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Gigantes da engorda crescem 24,3%

Os 20 maiores confinadores do Brasil engordaram 2,46 milhões de cabeças em 2024, ante 1,98 milhão em 2023. Veja mais na 4ª edição deste ranking exclusivo de DBO. 

Por Maristela Franco, editora da Revista DBO

Estamos ficando sem adjetivos para qualificar o segmento mais pujante da pecuária de corte bovina brasileira, que vem crescendo ano a ano, conforme os levantamentos feitos por DBO desde 2022. Os 20 maiores confinadores brasileiros não apenas cresceram 24,3% no ano passado, engordando mais animais do que haviam projetado, como parecem não se deixar intimidar com as atuais instabilidades do mercado, porque pretendem confinar, em 2025, quase 3 milhões de cabeças (veja tabela). Neste ano, a participação no ranking foi expressiva, com presença dos três maiores players do segmento: MFG, JBS e JBJ, o que não ocorreu em edições anteriores. Os três juntos engordaram 853.442 bovinos, em 2,5 a 3 giros.  

As respostas enviadas pelos participantes à DBO apontam forte investimento em gestão, automação e sustentabilidade. Vários exemplos de boas práticas de produção foram listados e também programas de bem-estar animal, mostrando que o segmento está cada vez mais profissionalizado. A maior parte dos TOP 20 presta serviços a terceiros. Novamente ficaram de fora do levantamento o Grupo Robeiro e a empresa de confinamento da Família Vilela, controladora do Grupo Minerva.

CONFINADORES TOP 20 EM 2024 
Nome Nº de cabeças  em 20241 Projeção para 2025  

1º MFG Agropecuária 

328.745 350.000 
2º Boitéis JBS 280.000 320.000 
3º JBJ Agropecuária  244.697 350.000 
4º Fazenda Conforto 170.000 170.000 
5º Agrojem 124.000 144.000 
6º Campanelli 120.000 150.000 
7º Grupo Frisa 117.852 122.000 
8º Captar  114.883 170.000 
9º Vista Alegre (Better Beef) 110.369 120.000 
10º Queiroz de Queiroz 102.485 115.000 
11º Grande Lago 100.000 140.,000 
12º 3i   87.111 134.000 
13º Cara Preta   86.191 100.510 
14º Abacaxi Quebrado   86.000 95.000 
15º Real Beef   77.954 100.000 
16º Maximus   73.409 95.000 
17º Mantiqueira   72.309 87.315 
18º CMA   63.213 80.000 
19º LF Pec   59.000 75.000 
20º Frigoestrela   43.300 60.000 
Total 2.461.518 2.977.825 
1 O ranking é estabelecido com base em dados de 2024 

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1º MFG Agropecuária

Tricampeã do TOP 20 Confinadores do Brasil, a MFG Agropecuária, engordou um número recorde de animais em 2024 (328.745 cabeças) e pretende atingir a marca de 350.000 em 2025. A empresa possui oito confinamentos: Pereira Barreto (SP), Sabino (SP), Coxim (MS), Cotegipe (BA), Mineiros (GO), Campo Verde (MT), Campo Novo dos Parecis (MT) e Tangará da Serra (MT), que, juntos, detêm capacidade estática para 143.000 cabeças. Além de engordar gado próprio, a MFG presta serviços a terceiros e oferece benefícios como trava na B3, até 200 km de frete grátis, prêmios por qualidade e antecipação de valores por NPR. Tem um dos melhores programas de bem-estar do País e algumas de suas unidades já contam com o selo FairFood. 

2º Boitéis JBS

Segunda maior empresa de confinamento do País, o Boitel JBS engordou, em 2024, um total de 280.000 animais, pretendendo chegar a 320.000 em 2025. São seis unidades de engorda: Guaiçara (SP), Campo Florido (MG), Terenos 1 (MS), Terenos 2 (MS), Lucas do Rio Verde (MT) e Porto Alegre do Norte (MT). A capacidade instalada total é de 110.000 cabeças. Reforçando seu compromisso com a eficiência operacional, sustentabilidade e qualidade de terminação, o Boitel JBS investe bastante em tecnologias e faz monitoramento socioambiental de seus clientes, por meio da Plataforma Pecuária Transparente. Como diferenciais,  ele oferece trava de preços, apoio no transporte, nutrição balanceada, premiações por mercado e possibilidade de antecipação da receita de abate, caso o produtor precise de recursos para comprar insumos ou animais de reposição. 

3º JBJ Agropecuária

De volta ao ranking dos maiores confinadores do País, a JBJ confinou 244.697 animais em 2024, ocupando o segundo lugar entre os gigantes da engorda intensiva, podendo chegar a 350.000 em 2025. A JBJ (iniciais de José Batista Júnior,  o Júnior Friboi) tem capacidade estática para engordar 125.000 bovinos em duas unidades localizadas em Nazário e Aruanã, ambas em Goiás. Com instalações sólidas (a de Aruanã, inclusive, foi uma das primeiras do Brasil a contar com corredor de trato coberto), a empresa tem condições para atender diferentes mercados, tanto com animais cruzados quanto Nelore. Trabalha com rações balanceadas, enriquecidas com aditivos, e dá atenção especial ao bem-estar animal, além de programas para controle de resíduos, aproveitamento do adubo e redução de emissões de gases efeito-estufa. 

4º Fazenda Conforto

Com capacidade estática para 71.000 cabeças, a Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO), confinou 170.000 cabeças em 2024, em 2,5 giros, e deve repetir esse número em 2025. Segundo seus gestores, 100% do gado é destinado à exportação. A dieta fornecida aos animais contém milho floculado, núcleos minerais e DDG. São quatro tratos automatizados/dia, com análise nutricional por lote. A Conforto mantém um setor especializado em gestão de riscos, que realiza projeções de mercado e desenvolve estratégias ativas de hedge, solução também oferecida aos produtores-parceiros. Com 12.000 ha de área, a empresa tem investido bastante em projetos de sustentabilidade (inclusive com recursos externos). Trabalha com ILPF, rotação de culturas, fertirrigação, proteção de nascentes e informa que está iniciando projetos de agricultura regenerativa. Em 2024, lançou a empresa de adubo orgânico IFB Fertilizantes. 

5º Agrojem

Depois de confinar 124.000 animais em 2024, a Agrojem se prepara para atingir a marca de 144.000 cabeças, em duas plantas de confinamento: uma na Fazenda São Geraldo, em Marianópolis, e outra na Fazenda Bacaba, em Miranorte, ambos no Tocantins. Com capacidade estática para 65.0000 cabeças, a empresa usa dieta de alto concentrado, com baixo percentual de volumoso. Todo o trato é automatizado. Com manejo 100% sustentável, a Agrojem produz fertilizantes organo-minerais oriundos dos dejetos sólidos e usa os dejetos líquidos na fertirrigação de lavouras, via pivô. 

6º Campanelli

Com duas unidades de confinamento no Estado de São Paulo, localizadas nas fazendas Santa Rosa, em Altair, e Primavera, em Santo Antônio do Aracanguá, a Agropecuária Campanelli confinou 120.000 bois próprios em 2024. Para este ano, a previsão é fechar 150.000 animais. Empresa sempre na vanguarda da tecnificação, a Campanelli montou um confinamento experimental para realização de pesquisas, onde validou um sistema inédito de sombreamento, para redução do estresse térmico. A iniciativa foi reconhecida pela revista internacional Frontiers in Veterinary Science, em 2023.

7º Grupo Frisa

Em quatro confinamentos (um no ES e três em MG), o Frisa engordou 117.852 animais em 2024 e pretende chegar a 122.000 em 2025, com média de 3,47 giros/ano, A capacidade estática da empresa é de 41.150 cabeças. Aos parceiros, ela oferece: trava do boi no mês do abate junto à B3 e premiação por mercado, A automação está presente do carregamento à distribuição da ração. Todas as unidades possuem o certificado do Programa de Sustentabilidade e Bem-Estar Frisa, que reúne 100 normas técnicas. No radar do grupo estão investimentos em Big Data, ações de bem-estar e melhoria da conversão alimentar.

8º Captar

Esta empresa baiana, com planta em Luis Eduardo Magalhães, abateu 114.883 animais em 2024, projetando 170.000 para 2025, dentro de uma estratégia de expansão gradual, com foco em eficiência produtiva, sustentabilidade e padronização de carcaça. Com uma capacidade estática para 65.000 cabeças, a Captar usa dieta com baixa inclusão de volumoso (cerca de 2,5%) e oferece, aos parceiros, frete gratuito para distâncias de até 500 km e adiantamento financeiro de até 70% das arrobas entregues. Dentre as ações sustentáveis, faz doação de esterco para agricultores da região, visando melhoria da produtividade. 

9º Vista Alegre (Better Beef)

A Agropecuária Vista Alegre, de Presidente Bernardes (SP), detentora da marca de carne Better Beef, com mais de duas décadas de história no mercado, figura na lista dos maiores projetos de engorda intensiva do País com 110.369 animais abatidos em 2024, 10,3% a mais do que em 2023. Com capacidade estática para 35.000 animais (produção própria), o confinamento adota práticas sustentáveis e de bem-estar animal, incluindo a cobertura das baias, irrigação de pastagens com chorume e produção de biogás a partir do esterco dos animais. Em 2025 pretende abater 120.000 cabeças.

10º Queiroz de Queiroz

Grupo familiar com atuação no Triângulo Mineiro, os Queiroz confinaram 102.485 animais em duas plantas instaladas na cidade de Frutal. Toda informatizada, a fábrica de rações do confinamento processa 400 t de alimentos por dia. A empresa usa softwares como o TGC (gestão) e TGR (rastreabilidade), para maior controle dos resultados individuais dos animais, o que lhe possibilita atender nichos de mercado específicos. Também trabalha com ferramentas de gestão de risco e planejamento financeiro. Em 2025, a Queiroz de Queiroz pretende abater 115.000 animais.

11º Grande Lago

Com plantas de engorda em Jussara (GO) e Igaratinga (MG), com capacidade estática total para 85.000 animais, a Grande Lago confinou 100.000 cabeças em 2024. Neste ano, sua meta é atingir 140.000. O confinamento usa dietas de alto concentrado e possui trato automatizado. A infraestrutura dos confinamentos é moderna, com corredores e pátios de manobra asfetados, o que garante uma melhor performance no trato dos animais. A empresa também trabalha com base em indicadores de performance, com metas estabelecidas e melhorias contínuas em todos os setores.

12º 3i

Com um total de quatro plantas, das quais duas são próprias (Colina, em SP, e Aruanã, em GO) e duas arrendadas (São Carlos, em SP, e Abadiânia, em GO), a Agropecuária 3i tem uma capacidade instalada para 44.000 animais. No ano passado, confinou 87.111 cabeças. Neste ano, pretende alcançar o marco de 134.000. Além de confinar animais próprios, a empresa oferece parceria nas modalidades de arroba produzida, diária e arrobas entregues. Dentre os diferenciais oferecidos, estão: garantia de escala e prêmios por meio de parcerias com frigoríficos e com programas de qualidade de carne. 

13º Carapreta

Esta empresa confinou 86.191 cabeças em 2024 e planeja atingir 100.510, em 2025. Suas unidades de engorda ficam em Jequitaí e São João da Ponte (MG). Apesar de ter começado a prestar serviços em 2024, sua prioridade continua sendo a engorda de animais próprios, para abastecer a marca de carne Carapreta. A empresa é conhecida por seu projeto de verticalização e economia circular, que integra três atividades (bovinocultura, ovinocultura e piscicultura). Possui biodigestores, usina de energia solar e fertirrigação. Foi uma das primeiras empresas do Brasil a colocar vacas paridas no confinamento.

14º Abacaxi Quebrado

Esta empresa possui um confinamento em Colider (MT), onde terminou 86.000 cabeças em 2024, com projeção para 95.000 neste ano. Ela trabalha apenas com gado próprio, não oferecendo serviços de boitel. Usa dietas à base de WDG (grãos úmidos de destilaria), silagem de capim, milho moído, torta de algodão e casca de soja. Possui sistema de fertirrigação para aproveitamento do esterco e adota práticas de bem-estar no manejo do gado. O trato é totalmente automatizado. Segundo seus gestores, as instalações também são usadas para tratar outras categorias animais.

15º Real Beef

A Real Beef tem um confinamento em Mato Grosso, com capacidade estática para 35.000 cabeças e também engorda animais em sistema terceirizado (boitéis) nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Em 2024, terminou 77.954 animais e pretende chegar a 90.000 em 2025. Trata-se de uma empresa altamente profissionalizada, que adota dietas ricas em concentrado (85% a 92%), faz trato automatizado em 100% das baias e trabalha com mais de 40 painéis de BI, cruzando dados de indicadores zootécnicos, sanitários e econômicos para tomada de decisões. Também faz gestão de risco e foco contínuo em sustentabilidade.

16º Maximus

Com três unidades de confinamento, nos municípios paulistas de Sertãozinho, Sales e Clementina, a Maximus Agronegócio possui capacidade estática total para 38.000 animais. A empresa está em expansão e pretende aumentar este número para 46.000 em 2026. No ano passado, ela confinou 73.409 cabeças. Neste ano, pretende chegar a 95.000 animais. Dentre os benefícios oferecidos aos parceiros estão: premiações (boi Europa, China, Hilton) e a possibilidade de antecipação do recebível, ou seja, o produtor pode sacar antes do abate parte do valor ao qual tem direito.

17º Mantiqueira

Em nova fase, sob o nome Agro Gerações (criado após a aquisição de 50% da Mantiqueira Alimentos pela JBS), esta empresa tem dois confinamentos, com capacidade instalada para 48.000 animais: um em Água Boa (MT) e outro em Várzea de Palma (MG). Em 2024, terminou 72.309 animais, devendo chegar a 87.315 em 2025. Trabalha com dieta de baixo volumoso, usando pacotes tecnológicos para mitigar riscos metabólicos. O trato é automatizado. Sua estrutura está sendo modernizada, com compra de novos equipamentos e aprimoramento dos processos para elevar a eficiência.

18º CMA

Sediado em Barretos (SP), o Confinamento Monte Alegre (CMA) possui capacidade estática para 23.500 animais. Em 2024, confinou 63.213 cabeças. A previsão para este ano é chegar a 80.000. Além da isenção total de ICMS, a empresa oferece vantagens competitivas que otimizam a operação e geram valor ao produtor. Há opções de trava no mercado futuro, garantindo segurança comercial. Em 2024, a CMA recebeu a Certificação de Bem-Estar Único (QIMA/WQS), que reconhece sua atuação integrada desta área com o ambiente de trabalho e com a responsabilidade ambiental.

19º LF Pec

O Grupo LF PEC confinou 59.000 cabeças em 2024, distribuídas em três unidades na Bahia, Pará e Mato Grosso, com capacidade total para 60.000 cabeças. Neste ano, o grupo pretende terminar 75.000 animais. Usa dietas de alto concentrado, com forte participação de grãos de destilaria, para maximizar o ganho de peso e a eficiência alimentar. No aspecto sustentável, trabalha com o conceito de economia circular, evitando desperdícios e promovendo a reutilização de materiais. O grupo planeja investimentos na modernização da gestão e na automatização da alimentação de bovinos, dentre outros.

20º Frigoestrela

O Grupo LF PEC confinou 59.000 cabeças em 2024, distribuídas em três unidades na Bahia, Pará e Mato Grosso, com capacidade total para 60.000 cabeças. Neste ano, o grupo pretende terminar 75.000 animais. Usa dietas de alto concentrado, com forte participação de grãos de destilaria, para maximizar o ganho de peso e a eficiência alimentar. No aspecto sustentável, trabalha com o conceito de economia circular, evitando desperdícios e promovendo a reutilização de materiais. O grupo planeja investimentos na modernização da gestão e na automatização da alimentação de bovinos, dentre outros.