atitudes, formas de pensar”

Por Renato Villela

A zootecnista Fernanda Macitelli (43 anos), professora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), é considerada uma das maiores especialistas em bem-estar animal do Brasil, com contribuição relevante para o desenvolvimento da pecuária bovina nacional. Cientista respeitada, tem mestrado em nutrição de ruminantes e doutorado em comportamento animal pela Unesp de Jaboticabal, SP, onde se formou. Nascida na capital paulista, mudou-se aos cinco anos para o município de Santa Rita do Passa Quatro, interior do Estado, onde se apaixonou pelo campo. Neta de capataz, cresceu ouvindo as histórias de quem ganhava a vida na lida com o gado. “Minha inspiração maior foi meu avô, que sempre me contava como fazia para cuidar dos animais”, relembra.

O interesse da infância ganhou impulso na adolescência. “Durante o colegial, assisti uma palestra do professor Mateus Paranhos [um dos mais importantes etólogos do Brasil, professor da Unesp Jaboticabal], sobre comportamento animal e pensei: quero ser igual a esse moço”. A admiração norteou a escolha da faculdade para fazer zootecnia. “Passei na Unesp, Lavras (UFLA), Viçosa (UFV) e USP (FZEA), mas escolhi a primeira por causa do professor Mateus”, conta Fernanda. A parceria entre os dois, que renderia tantos trabalhos importantes, foi vista com descrédito no início. “As pessoas me perguntavam: você vai escolher aquele abraçador de árvores para ser seu orientador?”, conta rindo.

Hoje, o bem-estar animal já não é visto com estranheza. Pelo contrário, tornou-se um dos pilares da produção animal moderna. Muito dessa mudança se deve aos trabalhos de pesquisa realizados por Fernanda, em conjunto com o Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (ETCO), ou conduzidos na UFMT (Campus de Sinop). “Temos muitos resultados que podem ser implementados nas fazendas. E quando a gente fala em resultados, o pecuarista já olha de uma forma diferente”, diz a etóloga, que também tem experiência de campo. Antes de se tornar professora da UFMT, ela trabalhou por oito anos como gerente de uma grande empresa pecuária e hoje é produtora em Lucas do Rio Verde, MT.

Nesta entrevista concedida ao repórter Renato Villela, Fernanda fala de vários projetos, dentre eles a campanha para redução da marca a fogo; o programa de treinamento de materneiros “Cada bezerro importa”, que vem reduzindo a taxa de mortalidade nas fazendas; os estudos com estresse térmico em confinamentos e, claro, os novos desafios do bem-estar animal. Confira!

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“Boi China” no pasto

Ágio pago pelo “boi China” (animal com até 30 meses) tem estimulado muitos produtores a acelerar seu processo de intensificação pecuária

Garrotes Nelore recriados de forma intensiva para abate com até 30 meses (4 dentes).

Por Renato Villela

O “boi China” tem provocado mudanças efetivas no sistema de produção das fazendas, ajudando a consolidar tecnologias que, nas últimas duas décadas, reduziram a idade de abate dos animais. No final dos anos 90, quase metade dos bois abatidos no País tinha mais de três anos de idade. Essa fatia encolheu para pouco mais de 5% em 2019. Ao entrar para valer no mercado chinês, dois anos atrás, os frigoríficos passaram a pagar ágios de R$ 10/@, contribuindo para conferir um perfil mais jovem à pecuária nacional. “São carcaças pesadas, produzidas num período cada vez mais curto”, atesta Maurício Palma Nogueira, da Athenagro, de São Paulo, SP. Enquanto os produtores que já entregam animais dentro do padrão aproveitam o ágio do “boi China”, aqueles que estão fora da régua procuram empregar as ferramentas certas para atingir esse objetivo.

“O alvo mudou. Antes nos preocupávamos somente com o acabamento das carcaças. Hoje, a idade é preponderante”, afirma Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), de Colina, SP. Para Ricardo Burgi, da Burgi Consultoria Agropecuária, de Piracicaba, SP, a exigência chinesa de abater os animais até os 30 meses também impactou o mercado de fêmeas. “A engorda de novilhas, que já vinha em ascensão, ganhou impulso, já que a categoria fica pronta para o abate mais rapidamente e está valendo o mesmo que o macho”, disse.

O consultor Antônio Chacker, do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), acredita que o ágio sobre a arroba acelerou o uso das tecnologias no campo, mas faz uma ponderação: “Na minha opinião, a redução na idade de abate tem mais a ver com o retorno econômico e a sustentabilidade do negócio em si do que propriamente com a exigência externa”.

Para sustentar essa tese, Chacker recorre à rentabilidade da operação. “O ‘boi China’ pode deixar uma taxa interna de retorno de 1,2% ao mês, o que é um excelente negócio, em comparação com outras aplicações, especialmente neste momento em que a taxa Selic e a poupança estão rendendo menos do que a inflação. Se o ciclo for mais curto, o ganho é ainda maior, mas se o boi ultrapassar esse teto dos 30 meses, a redução desses indicadores é substancial”, alerta. Para Chacker, o “boi China” é vantajoso tanto para o consumidor, que tem na prateleira uma carne de melhor qualidade, oriunda de um animal jovem, quanto para a fazenda, desde que o produtor esteja estruturado. “Se o gado não tiver qualidade genética e o pasto for ruim, terei de compensar isso tratando desde cedo. Não dá para produzir a qualquer custo. Se não tiver processo, não há ágio que sustente a operação. O ‘boi China premia o bom e não resolve o problema do ruim”, diz.

Mas, afinal, que impacto é esse que os chineses têm provocado no sistema de produção das fazendas? Para responder a essa pergunta, a reportagem de DBO conversou com consultores e produtores. Desde a genética mais apurada até a TIP (Terminação Intensiva a Pasto), passando pelas estratégias para encurtar a recria, como a suplementação e o sequestro, existem muitas ferramentas à disposição do produtor para produzir animais jovens. “Não estamos inventando nada de novo para fazer o ‘boi China. As tecnologias já existiam. O que aumentou muito foi a demanda, obrigando o produtor a fazer as mudanças necessárias para receber o ágio”, diz Gustavo Rezende.

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O “boi China” tem provocado mudanças efetivas no sistema de produção das fazendas, ajudando a consolidar tecnologias que, nas últimas duas décadas, reduziram a idade de abate dos animais. No final dos anos 90, quase metade dos bois abatidos no País tinha mais de três anos de idade. Essa fatia encolheu para pouco mais de 5% em 2019. Ao entrar para valer no mercado chinês, dois anos atrás, os frigoríficos passaram a pagar ágios de R$ 10/@, contribuindo para conferir um perfil mais jovem à pecuária nacional. “São carcaças pesadas, produzidas num período cada vez mais curto”, atesta Maurício Palma Nogueira, da Athenagro, de São Paulo, SP. Enquanto os produtores que já entregam animais dentro do padrão aproveitam o ágio do “boi China”, aqueles que estão fora da régua procuram empregar as ferramentas certas para atingir esse objetivo.

“O alvo mudou. Antes nos preocupávamos somente com o acabamento das carcaças. Hoje, a idade é preponderante”, afirma Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), de Colina, SP. Para Ricardo Burgi, da Burgi Consultoria Agropecuária, de Piracicaba, SP, a exigência chinesa de abater os animais até os 30 meses também impactou o mercado de fêmeas. “A engorda de novilhas, que já vinha em ascensão, ganhou impulso, já que a categoria fica pronta para o abate mais rapidamente e está valendo o mesmo que o macho”, disse.

O consultor Antônio Chacker, do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), acredita que o ágio sobre a arroba acelerou o uso das tecnologias no campo, mas faz uma ponderação: “Na minha opinião, a redução na idade de abate tem mais a ver com o retorno econômico e a sustentabilidade do negócio em si do que propriamente com a exigência externa”.

Para sustentar essa tese, Chacker recorre à rentabilidade da operação. “O ‘boi China’ pode deixar uma taxa interna de retorno de 1,2% ao mês, o que é um excelente negócio, em comparação com outras aplicações, especialmente neste momento em que a taxa Selic e a poupança estão rendendo menos do que a inflação. Se o ciclo for mais curto, o ganho é ainda maior, mas se o boi ultrapassar esse teto dos 30 meses, a redução desses indicadores é substancial”, alerta. Para Chacker, o “boi China” é vantajoso tanto para o consumidor, que tem na prateleira uma carne de melhor qualidade, oriunda de um animal jovem, quanto para a fazenda, desde que o produtor esteja estruturado. “Se o gado não tiver qualidade genética e o pasto for ruim, terei de compensar isso tratando desde cedo. Não dá para produzir a qualquer custo. Se não tiver processo, não há ágio que sustente a operação. O ‘boi China premia o bom e não resolve o problema do ruim”, diz.

Mas, afinal, que impacto é esse que os chineses têm provocado no sistema de produção das fazendas? Para responder a essa pergunta, a reportagem de DBO conversou com consultores e produtores. Desde a genética mais apurada até a TIP (Terminação Intensiva a Pasto), passando pelas estratégias para encurtar a recria, como a suplementação e o sequestro, existem muitas ferramentas à disposição do produtor para produzir animais jovens. “Não estamos inventando nada de novo para fazer o ‘boi China. As tecnologias já existiam. O que aumentou muito foi a demanda, obrigando o produtor a fazer as mudanças necessárias para receber o ágio”, diz Gustavo Rezende.

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O “boi China” tem provocado mudanças efetivas no sistema de produção das fazendas, ajudando a consolidar tecnologias que, nas últimas duas décadas, reduziram a idade de abate dos animais. No final dos anos 90, quase metade dos bois abatidos no País tinha mais de três anos de idade. Essa fatia encolheu para pouco mais de 5% em 2019. Ao entrar para valer no mercado chinês, dois anos atrás, os frigoríficos passaram a pagar ágios de R$ 10/@, contribuindo para conferir um perfil mais jovem à pecuária nacional. “São carcaças pesadas, produzidas num período cada vez mais curto”, atesta Maurício Palma Nogueira, da Athenagro, de São Paulo, SP. Enquanto os produtores que já entregam animais dentro do padrão aproveitam o ágio do “boi China”, aqueles que estão fora da régua procuram empregar as ferramentas certas para atingir esse objetivo.

“O alvo mudou. Antes nos preocupávamos somente com o acabamento das carcaças. Hoje, a idade é preponderante”, afirma Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), de Colina, SP. Para Ricardo Burgi, da Burgi Consultoria Agropecuária, de Piracicaba, SP, a exigência chinesa de abater os animais até os 30 meses também impactou o mercado de fêmeas. “A engorda de novilhas, que já vinha em ascensão, ganhou impulso, já que a categoria fica pronta para o abate mais rapidamente e está valendo o mesmo que o macho”, disse.

O consultor Antônio Chacker, do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), acredita que o ágio sobre a arroba acelerou o uso das tecnologias no campo, mas faz uma ponderação: “Na minha opinião, a redução na idade de abate tem mais a ver com o retorno econômico e a sustentabilidade do negócio em si do que propriamente com a exigência externa”.

Para sustentar essa tese, Chacker recorre à rentabilidade da operação. “O ‘boi China’ pode deixar uma taxa interna de retorno de 1,2% ao mês, o que é um excelente negócio, em comparação com outras aplicações, especialmente neste momento em que a taxa Selic e a poupança estão rendendo menos do que a inflação. Se o ciclo for mais curto, o ganho é ainda maior, mas se o boi ultrapassar esse teto dos 30 meses, a redução desses indicadores é substancial”, alerta. Para Chacker, o “boi China” é vantajoso tanto para o consumidor, que tem na prateleira uma carne de melhor qualidade, oriunda de um animal jovem, quanto para a fazenda, desde que o produtor esteja estruturado. “Se o gado não tiver qualidade genética e o pasto for ruim, terei de compensar isso tratando desde cedo. Não dá para produzir a qualquer custo. Se não tiver processo, não há ágio que sustente a operação. O ‘boi China premia o bom e não resolve o problema do ruim”, diz.

Mas, afinal, que impacto é esse que os chineses têm provocado no sistema de produção das fazendas? Para responder a essa pergunta, a reportagem de DBO conversou com consultores e produtores. Desde a genética mais apurada até a TIP (Terminação Intensiva a Pasto), passando pelas estratégias para encurtar a recria, como a suplementação e o sequestro, existem muitas ferramentas à disposição do produtor para produzir animais jovens. “Não estamos inventando nada de novo para fazer o ‘boi China. As tecnologias já existiam. O que aumentou muito foi a demanda, obrigando o produtor a fazer as mudanças necessárias para receber o ágio”, diz Gustavo Rezende.

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